Por Redação
Segunda, 16 de Novembro de 2009 17:21
Nordeste concentra 92,6% do total de caprinos do País, o que representa 9,5 milhões de cabeças
Líder nacional na produção de leite de cabra, a Paraíba oferece aos cerca de mil pequenos produtores do Estado um incentivo para a manutenção dessa posição. O Programa Leite, uma parceria entre os Governos Federal e Estadual, vai aumentar a partir deste mês a compra governamental dos atuais 14 mil litros/dia para 30 mil litros/dia.
Apesar de o Estado dispor apenas do sexto maior rebanho da Região Nordeste de caprinos, a Paraíba detém o maior volume de produção de leite de cabra do País, cerca de 20 mil litros/dia. Além das vendas ao Programa do Leite, os produtores produzem queijos, iogurtes e doces.
O produto vem despertando interesse também do mercado privado. De olho na produtividade paraibana, a fábrica Cabralac, do Rio de Janeiro, realizou, em outubro, a primeira compra de leite em pó. Foram vendidos nessa remessa mais de 12,7 mil litros, o que representa 1.425 quilos do leite de cabra em pó. Os produtores das cidades de Amparo, Umbuzeiro, Prata, Gurjão e Cabaceiras forneceram o leite para as usinas com qualidade comprovada pelo SIF do Ministério da Agricultura.
O aumento da cota governamental e a procura mais intensa do setor privado pelo produto vão ajudar a Paraíba a atingir a meta do Projeto Aprisco para 2012: produção de 60 mil litros/dia, o que representa um crescimento de 200%. O Aprisco articula o desenvolvimento sustentável e integrado da caprinovinocultura no Nordeste dos diversos segmentos. Além do leite e derivados, a gastronomia, o corte e as indústrias de curtume, calçados, assessórios e roupas.
A expansão do setor da caprinocultura leiteira nos próximos anos será um dos temas da quarta edição do Simpósio Internacional sobre Caprinos e Ovinos de Corte (Sincorte), que será aberto nesta segunda-feira (16), às 19h30, no Hotel Tambaú, em João Pessoa. O seminário, que se estende até 20 de novembro, vai reunir pesquisadores dos Estados Unidos, Portugal, Tunísia, Uruguai, Quênia, França, Espanha e África do Sul e dos diversos estados do Brasil. Eles vão debater as novidades científicas e tecnológicas do agronegócio da caprinovinocultura no Brasil e no mundo. As políticas públicas voltadas para o setor também serão consideradas.
Paralelamente ao Simpósio Internacional, serão realizados outros cinco eventos, entre eles o 2º Fórum Nacional sobre a Caprinocultura Leiteira e a Feira Nacional do Agronegócio da Caprinovinocultura de Corte (Fenacorte). Os eventos vão estreitar as relações entre os produtores, a indústrias e as instituições de pesquisa, além de estimular a troca de experiências e informações que possibilitem inovações e venham a contribuir com o desenvolvimento da cadeia produtiva.
Os números do segmento mostram o potencial econômico e a vocação regional da ovinocaprinocultura na Região Nordeste. Atualmente, o Nordeste concentra 92,6% do total de caprinos do País, o que representa 9,5 milhões de cabeças. No que diz respeito aos ovinos a participação da região é menor, mas ela também lidera com 58,4% das cabeças (9,1 milhões).
Para o gestor do projeto Aprisco Nordeste e diretor do Sebrae/PB Paraíba, Luiz Alberto Amorim, a implementação do projeto de desenvolvimento integrado de caprinovinocultura no Nordeste deverá produzir impactos mobilizadores, que vão ampliar a inserção dos produtos do setor no mercado local, regional e nacional. “Queremos que a estrutura da cadeia produtiva migre de um foco de economia de subsistência, fase atual, para uma economia sustentável e de produção em escala. O nosso maior desafio atual é organizar comercialmente o setor para esse salto, pois queremos vender o leite de cabra mais como alimento e menos como remédio”, apontou.