Queda de maio é a quarta consecutiva, indicando que o setor opera com níveis de estoque acima do desejado
A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) na indústria brasileira caiu para 80,7 por cento em maio, contra 81,0 por cento por cento em abril, atingindo o pior patamar desde setembro de 2009, quando ficou em 80,6 por cento, informou a Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quinta-feira, conforme dados dessazonalizados. Em maio do ano passado, a UCI -considerada um indicador de potenciais pressões inflacionárias- estava em 82,5 por cento.
A queda de maio é a quarta consecutiva, indicando que o setor opera com níveis de estoque acima do desejado por conta, entre outros, pela atividade econômica fraca. A variável de faturamento real compilada pelos Indicadores Industriais da CNI caiu 0,4 por cento em maio sobre abril, para 124,9 pontos, o pior nível o desde fevereiro quando estava em 123,7 pontos. As horas trabalhadas na produção recuaram 1,4 por cento, para 106,6 pontos, informo ainda a CNI.
O indicador de emprego ficou na contramão da tendência teve uma leve alta de 0,1 por cento, para 112,5 pontos. Todos os dados são dessazonalizados. Por meio de nota, a CNI argumentou que a "atividade industrial brasileira encontra-se cada vez mais fraca".
O desempenho do setor industrial tem impedido a retomada mais vigorosa do crescimento econômico, afetado pela crise internacional. Em maio, a produção industrial registrou o terceiro mês consecutivo de retração, ao cair 0,9 por cento frente a abril, pior do que o esperado pelo mercado. Na comparação com maio de 2011, a produção diminuiu 4,3 por cento.
O governo tem lançado mão de uma série de medidas para tentar reativar a indústria. Reduziu impostos para consumo, ampliou programa de compras governamentais e até liberou compulsório de bancos -parcela dos recursos depositados nas instituições financeiras que fica presa no Banco Central.
Por isso, o governo tem insistido que os resultados do segundo semestre da economia e da indústria serão melhores. Na quarta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a indústria tem sido mais afetada pela a atual crise mundial. Segundo ele, apesar do dado de maio, a produção industrial em junho não "será ruim".
Da Reuters