De acordo com o orgão do Banco do Nordeste cenário mundial é favorável
Segundo análise realizada pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), órgão do Banco do Nordeste, o cenário mundial é favorável à produção de açúcar, o que vem a ser uma oportunidade para a inserção dos produtores nordestinos no mercado internacional.
De autoria da pesquisadora Maria de Fátima Vidal, o estudo aponta que, após longo período de preços deprimidos (1982 a 2007), o açúcar apresentou nos últimos anos vertiginosa valorização no mercado externo, fato relacionado à quebra de safra nos principais países produtores. No total, foram 9,5 milhões de toneladas de açúcar a menos no mercado mundial. A oferta reduzida culminou com redução expressiva nos estoques mundiais e provocou uma valorização média do açúcar nos anos subsequentes, refletindo positivamente nos preços internos.
A alta cotação do açúcar no mercado internacional levou ao crescimento acentuado das exportações brasileiras do produto. No Nordeste, as exportações em 2008 apresentaram crescimento de (48,7%), com faturamento de US$ 948,0 milhões. Em 2010 e 2011, o volume das exportações de açúcar da Região ficou estável; porém, o valor nesse mesmo período teve incremento de 40,6% e 34,5%, respectivamente, por conta da valorização do açúcar no mercado internacional.
A produção brasileira e nordestina de açúcar possui vantagens em relação a outros grandes produtores mundiais, dentre as quais podem ser destacadas: disponibilidade de tecnologias modernas para produção e processamento; custo de produção inferior aos obtidos pelos principais produtores; autossuficiência na geração de energia gerada pela queima do bagaço de cana-de-açúcar e relativa flexibilidade das agroindústrias de produzir maior percentual de açúcar ou álcool, de acordo com as condições de mercado, pois grande número de usinas no Brasil possui destilaria anexa.
Estimativas
Para a safra 2012/13, estima-se um crescimento de 2,38% da área colhida de cana-de-açúcar no País, totalizando 8,6 milhões de hectares, o que assegura ao Brasil o título de principal produtor mundial de cana-de-açúcar. No entanto, para o Nordeste, espera-se uma redução de 2,1% da área colhida devido às condições climáticas adversas, uma vez que a Região passa por um período de forte estiagem.
Pernambuco e Alagoas, principais produtores de cana-de-açúcar, deverão apresentar queda da área de 8,5% e 1,2%, respectivamente. Na ultima safra, o Nordeste foi responsável por 13% da produção brasileira de açúcar totalizando cerca de 5,1 milhões de toneladas. Como sugestão para diminuir a vulnerabilidade dos produtores à ocorrência dos períodos críticos de estiagens na Região, que na verdade são cíclicos, o trabalho recomenda a construção de reservatórios d’água e a adoção de irrigação de salvação.