Por Redação
Segunda, 01 de Março de 2010 16:36
Estudos de mercado sobre a Economia da Música no Brasil foram discutidos nesse final de semana em Salvador
Segundo o pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Marcelo Matos, a economia da música representa 1% do PIB brasileiro. Dentro deste universo, o comércio digital da música passou de 0% em 2003 à 15% em 2007, fato que revela aumento gradual na participação da internet no mercado, apesar de esbarrar no pequeno alcance da conexão de internet banda larga no País.
Dentre os desafios apresentados pelos participantes do Seminário Economia da Música, realizado na sexta (26) e no sábado (27) em Salvador, no auditório da sede do Sebrae/BA, a pirataria e a dificuldade de remuneração dos profissionais são alguns dos entraves à formalização do setor. Mas, para Patrícia Mayana, analista da Unidade de Acesso à Mercados do Sebrae, o cenário independente apresenta um volume de negócios representativo no País: “Há mais de 400 micro e pequenas empresas no ramo musical que representam 80% da produção nacional e 25% do total de produtos vendidos”.
Para ela, o mercado está voltado para públicos segmentados e a internet torna-se uma importante aliada.“É preciso entender o consumo e os modelos de comercialização. Ampliar a visão dos músicos e dos empresários para além dos processos de pré-produção e produção de eventos”, diz.
De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Empresários Artísticos, KK Mamoni, é preciso definir novas formas de remuneração dos artistas e compositores. “Afinal, com o uso da internet, nunca se consumiu tanta música e nunca se pagou tão pouco pelo produto”.
Dentre os participantes do encontro, o maestro da Orkestra Rumpillez, Letieres Leite, acredita que um músico sempre tem dificuldade em perceber a sua arte como uma oportunidade de negócio. “Eu tenho 30 anos de experiência profissional, mas sempre quis entender e otimizar a minha relação com o produto musical”, afirma.
A Secretária de Cultura da Bahia pretende utilizar informações colhidas no seminário e definir uma metodologia de pesquisa para compreender a dinâmica da cadeia produtiva no Estado. A iniciativa pretende mapear os principais agentes do segmento e assim, definir novas políticas públicas de financiamento da Cultura na Bahia. Diante dessa proposta, KK Mamoni afirma: “O mapeamento pode aumentar o orçamento do Ministério da Cultura e os investimentos do governo voltados para a música”.