Simpósios realizados durante a VII Feira Nacional do Camarão discutem o futuro e a realidade da aquicultura
Com o foco no processo da responsabilidade social e ambiental, a situação atual do cultivo do camarão em cativeiro no mundo, os avanços nas técnicas de produção e a importância do cultivo da tilápia foram os assuntos mais debatidos no VII Simpósio Internacional de Carcinicultura e no IV Simpósio Internacional de Aquicultura, que acontecem durante a Feira Nacional do Camarão (Fenacam), até esta quinta-feira (10).
Entre todos os debates, a palestra “Cultivo da Tilápia no Brasil”, proferida por Sérgio Zimmermann, um dos maiores estudiosos de aquicultura do Brasil, foi de importante reflexão e faz acordar produtores de camarão do Rio Grande do Norte, quanto ao chamado policultivo, que é a união da produção de camarão ao da tilápia, peixe de fácil procriação.
“A produção da tilápia no Brasil é uma das maiores do mundo, quando no Ceará e no Rio Grande do Norte foram produzidas 20 mil toneladas apenas no ano de 2009”, disse Zimmermann. Segundo o estudioso, o mercado da tilápia é promissor por não conhecer crises, como aconteceu com o camarão em 2007. “O cultivo da tilápia é imprescindível para o avanço econômico do País e os estados que estiverem prontos para isso poderão melhorar suas estatísticas sociais e econômicas”, aponta.
Segundo Zimmermann, o Brasil poderá alcançar em 2011 produção de 202 mil toneladas de tilápias. De acordo com ele, o maior desafio é a abertura de diálogos entre os produtores. “Precisamos criar uma associação, abrir debates como estamos fazendo hoje na Fenacam e também atentar para a importância do cultivo da tilápia que gera no Brasil aproximadamente 90 mil empregos diretos e indiretos”.
George Chamberlain, presidente da Aliança Global de Aquicultura dos Estados Unidos – um dos maiores especialistas mundiais na área de carcinicultura – trouxe informações importantes sobre o cultivo de camarão e peixes em todo o planeta. Para ele, o Brasil está experimentando importante desenvolvimento na área e reflexões e estudos precisam estar presentes na relação quanto à segurança dos alimentos, do meio ambiente e também social.
Na visão do presidente da Feira, Itamar Rocha, os simpósios servem como pontes de diálogos entre os empresários de todo o mundo, com ênfase também na produção local que hoje conta com 560 produtores em todo o Estado. “A VII edição da Fenacam mostra o quanto o setor aquícola tem se fortalecido. Hoje o pensamento é macro, diferente do passado, quando os consumidores e produtores não tinham muita noção do processo do alimento. Essa feira é um reflexo deste aprofundamento na área, quando participam além dos produtores de grande porte, estudantes da rede que irradiam a tecnologia para diferentes lugares”, ressaltou Itamar.
Prova dessa preocupação da expansão do conhecimento é a parceria que a Fenacam está firmando. No próximo ano, a Feira acontecerá paralelamente ao maior evento de carcinicultura do mundo, a WAS 2011 - World Aquaculture Society em Natal, trazendo palestrantes e produtores de vários países.