Ministro do Trabalho e Emprego fala ao InvestNordeste sobre a perspectiva da geração de emprego para este ano
InvestNordeste - O senhor afirmou recentemente que o Nordeste será um dos grandes geradores de emprego em 2010. Quais serão os setores que impulsionarão essa demanda na região?
Ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi - O Nordeste tem sido uma região puxadora de emprego, só perdendo para o Sudeste, onde o peso do PIB é muito maior. Durante todo o ano de 2009 o Nordeste teve grande destaque na geração de empregos, o que teve como resultado a vice-liderança da região na criação de empregos durante no ano, com 227.376 novos postos de trabalho. Também é importante ressaltar que o número é resultado recorde em toda a série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Em relação aos setores, em 2009, o grande destaque ficou com Serviços, com criação de 84.661 vagas. Mas também apresentaram excelentes desempenhos o Comércio (57.092 postos), a Construção Civil (54.704 postos) e a Indústria de Transformação (37.624). Acredito que em 2010 não será diferente, com todos esses setores liderando o crescimento da região. Esse desenvolvimento do Nordeste, ultrapassando a região Sul na geração de empregos, é muito significativo. Os estados nordestinos, por muito tempo, ficaram esquecidos pelo governo brasileiro, e, mesmo sendo em maior número do que os que compõem a região Sul, geravam menos emprego. Essa mudança só mostra que o Governo vem investindo no Nordeste, possibilitando o seu desenvolvimento. Agora está havendo muito investimento na região e muito incentivo para atrair empresas, inclusive do Sul e do Sudeste.
E em quais estados estarão as maiores quantidades de postos de trabalho?Em 2009 os grandes destaques foram a Bahia e o Ceará, que foram responsáveis por mais de 50% dos empregos gerados no Nordeste. Esse bom desempenho vem desde 2003, quando, acompanhados de Pernambuco, Bahia e Ceará ocuparam a primeira e terceira posição no ranking de geração de empregos do Nordeste. A Paraíba, o Piauí e Sergipe também tiveram resultados recordes para o último ano. Acredito que 2010 esse crescimento continuará. No entanto, isso não significa que os outros estados não estão crescendo. Pelo contrário, o Brasil vem apresentando crescimento em todos os setores econômicos e em todos os estados. No Nordeste não será diferente.
Como o nordestino deverá se preparar para conquistar uma vaga em 2010? E que ações de qualificação profissional o Ministério do Trabalho e Emprego promove na região?A qualificação é fundamental para conseguir emprego sempre. Os empregos estão surgindo e os trabalhadores têm que estar preparados para ocupá-los. Por isso, acredito que investir na qualificação do trabalhador é um retorno garantido, visto que atendemos as demandas imediatas do mercado com nossos cursos de qualificação. Por meio dos programas de qualificação que o MTE oferece possibilitamos que o trabalhador esteja preparado para entrar no mercado e tenha a oportunidade de ter a sua carteira de trabalho assinada. Estamos oferecendo um caminho aos milhares de brasileiros que não tinham nenhuma perspectiva. Preparamos mão de obra para o mercado, buscando atender as demandas imediatas de cada região. Todos os cursos são gratuitos, realizados em parceria com estados, municípios e entidades da sociedade civil, e tem metas de inserção dos participantes do mercado de trabalho que variam de acordo com o curso.
O Nordeste foi contemplado com quatros cidades-sedes da Copa de 2014. Como o senhor visualiza o mercado de trabalho na região nos próximos cinco anos?O turismo está entre as vocações mais fortes do Brasil, principalmente no Nordeste, sendo muito importante para a economia do País. É um setor estratégico para onde o Brasil pode e vai crescer. Com a escolha do País para sediar a Copa do Mundo de 2014, não só o turismo irá se expandir, mas outros setores da economia, como o de construção civil, serviços imobiliários e aluguel, serviços prestados a empresas, petróleo e gás, serviços de informação e transporte, armazenagem e correio. E isso nos trará ainda mais trabalho para os próximos anos. Serão gerados, nestes quatro anos de preparação, milhões de empregos diretos e indiretos, o que irá acelerar ainda mais a economia. Vamos ter que fazer investimentos pesados em infraestrutura e os trabalhadores precisarão estar totalmente preparados para que a festa seja um sucesso. Além disso, estamos em um momento muito bom da nossa economia, com a inflação sob controle, o mercado interno forte e com respeitabilidade internacional. Todos esses fatores somados só poderão trazer bons resultados para o País nos próximos anos.
Que legados o senhor acredita que a Copa deixará para o País?Como disse anteriormente, teremos muito trabalho pela frente. O Brasil começou a se preparar para receber um evento internacional. Toda a infraestrutura que será construída permanecerá aqui, criando empregos, mesmo que em uma proporção menor que no período da Copa.
Com relação aos salários, houve crescimento significativo em 2009?Assim como na geração de empregos, no salário médio de admissão o Nordeste também apresentou um excelente desempenho. Sergipe teve o quarto melhor resultado do País, ficando atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal. Em termos de aumento real, Sergipe assume a liderança com um ganho real de 32,50%. Já no que diz respeito ao salário de admissão feminino, Sergipe também está na liderança, sendo acompanhado por Amazonas, Alagoas e Rio Grande do Norte. Quanto ao masculino, os maiores aumentos foram em Sergipe, Rondônia e Alagoas.
Que balanço o senhor faz das ações do Ministério em 2009? E quais os desafios para este ano?Minha moeda é o emprego. Eu me baseio na geração de emprego, porque só o emprego dá dignidade ao ser humano. O emprego cresceu de forma homogênea em todos os setores e regiões do País e, dessa forma, conseguimos alcançar quase um milhão de empregos em 2009, chegando ao número de 40 milhões de trabalhadores formais, recorde absoluto na história do País. Acredito que 2010 será o melhor ano do Governo Lula. Vamos continuar trabalhando para dar continuidade a todos os projetos desenvolvidos pelo MTE e acompanhar o crescimento pelo qual o Brasil está passando. Entre os nossos planos, está a marca de dois milhões de empregos gerados, um recorde em toda a série histórica do Caged. Também pretendemos alcançar a meta de 800 mil aprendizes contratados até o final do ano. Com esse objetivo queremos mostrar ao Brasil a necessidade de encontrar caminhos para os nossos jovens, incluindo-os no mundo do trabalho. Além disso, pretendemos intensificar os cursos de qualificação, capacitando os trabalhadores para ocuparem os milhões de empregos diretos e indiretos que serão gerados com a realização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 no Brasil.