O diretor do Instituto Nacional do Semiárido (INSA) fala sobre combate à desertificação no Semiárido, além de projetos e ações que estão sendo desenvolvidas
O Instituto Nacional do Semiárido (INSA) é o representante do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) junto à Comissão Nacional de Combate à Desertificação (CNCD). Um dos avanços é a construção de sede própria em Campina Grande (PB) e a contratação de novos servidores públicos e pessoal terceirizado, estabelecendo um quadro de profissionais qualificados. Segundo o diretor Germano Costa, o Semiárido é uma região de grandes potencialidades, e pode produzir, com vantagem comparativa, diversas plantas e animais, nativos ou adaptados às condições locais.
InvestNordeste - Quais as principais ações do Instituto Nacional do Semiárido no combate à desertificação e a mitigação dos efeitos da seca?
Roberto Germano Costa - O Instituto Nacional do Semiárido (INSA) é o representante do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) junto à Comissão Nacional de Combate à Desertificação (CNCD) e são inúmeras as ações de combate a esse problema.
Ocorreu em Campina Grande (PB), no início de fevereiro, a reunião preparatória ao 1º Encontro Nacional de Enfrentamento da Desertificação (Ened), que ocorrerá agora no mês de março, nas cidades de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), onde o principal foco é o fortalecimento político-institucional da Agenda de Combate à Desertificação.
E com esse propósito, o governo brasileiro está mobilizando atores para viabilizar a concretização de um “Pacto pelo Desenvolvimento Sustentável do Semiárido” a ser firmado durante este evento de março.
Os compromissos abrangem iniciativas de fortalecimento das ações e das instituições responsáveis pela alavancagem e implementação do Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos das Secas (PAN-Brasil) e dos Programas de Ação Estadual de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos das Secas nos Estados que integram o Semiárido Brasileiro (PAEs). Além disso, muitas outras ações vêm sendo desenvolvidas, sempre em parceria com instituições importantes e preocupadas com o desenvolvimento sustentável da região, a exemplo do Ministério do Meio Ambiente, das Universidades e da Embrapa.
Como o senhor avalia a atual situação do semiárido nordestino?
O Semiárido é uma região de grandes potencialidades, e pode produzir, com vantagem comparativa, diversas plantas e animais, nativos ou adaptados às condições locais, dentre os quais podem ser citadas frutas como o umbu (Spondias tuberosa), o fruto da palma ou figo-da-índia (Opuntia fícus-indica) e o fruto do mandacaru (Cereus jamacaru) e matéria-prima para fibras, como agave (Agave sisalana), já na produção zootécnica, sobressaem a criação de abelhas e a ovinocaprinocultura.
Sob condições de irrigação, é possível expandir consideravelmente um número de culturas de plantas adaptadas, como fica demonstrado com as plantações de frutas na região semiárida do vale do São Francisco. Entretanto, sem desprezar o processo de irrigação que pode ser usado, mas somente em zona diminuta do território do semiárido brasileiro, o INSA investe e acredita na potencialidade da Agricultura de Sequeiro, ou seja, aquela praticada com a adaptação de plantas e sistemas de plantio à escassez de água, fenômeno tão natural na nossa região. É essa nossa aposta para resolução dos problemas do agricultor nordestino, ou seja, ajudá-los a conviver com a seca, usando a menor quantidade de água possível para produzir.
Só que o uso dos recursos biogenéticos pela população local, geralmente, se dá de forma elementar, sem ser explorada toda a potencialidade econômica dos produtos e sem agregar valor, citando-se como exemplos os casos do umbu e da palma que podem ser usados na tecnologia de frutos e fabricação de cosméticos.
Muitos produtos são explorados simplesmente in natura, sem nenhuma incorporação de tecnologia, com desperdício de qualidades relevantes ao desenvolvimento de produtos agroindustriais, como nos casos da ameixa do mato, trapiazeiro, juazeiro, quixabeira e de frutos de cactáceas da região.
É muito rica, igualmente, a utilização de plantas da caatinga na farmacopeia regional, apesar de serem necessários mais estudos de diagnósticos dessas potencialidades, porém muito pouco tem sido realizado em termos de aproveitamento dessas ervas em essências, cosméticos, óleos, corantes e pigmentos, floculantes e solventes.
A agroindústria do Nordeste tem se expandido e apresentado maior integração com as cadeias produtivas do setor rural. Contudo, verificou-se que o fortalecimento desse segmento depende, dentre outros aspectos, do fornecimento de insumos e matérias-primas com qualidade e regularidade; estabelecimento, disseminação e fiscalização de controles de qualidade e de normas e padrões sanitários e agroindustriais; profissionalização de administradores e gerentes nas áreas administrativas e de agronegócios; qualificação da mão-de-obra; provimento de assistência técnica para pequenos empreendimentos; regulamentação da concorrência empresarial; conscientização e educação de consumidores sobre a qualidade e certificação dos produtos agroindustriais; e finalmente da elevação do nível de renda da população. Podemos citar ainda os produtos oriundos da pecuária (queijos, manteigas e carne de sol).
Todos esses nichos econômicos podem ser melhores desenvolvidos em proveito da população do semiárido.
De que forma o INSA pode ajudar a promover o desenvolvimento sustentável do semiárido?
O marco desse Instituto é sua missão de ter soluções interinstitucionais para os desafios de pesquisa, formação, difusão e políticas públicas para as questões do Semiárido Brasileiro. Mas isso precisa ser feito a partir de uma visão que reconheça as potencialidades da nossa região, para gerar riqueza por meio delas. Precisamos quebrar o paradigma da miséria e adotar o paradigma das oportunidades.
Nesse sentido, por exemplo, o Instituto incentiva novas alternativas de exploração do potencial agroindustrial com agregação de valor, como é o caso da carnaubeira, do umbu, da palma e de tantas outras culturas. Além disso, estimulamos o estudo, a geração de tecnologias e a exploração do potencial dos setores da pecuária, recursos naturais, turismo rural, recursos minerais, dentre outros.
Quais os avanços obtidos pela instituição nos últimos anos?
Embora o INSA seja uma das mais recentes unidades de pesquisa do MCT (Ministério de Ciência e Tecnologia) inúmeros foram os avanços alcançados nos últimos anos, dentre os quais se destacam a construção de sede própria em Campina Grande (PB) e contratação de novos servidores públicos e pessoal terceirizado, estabelecendo um quadro de profissionais qualificados.
Vários projetos foram desenvolvidos em conjunto com nossos parceiros, objetivando melhoras para a população do semiárido, como por exemplo, a formação de redes temáticas (Rede de Desertificação, Agroindústria, Educação Contextualizada), Dia de Campo com Agricultores e Criadores da região e, ainda, qualificação para o preparo e manuseio da Manta Caprina.
Além disso, houve o preparo e implementação do nosso PDU (Plano Diretor) 2008-2011.
Como são as parcerias do Instituto com as universidades e outras instituições de ensino do Nordeste?
Uma das ações do INSA é a articulação, mas infelizmente não é uma prática comum em nosso País a articulação interinstitucional. Temos consciência da dificuldade em unir esforços, mas isso não é impossível e temos conseguidos muitos êxitos.
Na missão do INSA consta dentre suas ações a de articulação. Esta é primordial quando pensamos na necessidade de promoção do desenvolvimento regional. Esta é uma das metas em que mais temos avançado, a exemplo da formação de redes temáticas como as de Desertificação, Educação Contextualizada, Fitofármacos e Agroindústria. Temos por meio do CNPq contribuído no financiamento de pesquisa, a exemplo do último Edital Universal. Também, temos trabalhado em conjunto com a Finep o programa Entidades Associados.
Qual o orçamento do INSA para este ano? O volume de recursos é suficiente para atender as demandas do Instituto?
Além do montante estabelecido na LOA (Lei Orçamentária Anual) de 2010 para as despesas materiais e pesquisas do Instituto há os recursos oriundos dos convênios firmados entre o INSA e outras instituições. Os valores podem ser conferidos no site do MCT (Ministério de Ciência e Tecnologia) e no Portal Transparência Brasil.
O volume de recursos configura um esforço do Governo em encontrar soluções orçamentárias para a realidade das necessidades de cada unidade de pesquisa científica e inovação tecnológica do Ministério, que no seu papel institucional e com muita responsabilidade dispensa ano após ano maiores atenções às crescentes necessidades financeiras de suas unidades de pesquisa.
Quais os desafios do INSA para 2010?
Há muitas conquistas a serem contabilizadas, o que evidentemente não retira a preocupação do Instituto com suas metas futuras. A nova sede do INSA em Campina Grande (PB) está para ser concluída e entregue, tendo em vista que o Instituto funciona em local provisório. Novos servidores foram contratados, incluindo tecnologistas, e pessoal de caráter técnico e administrativo.
Tudo contribui para nosso crescimento e maior participação na resolução dos problemas do semiárido nordestino junto aos nossos parceiros.
Sem dúvidas, 2010 está sendo um ano de maior empenho para o cumprimento do nosso PDU (Plano Diretor 2008-2011), e quem quiser conhecer com maior profundidade os detalhes poderá acessar a página do INSA – www.insa.gov.br – e conferir todos os dados na versão on-line disponibilizada no endereço eletrônico citado.
Ressalta-se ainda que já está sendo elaborado o novo Plano Diretor para o triênio 2011-2014.