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Quarta-feira, 10 de março de 2010

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Nordeste no foco das energias renováveis

Sexta, 26 de Junho de 2009 17:34

Armando Abreu, presidente de honra do Power Future 2009, aponta a importância do evento internacional para o setor de energias alternativas e renováveis

 

armando_abreuPORTAL INVESTNE - Qual a importância do Power Future para a consolidação do setor de energia renovável no Brasil, e especificamente, no Ceará?

ARMANDO ABREU - O Power Future 2009 acontece num momento muito propício e de aceitação e sensibilização da sociedade para as questões das mudanças climáticas. Por outro lado, estamos no meio de um leilão para compra de energia de fonte eólica, cujo cadastramento está previsto até 29 de junho e o leilão em si, para 25 de novembro.

Todos os principais players nacionais e internacionais, vão estar presentes, o que irá proporcionar várias discussões de debates, e principalmente o encaminhamento e fechamento de negócios. O fato de ele acontecer este ano em Fortaleza coloca novamente o Ceará no foco das energias renováveis no Brasil.

Por que a Power Future "é uma vitrine de grandes negócios"?

Considerando que o período para iniciar e encaminhar os negócios de compra de turbinas para o Leilão de Energia Eólica é agora, e atendendo a que todos os players vão estar presentes, investidores, fabricantes de turbinas eólicas, outros fornecedores de serviços e equipamentos, entidades governamentais federais, estaduais e municipais, universidades, institutos e outros, a hora de fazer “grandes negócios” é agora.

Qual o valor dos investimentos na área de energia renovável no Ceará atualmente?

Difícil de quantificar, mas considerando os parques eólicos em operação e em construção, que totalizam cerca de 550 MW, e os projetos em desenvolvimento teremos um investimento de cerca de R$ 2,5 bilhões a R$ 3 bilhões. Este valor é só para a energia eólica. Somando os outros investimentos em energia solar e energia das ondas, teremos um investimento global de cerca de R$ 4 bilhões, só no Ceará.

Ao que se atribui, além dos ventos existentes na costa cearense, o interesse de empresários estrangeiros em investir aqui?

Todo o trabalho de incentivo ao desenvolvimento econômico local, que os sucessivos governos estaduais estão fazendo, a proximidade da Europa e dos Estados Unidos e a existência do Porto do Pecém.

Nesse caso, o Governo do Ceará libera incentivos fiscais a quem investe em energia renovável no Estado?

No Ceará existe um programa de incentivo a energia eólica, chamado Pró-Eólica, que prevê vários tipos de incentivos.

A energia eólica é mesmo a alternativa mais viável para o Nordeste?
Tecnicamente e economicamente. A complementaridade perfeita, entre a sazonalidade da energia hídrica e a sazonalidade da energia eólica, é de tal forma, que a implementação de alguns milhares de MW, de energia eólica no Nordeste, para além de poupar vários milhões de metros cúbicos de água do Rio São Francisco e do Rio Tocantins, vai permitir ao sistema elétrico nacional poupar vários milhões de metros cúbicos de gás, de toneladas de carvão, de óleo pesado e de diesel, o que vai significar várias centenas, senão mesmo milhares de milhões de reais a mais, nas contas públicas.

Quais as novas tecnologias do setor que já permitem um uso efetivo?

A indústria eólica é uma indústria em constante evolução, todos os anos são apresentadas novas máquinas e turbinas, mais eficientes, o que permite um melhor aproveitamento do potencial eólico do Brasil.

Quais as vantagens reais em investir em usinas eólicas?

Para além de ser uma forma de energia limpa e simpática, é um bom negócio econômico e financeiro, como a maior parte das centrais geradoras de energia. Por outro lado, sendo o nosso combustível, o vento, temos uma completa independência do mercado internacional das commodities, não estando sujeitos a volatilidade do mesmo.

Quais são os estados do Nordeste com maior potencial para a energia eólica?

Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia.

De que forma a venda de créditos de carbono contribui para o setor de energia renovável?

A venda dos créditos de carbono, relativos aos projetos de energias renováveis, em alguns casos, e depois de uma análise cuidada e de uma certificação bem profissional e correta, podem ser considerados como adicionais da receita normal proveniente da geração de energia.

O senhor acredita que a descoberta e consequentemente a exploração do petróleo na camada de pré-sal pode desviar recursos públicos e privados do setor de energias renováveis?

Não, de maneira nenhuma. Hoje o desenvolvimento das energias renováveis, passa pelo setor privado. Não precisamos de subsídios, só de tratamento igual, isonomia.

Qual o maior desafio a ser enfrentado no ramo de investimentos de energias renováveis?

Sermos tratados pelo Governo Federal da mesma maneira que eles tratam as outras fontes de energia, (hídrica, térmica a óleo, carvão, gás, etc.). Não queremos subsídios, só queremos isonomia. Quando comparam preços e valores, façam-no de uma forma correta e não escondendo e maquiando os custos das outras fontes.

É normal ouvir os ministros e governantes dizer que a energia eólica é cara. É falso e é mentira. A única forma de energia mais barata, hoje no mercado brasileiro, do que a energia eólica é a energia elétrica proveniente das grandes hídricas, que estão amortizadas contabilisticamente, mas as quais continuamos a pagar na dívida pública brasileira.

Todas as outras formas de energia, especialmente as térmicas a óleo pesado, diesel, carvão, são muito mais caras que a energia eólica. Esse mito foi criado pelo lobby pesadíssimo destas formas de energia. O Governo Federal já sabe de todos estas verdades, mas não lhes interessa admitir isso publicamente.

Que perspectivas o sr. espera para o setor?

As melhores possíveis.  Não é possível que os nossos governantes federais, continuem “cegos”. Muito mais cego do que o que não vê, é o que não quer ver.

Mas, devido ao trabalho de todos os players do setor, realçando o papel da ABEEólica – Associação Brasileira de Energia Eólica, e o papel dos Governos Estaduais, do Ceará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e outros, os nosso governantes começaram a enxergar que não podem continuar remando contra a maré.

No que respeita às energias renováveis, em especial a energia eólica, a situação é tão escandalosa, que a opinião da sociedade civil, já se começou a ouvir e a manifestar, contra políticas menos ortodoxas do nosso governo.

Realço negativamente a limitação de importação de turbinas até 2 MW, e o aumento do imposto de importação de turbinas eólicas de 0% para 14%. Estas duas medidas foram tomadas, nas duas últimas semanas, e funcionam como uma reserva de mercado própria dos anos 70 e 80. Por trás destas duas medidas está o lobby fortíssimo e pesadíssimo das duas únicas fábricas de aerogeradores existentes no Brasil.


Para além de serem fabricantes de turbinas eólicas, ambos os grupos (IMPSA e WOBBEN ENERCON) são simultaneamente investidores, através da participação acionista direta em projetos eólicos, alguns em operação e outros em desenvolvimento, candidatos ao Leilão de Reserva de Energia Eólica, o que adultera e vicia substancialmente as regras de mercado.

 

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