Apesar do potencial, cadeia produtiva de minérios enfrenta desafios, sobretudo na parte de infraestrutura logística, para se desenvolver
Ouro, ferro, gemas, xelita, tungstênio, mica, columbita, feldspato, quartzo e cal. Toda essa abundância de materiais faz do Rio Grande do Norte o sexto maior produtor de minerais do País e um dos que possuem grande número de pequenos negócios envolvidos na extração.
São mais de cinco mil pequenos mineradores que exploram esse setor, capaz de gerar em exportações mais de US$ 70 milhões por ano no Estado, segundo dados do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), órgão do Ministério das Minas e Energia. Apesar do potencial, a cadeia produtiva de minérios enfrenta desafios, sobretudo na parte de infraestrutura logística, para se desenvolver.
Os entraves e possíveis soluções foram discutidas em audiência pública nesta sexta-feira (2), na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, e reuniu os principais representantes do setor. Entre eles, o diretor do DNPM, Sérgio Dâmaso, o ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves, e o diretor superintendente do Sebrae no Rio Grande do Norte, José Ferreira de Melo Neto.
"Cada emprego direto numa mina gera quase outros dez indiretos. Só no Rio Grande do Norte, o alto desempenho das exportações teve um importante papel da mineração, especialmente granito e tungstênio", argumenta Sérgio Dâmaso, que informa existir em andamento dez mil novos empreendimentos em mineração no país. Todos em fase de instrução processual, dependendo de licenciamentos ambientais.
APL Pegmatitos
A regulamentação das áreas exploradas é um dos focos do Arranjo Produtivo Local (APL) de Pegmatitos do Sebrae no Rio Grande do Norte, que atua nas regiões Agreste e Seridó. O intuito do projeto é legalizar as áreas e ajudar os pequenos mineradores a conseguirem as licenças ambientais para atividade. O APL encerra neste ano com cinco cooperativas organizadas, agregando 250 mineradores cooperados. “É importante potencializar a mineração do RN. Temos mais de cinco mil pequenos mineradores no Seridó e região Central. Com a organização em cooperativas e a capacitação desse pessoal, podemos transformar a atual realidade”, afirma José Ferreira.
Na avaliação do gestor do APL Pegmatitos, Sheyson Medeiros, o maior desafio para os mineradores de pequeno porte é a falta de investimentos em tecnologia. "Trabalhamos com mineradores que têm baixa capacidade de investimento e nível de mecanização muito rudimentar, que, de certa forma, vai de encontro ao padrão da atividade mineral, que requer altos investimentos, retorno a longo prazo, mecanização intensa e altos custos de formalização".
Participam do arranjo produtivo a Cooperativa Mineral do Seridó (Coominas) em São Tomé, a Cooperativa dos Mineradores Potiguares (Unimina) em Currais Novos, Cooperativa Mineral do Seridó (Coopminas) em Parelhas, a Cooperativa dos trabalhadores em minério e agricultura de Equador (Cootmaes) e a Cooperativa dos mineradores da Serra do Poção (Coomsp), em Ouro Branco. Graças a uma articulação do Sebrae no Rio Grande do Norte para reunir os mineradores em associação e, posteriormente, em cooperativas, o faturamento dessas organizações aumentou e atualmente chega a quase R$ 1 milhão por ano.
Da Agência Sebrae de Notícias
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