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Sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

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CENÁRIO: A teoria da conspiração espanhola e a economia

Escrito por Ana Cristina Cavalcante
Lunes 12 de Julio de 2010 17:06
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Espanha está mesmo vivendo dias difíceis de crise econômica. E a festa de campeã do mundo é própria de quem precisava muito de uma alegria desse tamanho

 

 

espanha_reutersA cada Copa do Mundo de Futebol, várias teses acabam surgindo para explicar o sucesso ou o fracasso das seleções que participam do torneio. Desde a ingerência de patrocinadores até o suporte que a conquista do campeonato empresta a governos pouco ou nada populares. Os dois exemplos fazem referência ao Brasil. O primeiro, em 1998, quando a especulação girava em torno da exigência de marca de material esportivo de o centroavante do time, Ronaldo, entrar em campo, mesmo sem condições físicas ou emocionais. O segundo remete à Copa de 1970. O Brasil campeão, aparentemente, deu novo fôlego ao governo ditatorial do general Emílio Garrastazu Médici.


Mas a estrela deste Cenário é a Espanha, a nova campeã mundial de futebol. E não se trata de um enfoque político – sabidamente praticado pela Fifa, uma espécie de ONU do futebol. É uma questão de economia, como atesta o DNA desta Coluna. Senão vejamos, caros leitores-internautas: um dos comentários mais frequentes ouvidos nas rodas que se formavam para assistir aos jogos era o de que, agora em 2010, teríamos uma final europeia. E a justificativa estava menos no bom desempenho dos times holandês e espanhol e mais no rescaldo da crise que assola o Velho Continente.
 

A hipótese correu o mundo “provando” por A+B que uma vitória na África do Sul daria novo ânimo aos europeus, deprimidos pelo ritmo lento de seus mercados e encurralados pelo fosso dos enormes déficits fiscais. É um típico caso de teoria da conspiração, tão usual, especialmente, em épocas de Copa. Faz parte do show.  Desta vez, a motivação puramente macroeconômica até que deu verossimilhança ao “plano secreto”. Afinal, a campeã Espanha está mesmo vivendo dias difíceis de crise econômica. E a festa que o povo do país ibérico faz desde domingo é própria de quem precisava muito de uma alegria desse tamanho. Coincidência ou não, o governo social-democrata de Jose Luis Zapatero anunciou, nesta segunda-feira, redução no desemprego de seu país.


Por falar em Copa
O encerramento da festa do futebol na África do Sul foi o pontapé inicial – literalmente! – da Copa do Mundo de 2014 que está sob responsabilidade brasileira. O “See you in Brazil”, estampado nos telões enquanto os espanhóis comemoravam seu título, foi o rito de passagem para o início da nossa Copa. É preciso correr. Há muito a ser feito e a cobrança sobre um pentacampeão de futebol e país líder entre os emergentes será muito maior.


>> Mas, nesse momento de transição, vale ressaltar que a realização de um megaevento como este deixa um legado muito maior do que estádios lindos e infraestrutura hoteleira e de transporte. Vejam o caso da África do Sul: ficam os equipamentos construídos exclusivamente para o torneio da Fifa, sim. Mas ficam, também, os reflexos da visibilidade que tiveram as cidades que sediaram as partidas (e, de forma indireta, todo o país). Certamente, o turismo sul-africano será alavancado neste pós-Copa. Isto sem mencionar os ganhos incalculáveis, e de mão-dupla, do intercâmbio cultural e social que assistimos neste mês de Copa. Não há dúvida: fazer Copa é bom para a economia.
 

ECONOMIA REAL


PIB do Nordeste
O Nordeste continua dando provas de que sua economia vai bem. Estudo do Etene-BNB traz a prova numérica da sensação que todos temos a respeito do avanço regional. Está projetado, para 2010, crescimento de 7,5% do PIB nordestino. Só a indústria deve registrar evolução de 20,5%. Destaque também para a expansão do crédito que, por sua vez, puxou para cima o desempenho do comércio do Nordeste.
>> As boas notícias não devem, contudo, servir de cortina de fumaça para o grande abismo que ainda persiste entre o Nordeste e Sul e Sudeste. É bom lembrar, também, que o crescimento fantástico que a região vem registrando é, em parte, resultado das imensas demandas reprimidas por anos e anos sem acesso ao consumo por parcela expressiva da nossa população. Os números são bons, mas precisam avançar e por muito tempo. Ainda há muita diferença para ser tirada. Afinal, a desigualdade regional é uma chaga crônica do desenvolvimento do País. E o povo do Nordeste é um dos maiores atingidos por esse processo injusto e absolutamente injustificável.


R$ 20 milhões no asfalto
Os treinos e corridas do GP Bahia de Stock Car, que serão realizados de 13 a 15 de agosto, nas ruas do Centro Administrativo da Bahia, devem injetar R$ 20 milhões na capital baiana. A estimativa otimista é da Vicar, empresa que organiza o evento. Para o secretário de Turismo da Bahia, Antonio Carlos Tramm, os setores que devem se beneficiar da prova são: hotelaria, bares, restaurantes e shoppings centers. “Além disso, cerca de 3 mil postos de trabalho temporários serão gerados por causa da corrida”, calcula. Esta será a segunda vez que Salvador receberá uma corrida da Stock. A primeira foi no ano passado.


TUDO É ECONOMIApolvo_afp
Como já era esperado, o passe do polvo Paul ficou supervalorizado, depois dos palpites certeiros que deu sobre os jogos da Copa. A prova disso foi dada por empresários do conselho da cidade espanhola de O Carballiño. Eles ofereceram 30 mil euros para comprar Paul. Os empresários querem que o povo seja símbolo da região e promova a festa do polvo que acontece na cidade.


 

 

 

 

 

PENSAMENTO ECONÔMICO
O Pensamento Econômico de hoje traz cinco “boas” razões para ser economista.
1. Economistas são armados e perigosos: "Cuidado com nossas mãos invisíveis!"
2. Mick Jagger e Arnold Schwarzenegger estudaram Economia e veja o que se tornaram.
3. Quando você está na fila de desempregados, ao menos sabe porque está lá.
4. Embora a ética ensine que a virtude tem sua própria recompensa, na Economia, nós aprendemos que a recompensa tem sua própria virtude.
5. Quando você está bêbado, pode falar para todo mundo que está apenas pesquisando a lei da utilidade marginal decrescente.

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