Conhecida pela facilidade com que troca de nome, a atual capital paraibana começou a existir em 1585, como Povoação de Nossa Senhora das Neves. Logo depois, num sinal de progresso, ganharia o prestígio de cidade, sem conseguir melhorar de santa. Em 1600, viria a ser Filipeia; em 1817, Parahyba; em 1930, João Pessoa.
– Terminou?
Não. O atual nome homenageia um político de mérito e importância discutíveis. João Pessoa apoiara Getúlio Vargas nas eleições presidenciais de março, sendo assassinado em julho de 1930. Sua morte violenta causou grande comoção, detonando o movimento que pôs fim à República Velha. O infortúnio e suas conseqüências imediatas, contudo, não bastariam para fazer dele a capital do Estado.
Em função disso, desde, pelo menos, 2003, alguns paraibanos tentam mudar o nome de sua capital. Uma enquete via internet, em curso, já teve 501 respondentes, dois terços deles favoráveis à mudança. A pergunta e os percentuais das respostas são os seguintes:
Generalizando...
Sem que fosse sua intenção, os paraibanos deram um bom exemplo a muitos outros brasileiros. Não deveriam os cariocas iniciar um movimento para tirar o nome Antonio Carlos Jobim do seu aeroporto internacional? Afinal, depois de passar uma vida criando músicas para nosso deleite, o grande compositor é diariamente enxovalhado pelos jornais: “Chileno acusado de furtar passageiros é preso no aeroporto Tom Jobim” (O Dia, 22/11/11); “Caixa realiza leilão de duas mil peças apreendidas no aeroporto Tom Jobim” (Monitor Mercantil Digital, 22/11/11). Etc., etc.
E os pernambucanos? No Recife, havia, a “estrada da Imbiribeira”, que alguém, no tempo dos militares, achou por bem renomear “avenida Marechal Mascarenhas de Morais”. A intenção de bajular produziu resultado desastroso: o homem tornou-se um grande congestionamento cheio de buracos. Se antes era desconhecido, passou a ser odiado. O “Beco da Facada”, de todos familiar, virou “rua Guimarães Peixoto”. Nem o Google nos leva lá. Mais recentemente, batizaram um túnel “Augusto Lucena”. Uma impropriedade. Muito melhor teria sido associar seu nome a um mictório público, que o velho prefeito tanto quis construir e jamais conseguiu.
Nesse clima, leio, hoje, a seguinte notícia: “A presidenta Dilma Rousseff destacou a retomada de produção da indústria naval, com a construção do navio Celso Furtado. Ela esteve no Estaleiro Mauá, para fazer a entrega da embarcação”. (Agência Brasil).
Por um momento, na imaginação, voltei à Paraíba, terra onde Celso Furtado nasceu. Foi um grande economista, mas, como navio, sei não...
Gustavo Maia Gomes é Ph. D em Economia (University of Illinois, USA, 1985); Visiting Scholar (Cambridge University, England, 1987/88), Diretor do Ipea (Brasília, 1995-2003); Professor de economia da Universidade Federal de Pernambuco (1976-2009), Secretário de Planejamento de Pernambuco (1991), autor de livros e artigos; economista e escritor.
*Artigo originalmente publicado no site Econometrix (www.econometrix.com.br)
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