O superintendente do Centro Internacional de Negócios da Fiec fala sobre os negócios do Ceará com a China
A diversificação do mercado chinês tem criado condições favoráreis de negócios para o Ceará. Outra novidade é a compra de equipamentos para indústrias do Estado, elevando dessa forma a modernização dos processos produtivos e a qualidade de diversos itens. Os empresários cearenses foram ver de perto todas as oportunidades advindas dessa integração com a China em missão ao país. A viagem, que começou na sexta-feira (9), deve terminar dia 20 de abril. A missão é uma iniciativa do Sindicato das Indústrias Químicas, Farmacêuticas e da Destilação e Refinação de Petróleo no Ceará (Sindquímica) em parceria com a Fiec por meio do entro Internacional de Negócios (CIN), responsável pela organização da comitiva.
InvestNordeste - Qual é a importância da China, hoje, para a economia do Ceará?
Eduardo Bezerra - A China é hoje o sétimo destino das exportações cearenses e o primeiro país de origem das importações. Todavia, a importância não está restrita à movimentação de produtos. A compra de equipamentos para as indústrias do Estado tem permitido modernizar os processos produtivos e elevar a qualidade de diversos itens, vendidos no mercado interno ou reexportados.
Qual é a participação do país na balança comercial cearense?
Números nem sempre são os melhores indicadores de uma relação que se inicia. O comércio com os Estados Unidos, por exemplo, que vem desde a Segunda Guerra Mundial, não pode ser posto no mesmo plano de comparação com uma relação que tem menos de dez anos, como é o caso da China. O ponto relevante é o ritmo de crescimento. Observe-se que a China já é o maior exportador para o Ceará. Em breve o Ceará estará também em ascenção nas vendas para a China.
Quais setores industriais têm interesses em exportar ou importar da China?
A China é o país da mais diversificada pauta de exportações e importações. A prudência aconselha que em lugar de partir para o mercado chinês sem reservas, estabelecer uma lista de prioridades é o mais aconselhável. O setor cearense da construção civil já está com suas relações bem assentadas. Têxteis e confecções, embora concorrentes com o Estado, oferece alguns nichos de complementaridade. Agora é a vez da indústria química, em especial cosméticos. Rochas ornamentais e couros são dois outros setores a merecer uma prospecção mais minudente. Não se pode esperar que tudo dê certo. O importante é interagir sempre, mantendo a atenção voltada para as novas oportunidades que surgem.
A China tem algum interesse comercial no Ceará? Ou seja, temos algum produto que interesse a este país?
A diversificação do mercado chinês é tão grande que não há condições para antecipar nada. As oportunidades têm de ser pesquisadas. E neste particular, a Internet só vale para agendar contatos. É próprio da cultura chinesa conhecer os empresários com os quais realizam negócios. Também faz parte da cultura chinesa não se precipitar no curto prazo. As relações têm de ser construídas e fortalecidas. Por conseguinte, pensar no médio e no longo prazos apresenta-se mais importante do que a parte menor que poderá ser viabilizada no curto prazo.
Qual é a importância da participação de industriais cearenses na Canton Fair?
O Ceará estará participando da Canton Fair pela quarta vez em 2010. Isto pouco significa em uma feira que é mais do que centenária. E não apenas isso. Ela se realiza ao longo do ano inteiro, sucedendo grupos de setores econômicos afins. O setor químico está na Canton Fair agora no mês de abril; o setor de equipamentos e da construção civil estará na mesma Feira em outubro. Se mais setores entrarem, o período do ano terá de ser ajustado para o que estará sendo vendido e comprado em cada segmento da Feira.
O paradigma de que os produtos chineses não têm qualidade ainda persiste? Ou já é coisa do passado? Houve evolução nesta patamar de qualidade?
A questão da qualidade é função do preço, ou o inverso: o preço determina a qualidade. Se o importador desejar um equipamento ou um produto com qualidade de ponta, terá de pagar pelo que deseja. Se a meta é fazer economia e desejar pagar preço baixo, terá baixa qualidade. O empresário chinês não perde dinheiro. Ele oferece seu produto com os parâmetros que o comprador deseja. Conhece em detalhe e formação do seu preço. Compete ao comprador externo saber negociar o que deseja, ao preço que pode pagar. O que for negociado é o que ele terá.
A CIN tem alguma estratégia com foco na China?
Sem dúvida. O mercado chinês não pode ser ignorado. Porém, o fundamental é agir com cautela. A Fiec, atavés do CIN, avançará no mercado chinês com prudência. A China não é em espaço geográfico para a prática de ousadias. É um excelente terreno para o exercício da cautela, prudência, ou parâmetros semelhantes. Isto, entretanto, não se confunde com inércia. A proatividade é viável.