Ampliação do leque de alternativas aos combustíveis fósseis tem sido buscada por países do mundo todo. Brasil permanece na vanguarda há 35 anos
A cana-de-açúcar é considerada uma das atividades mais rentáveis da economia brasileira nos últimos anos, embora seja explorada no Brasil desde o século 16, vinda da Ásia. O setor colocou o País na vanguarda mundial da agroenergia, com a produção de etanol, e está intrinsecamente ligado à própria história brasileira.
Desde 2005, a Secretaria de Produção e Agroenergia do Mapa, cujo Departamento de Cana-de-Açúcar e Agroenergia (DCAA) tem como atribuição não apenas manter a interlocução com o setor privado por meio da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool, mas também monitorar o abastecimento de álcool combustível (etanol) e a produção das usinas.
O departamento ainda promove os biocombustíveis no exterior e é responsável pelas políticas de expansão e sustentabilidade da agroenergia por meio do Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar (ZAECana). Segundo o diretor do DCAA, Alexandre Strapasson, o órgão é responsável pelas políticas de financiamento de estoques de etanol e apoio aos fornecedores de cana.
Pioneirismo
A ampliação do leque de alternativas aos combustíveis fósseis tem sido buscada por países do mundo todo. O Brasil, porém, permanece na vanguarda há 35 anos. Foi em 1975 que o governo brasileiro criou o Pró-Álcool, dando maior impulso à cultura da cana. A partir de então, começou a trilhar um caminho de liderança mundial na produção de cana-de-açúcar e no desenvolvimento de novas tecnologias para o setor sucroenergético.
“Além de elemento agrícola essencial na formação do Brasil, a cana-de-açúcar faz parte da vida do brasileiro. É uma cultura fantástica. Dela se obtém álcool combustível (etanol), açúcar, cachaça, rapadura, energia elétrica até plásticos, além de diversos produtos químicos”, ressalta o diretor.
Em 2008, o setor sucroenergético empregou 1,28 milhão de pessoas com carteira assinada, 2,15% do total de postos de trabalho no Brasil. A maior parte dos empregos foi gerada pelo cultivo da cana (481 mil funcionários).
A produção de cana-de-açúcar prevista para a safra 2010/2011, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), é de 664 milhões de toneladas, em 8,1 milhões de hectares, recorde na história da cultura.
Atualmente, o estado de São Paulo tem a maior área plantada de cana, com 4,4 milhões de hectares, seguido por Minas Gerais, 648 mil hectares; Paraná, 608 mil hectares; Goiás, 601 mil hectares e Alagoas, 464 mil hectares. “A área total de cana plantada no Brasil ocupa apenas 0,95% do território nacional”, diz o diretor do ministério.
Pesquisa
A expectativa do governo é de aumentar ainda mais a produtividade. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, aposta em projetos de cana-de-açúcar transgênica há três anos. Algumas das características genéticas, a serem incorporadas à planta, visam principalmente atender às demandas do cultivo na Região Nordeste. “As variedades em desenvolvimento buscam mais tolerância à seca e maior resistência à broca gigante (principal praga na região), o que garantirá maior produtividade”, ressalta Strapasson. O investimento em estudos chega a R$ 10 milhões ao ano.
Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) indica que o Produto Interno Bruto (PIB) do setor sucroenergético gira em torno de US$ 28,15 bilhões, incluindo as exportações de quase US$ 8 bilhões e vendas ao mercado interno de US$ 20,2 bilhões. Porém, considerando movimentação financeira, ou seja, a soma das vendas efetuadas pela cadeia produtiva, o valor alcança US$ 86,8 bilhões. Os fornecedores individuais de cana no País já somam 70 mil, responsáveis pela receita superior a US$ 5 bilhões.
Fonte: Ministério da Agricultura