InvestNE - "O seu portal de investimento e informações do nordeste".

Pesquisar

Pesquisar


Tamanho da Fonte

Quinta-feira, 29 de julho de 2010

Hotnews

< Playback Play >

Tania Bacelar: 'Uma novidade no Nordeste é a mudança no perfil de suas principais lideranças políticas'

Segunda, 26 de Outubro de 2009 10:18

Professora da UFPE e sócia da Ceplan Consultoria, Tania Bacelar, diz que o Nordeste possui uma 'safra' de líderes com visão mais positiva das oportunidades para a região

 

 Em entrevista ao portal Invest Nordeste, Tania Bacelar, expõe as oportunidades e o desenvovimento regional por que passa a região. Segundo ela, a região tem atraído investimentos no setor siderúrgico, além da agroindústria ligada à produção de grãos, indo do oeste baiano em direção ao sul do Maranhão e Piauí. "O discurso do 'Nordeste coitadinho' perdeu força e isso tem ajudado para que agentes de fora da região a revisitem e descubram seu potencial", comenta. 
 
 InvestNE - Qual a importância do pré-sal para o Nordeste? De que forma podemos aproveitar a existência da camada em nosso benefício?
Tania Bacelar
- A exploração deste potencial de recursos que a natureza concedeu ao Brasil fará o País se tornar um player mundial importante no setor de petróleo e gás, no fim da era do petróleo. O Nordeste não detém tal recurso, mas pode se beneficiar desta oportunidade por duas vias, principalmente:
primeiro, recebendo parte dos recursos fiscais que advirão da exploração deste recurso natural, aplicando-os prioritariamente em Educação e Ciência, Tecnologia e Inovação, e combate à pobreza, uma vez que os indicadores regionais neste campo vão colocar o Nordeste na linha de frente das prioridades nacionais. Em segundo lugar, aproveitando que a região já dispõe de refinaria de petróleo na Bahia e vai abrigar novas plantas em Pernambuco, RN e Ceará, pode e deve trabalhar para atrair empresas produtoras de equipamentos e serviços da cadeia do petróleo, além da indústria naval (a região já atraiu vários estaleiros, quatro vindo para  Suape). O Brasil não vai querer exportar petróleo bruto nem vai virar mero comprador de equipamentos e serviços dos outros. Vai usar a exploração do pré-sal para ampliar sua base industrial e o Nordeste tem que estar atento a essa oportunidade. Pernambuco já se deu conta disso e desenvolve proposta do que chama “Suape Global” exatamente nessa direção. Um desafio especial é formar Recursos Humanos nesta área e estimular as empresas locais a se estruturarem para participar como fornecedoras desta cadeia  (o que liga a segunda via à primeira).


Que tipo de novos investimentos produtivos o Nordeste pode atrair?
O Nordeste está atraindo investimentos no setor siderúrgico (vários anúncios antes da crise estão voltando à agenda), o que é uma novidade. Este segmento, no século XX, se concentrou no Sudeste e Sul do País. Atraiu também, no sul da Bahia, a produção florestal para a indústria de papel e celulose. Por sua vez, a agroindústria ligada à produção de grãos vem subindo do oeste baiano na direção do sul do Maranhão e Piauí.
O Nordeste tem igualmente potencial para pelo menos dois dos cinco segmentos industriais estratégicos da política industrial nacional: o setor de fármacos (Pernambuco já atraiu a Novartis, a Hemobras) e o setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (temos polos instalados no Ceará, Paraíba, Pernambuco e Bahia). O crescimento do consumo na base da pirâmide social, mais intenso no Nordeste e Norte do País, nos anos recentes, têm atraído indústrias produtoras de bens de consumo não duráveis (alimentos, bebidas, confecções, calçados) e de consumo duráveis (geladeiras, fogões) para se ampliar ou instalar na região. Os investimentos na atividade turística também merecem referência e esse segmento tem nítido crescimento nos últimos anos e ainda pode crescer muito mais. Por sua vez, atividades consideradas tradicionais na região, como as dos setores de serviços (saúde e educação, sobretudo) além das indústrias têxtil, sucroalcooleira e de alimentos e bebidas, têm recebido novos investimentos.


O Nordeste tem sofrido com os impactos da crise mundial?
O adiamento de alguns investimentos (como os da siderurgia e mineração), as dificuldades de segmentos mais voltados à exportação (como a fruticultura) e a redução da receita pública de estados e municípios me parecem os mais importantes. Também na crise, o Nordeste seguiu o Brasil: saiu-se razoavelmente bem e os dados iniciais mostram que resistiu até melhor que outras regiões do País.

 

Qual o potencial da região no que diz respeito à atração de investimentos e novos negócios?
O Nordeste vem melhorando sua infraestrutura econômica, duplicando estradas (como a BR 101), modernizando seus aeroportos, além de dispor hoje de quatro grandes e modernos portos.
Confirmando seu potencial o Nordeste vem apresentando ritmo maior que média nacional na criação de novos empregos (39% x 36% entre 2003 e 2008). O emprego formal tem crescido mais no Nordeste do que no total do País. Por sua vez, o dinamismo do consumo na região vem se tornando um elemento importante para atrair novos investimentos. O Nordeste lidera, junto com o Norte, o crescimento das vendas no varejo do País desde 2003, como revela o gráfico a seguir apresentado. Mercado de consumo dinâmico atrai novos negócios. Uma novidade no Nordeste é a mudança no perfil de suas principais lideranças políticas: há uma nova “safra” de líderes com uma visão muito mais positiva das oportunidades que se abrem para o Nordeste. O discurso do 'Nordeste coitadinho' perdeu força e isso tem ajudado a que agentes de fora da região a revisitem e descubram seu potencial.


A senhora acredita que ainda somos a região considerada "problemática"? Por que?
Sim. O hiato acumulado no passado é tão grande que gerou um problema grave de desigualdade que marca o Nordeste (e o Norte) até hoje. A região tem 28% da população do País, mas só responde por 14% do PIB nacional, daí ter uma renda per capita próxima da metade da média nacional. E qualquer indicador social que se tome a desvantagem do Nordeste é evidente. A taxa média de analfabetismo do Brasil é 10%, mas a do Nordeste rural é de 33%. Os brasileiros têm, em média, 7,3 anos de estudo, mas o nordestino do meio rural tema apenas 3,7 anos, o que contrasta ainda mais quando se compara esse mesmo indicador para as áreas urbanas da região Sul (8 anos em média, de estudo). Preciso levantar mais problemas? Pois o semiárido do Nordeste tem 40% da população da região e só responde por 20% do PIB regional. E o tripé que sustentava sua base econômica há séculos ruiu com o fim do algodão. Montar uma base nova, capaz de conviver com a semiaridez e seus problemas é um desafio importante hoje.


Em que o Nordeste tem avançado para amenizar disparidades regionais? O que tem sido feito efetivamente?
O Nordeste se beneficiou das políticas de estímulo ao consumo de massa: transferências de renda para os mais pobres (o Nordeste capta mais de metade dos recursos da Previdência Rural e do Bolsa Família), aumento real significativo do salário mínimo (a região tem 28% da população total do País, mas guarda cerca de metade dos ocupados que ganham salário mínimo), democratização e ampliação do crédito, etc.
Por sua vez, a região tem merecido tratamento prioritário no PAC infraestrutura e isso é importante para atenuar históricas desigualdades. Dos cerca de R$ 500 bilhões a serem aplicados em todo o Brasil, o PAC destina R$ 80 bilhões ao Nordeste, aproximadamente 16% do total, o que torna a região a segunda mais beneficiada, após o Sudeste. Além disso, das 11 novas universidades públicas criadas nos anos recentes, quatro vieram para o Nordeste, que também se beneficiou da expansão das Escolas Técnicas Federais e Estaduais nos anos recentes. São políticas nacionais que têm tido impacto favorável no Nordeste e que ajudam a reduzir o hiato histórico acumulado em muitas décadas.  Alguns números ajudam a ver os avanços que merecem destaque: a renda real do trabalho vem crescendo acima da média nacional (15,5% x 6,8% entre 2003 e 2007); a região respondeu por 48% do total de pessoas que deixaram a linha da pobreza extrema (renda menor que 1/4 do salário mínimo) nos anos recentes (6,5 milhões de nordestinos dos 13,5 milhões de brasileiros que saíram dessa situação); o Nordeste quintuplica o volume de crédito à pessoa física entre 2004 a 2008, em desempenho acima da média nacional; o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) tem, no Nordeste, a maior elevação do País;  a região lidera o aumento da população atendida com esgoto nos últimos anos; o consumo de energia residencial do Nordeste passa pela primeira vez o do Sul.
 

Vale ainda destacar o incremento no valor das exportações regionais, mas, sobretudo a mudança na composição da pauta, com maior participação de produtos de valor agregado mais elevado. Os dados disponíveis revelam as mudanças estruturais ocorridas no perfil da produção industrial do Nordeste nos últimos anos, resultando no incremento da participação da exportação de produtos industrializados (automotivo, petroquímico, papel e celulose, siderúrgico, calçados e têxteis). Entre os produtos básicos, cresce o peso da soja, da fruticultura, entre outras.


A senhora acredita que a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) pode ser mais bem utilizada pelo governo? De que forma, então?
Penso que a Sudene quase não está sendo utilizada pelo Governo. As mudanças ocorridas não passaram por ela. Falta estruturá-la, dotá-la de meios e instrumentos. Ela, infelizmente, renasceu esvaziada. Nem os governadores do Nordeste a utilizam. Exemplo são as reuniões que fazem entre si, ao largo da instituição. A Sudene tentou montar um plano regional (hoje constante dos documentos integrantes da página do Ministério da Integração Nacional na internet), mas ele é só papel. Poucos o conhecem. Falta energia política e uma nova base técnica ao órgão.



Índice
Tania Bacelar: 'Uma novidade no Nordeste é a mudança no perfil de suas principais lideranças políticas'
Investimentos de destaque no Nordeste
Informações extras
Todas Páginas

Comentários (1)

Entrevista
1 Segunda, 26 de Outubro de 2009 19:14
Lucas Pessoa
Essa entrevista está muito boa. Realmente o Nordeste é uma região que tem crescido bastante nos últimos anos. A "coitadinha" merece um lugar privilegiado no investimentos do País.

Adicionar comentário

Seu apelido/nome:
seu email:
Seu estado: Seu website:
Assunto:
Comentário:

Notícias em Destaque

Últimas Notícias

Governo Central registra superávit primário de R$ 631,5 mi em junho

No primeiro semestre, houve superávit de R$ 24,8 bilhões, cerca de R$ 6,3 bilhões a mais que o registrado no mesmo período do ano passado

Unimed Fortaleza lança plano com foco no segmento empresarial

Uma das barreiras que a Unimed Fortaleza pretende quebrar é a da acessibilidade ao plano de saúde

Geração Y será quase metade da força mundial de trabalho

Pesquisa mostra que 20% dos jovens que trabalham em grandes empresas brasileiras já ocupam cargos de liderança

Fortaleza (CE) tem a menor taxa de desemprego do Nordeste

Capital cearense registrou taxa estável de 10,6%, enquanto Salvador (BA) apresentou 16,7% e Recife (PE), 17,6%

Medida Provisória amplia benefícios tributários para exportadores

No regime, quando uma empresa exporta produtos feitos com matéria-prima importada, tem direito de fazer uma segunda importação de insumos, desta vez com isenção de impostos

Vídeo


Rua Dr. José Lourenço, 870 - Salas 505 a 508 - Edifício Consorte
Aldeota - Fortaleza/CE
CEP: 60.115-280 - Fone / fax: (85) 3133.7760
Gestão Comercial (85) 3133.7770 (85) 8711.3827
Skype: invest.nordeste
msn: investne@hotmail.com

Fim da Página