O diretor-presidente da Companhia de Água e Esgoto do Ceará fala sobre investimentos, obras de saneamento e ações de responsabilidade socioambiental
A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) investiu mais de R$ 126 milhões em 2009. Em 2010, a Companhia estima investimentos na ordem de R$ 350 milhões. O diretor-presidente Henrique Vieira Costa Lima diz que para a Copa de 2014 a Cagece vai construir uma outra estação de tratamento com capacidade para tratar 5m³/s, com recursos de mais de R$ 150 milhões. Ele ainda fala sobre as ações de responsabilidade socioambiental no interior do Ceará e do apoio aos projetos culturais no Estado.
Invest Nordeste - Como foi o ano de 2009 para a companhia no tocante aos investimentos e pesquisa?
Henrique Vieira Costa Lima - Em 2009, a Cagece investiu mais de R$ 126 milhões, entre recursos próprios e financiados. Como tivemos uma boa arrecadação, que de janeiro a novembro somou cerca de R$ 507 milhões, nós pretendemos investir, até 2012, mais de R$ 70 milhões de recursos próprios e cerca de R$ 600 milhões de recursos captados de órgãos financiadores. Essa diferença é natural porque a maior parte dos nossos investimentos é feita com recursos que captamos com órgãos financiadores e pagamos ao longo dos anos. E isso só é possível porque temos uma empresa com saúde financeira, o que nos permite contrair empréstimos para expandir mais os nossos serviços. Vale salientar que, de 2007 a 2009, nossos investimentos têm sido cerca de 60% acima da média histórica da Cagece, seja comparando com o período de 2003 a 2006 seja comparando com o período de 1994 a 2006.
Qual a expectativa de investimentos para 2010? Em relação aos investimentos em infraestrutura no Estado, quais os próximos projetos da companhia para 2010?
A previsão de investimentos para 2010 é de mais de R$ 350 milhões a serem revertidos em ampliações, implantações ou melhorias nos sistemas de água e esgoto. Um dos destaques será o investimento em Fortaleza, com a ampliação do sistema de esgotamento sanitário. Mas não será o único, digamos assim, “grande investimento”. Nós estaremos presentes em muitos municípios do Interior, como por exemplo, Barroquinha, Poranga, Santana do Cariri, Maranguape, Aracati, Crateús, Quixadá e outros.
Nós estamos começando o ano de 2010 com uma grande vantagem que é ter todas as obras importantes para expansão do serviço já iniciadas e em execução. Isso nos permite centrar esforços na expansão do atendimento aos clientes, ampliar rede, fazer ligação de esgoto e levar, efetivamente, mais saúde para a população do Ceará.
Temos muitos recursos assegurados, mas vamos continuar desenvolvendo projetos para captar mais recursos, ir atrás de linhas de financiamento, conversar com a Caixa Econômica Federal, Governo Federal e outros financiadores. Isso é uma determinação do Governo do Estado, uma determinação do governador Cid Gomes e um compromisso da presidência da diretoria da Cagece. A população cearense pode esperar um 2010 com a Cagece trabalhando tanto na captação de novos recursos como nas ruas executando obras e fazendo um trabalho de conscientização dos serviços de saneamento.
De que forma o interior do Estado será beneficiado pelas ações da companhia este ano?
A Cagece já abastece todas as sedes dos 149 municípios onde atua. Os outros 35 municípios têm operadores locais, em geral a própria prefeitura. Nas cidades atendidas pela Cagece, existem ações concretas no sentido de universalizar o abastecimento. Eventuais obstáculos, como o isolamento de comunidade, são enfrentados para garantir o serviço à população.
Mesmo nas localidades distantes da sede e com difícil acesso a fontes de água bruta, nós estamos conseguindo levar saúde. Por exemplo, em 2009 foram investidos, por meio do Projeto São José, R$ 10,64 milhões em sistemas de água para a zona rural. Foram mais de 52 mil pessoas atendidas com a implantação de 129 sistemas de abastecimento de água.
Esses investimentos foram feitos em comunidades rurais com mais de 50 famílias, onde já havia acesso à eletricidade, que é insumo importante para possibilitar o funcionamento dos sistemas.
Com a parceria e o excelente trabalho realizado pela Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH), a Cagece consegue levar água em longas distâncias com a implantação de adutoras. O maior destaque é o Eixão das Águas, que beneficia não só a Capital como as comunidades ao longo do caminho.
Com a oficialização de Fortaleza como cidade-sede da Copa de 2014, quais os projetos da companhia para atender às necessidades da cidade até o evento e durante o mesmo?
É importante que se diga que, com os investimentos já contratados e com finalização prevista para 2012, Fortaleza atende às exigências da Fifa, do ponto de vista do saneamento, no que diz respeito à realização de uma Copa do Mundo. Mais da metade da cidade já possui rede coletora de esgoto. E 100% do que nós coletamos é tratado. Além disso, nós temos capacidade de tratar e distribuir 10 metros cúbicos de água por segundo (m³/s), enquanto que o consumo de Fortaleza e Região Metropolitana é entre 6 m³/s e 7m³/s.
Para tornar a cidade ainda mais estruturada, do ponto de vista do saneamento, a Cagece, junto com a SRH, está construindo uma outra estação de tratamento com capacidade para tratar 5m³/s. Um investimento de mais R$ 150 milhões. Nós estamos desenvolvendo projetos para esgotar os bairros à direita do estádio Castelão, porque o lado esquerdo já está com recursos garantidos e com as obras prestes a começar, além de outras expansões.
Não esquecendo que nós já temos garantidos cerca de R$ 600 milhões, sendo R$ 416 milhões somente pelo PAC, em Fortaleza e no interior. São ampliações de água e esgoto que buscam a universalização dos serviços.
O senhor dirige a Cagece desde 2007. Em termos de gestão, o que precisar mudar na companhia?
A Cagece, hoje, é considerada uma das melhores empresas do setor. Temos um processo de gestão e planejamento estratégico consolidado. Esse planejamento já vem, há algum tempo, dando resultado. Para exemplificar apenas um: o tempo médio de nossas licitações caiu pela metade apenas com uma melhor gestão que vem sendo implantada desde 2007. Desde 2007, também utilizamos como norteador da gestão da companhia o Modelo de Excelência em Gestão (MEG), coordenado no Brasil pela Fundação Nacional da Qualidade (FNQ). Como fruto deste trabalho fomos reconhecidos em 2009 como uma das 10 melhores organizações públicas do Brasil (Prêmio Nacional da Gestão Pública - PQGF – do Governo Federal). Os desafios para uma boa gestão, no entanto, são sempre presentes, mas hoje tenho segurança em afirmar que a Cagece é uma empresa preparada, com práticas institucionalizadas, para enfrentar todos estes desafios.
A Cagece tem consolidado programas de desenvolvimento sustentável no Ceará. Quais são os novos projetos da companhia para este ano?
A Cagece desenvolve vários projetos no sentido de operar de maneira sustentável. Um deles é o Projeto de monitoramento de pressões à distância utilizando tecnologia de celulares (GPRS) que valeu o Prêmio Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia 2009, do Ministério das Minas e Energia, por meio da Eletrobrás.
O projeto foi colocado em prática, em caráter experimental, na região leste de Fortaleza para gerenciar as pressões nas redes de distribuição de água. Como resultado diminuíram-se vazamentos, reduziram-se as perdas e evitou-se a produção de mais água e, consequentemente, mais gasto de energia.
Nós já implantamos usinas de geração termelétricas em estações elevatórias de Fortaleza para reduzir o consumo de energia e garantir a continuidade do bombeamento do esgoto pelas estações, já alcançamos resultados preliminares importantes com a utilização do gás metano, gerado a partir do esgoto e temos projetos para investimento em geração de energia eólica.
E o melhor é que essas não são ações isoladas. No início de 2009, nós criamos a Gerência de Pesquisa e Desenvolvimento Operacional para coordenar essas e novas pesquisas.
Quais os benefícios para a empresa ao investir em ações como essas?
Acima de tudo, o cuidado com o meio ambiente, que faz parte da nossa missão institucional e é a base de nosso serviço. E há também benefícios mais diretos para a população e a própria empresa.
A reutilização de gás metano na estação de tratamento de esgoto de Itaitinga (30km de Fortaleza) nos permite transformar um subproduto do esgoto como combustível no fogão para produzir alimentos. A iniciativa é pioneira no Ceará. Outro benefício do mesmo projeto é que a utilização do gás evita que o metano seja lançado na natureza. Esse gás é 21 vezes mais nocivo que o CO2 (gás carbônico), que causa o efeito estufa.
Investir em energia eólica também é importante porque nós podemos até suprir o fornecimento de energia da Estação de Tratamento de Água do Gavião, que é a unidade responsável por fornecer água tratada a Fortaleza, Caucaia, Maracanaú e Eusébio. Isso quer dizer que cerca de 20% de toda energia consumida pela Cagece em todo o Ceará poderá ser produzida pela própria Companhia.
Como andam as ações de responsabilidade socioambiental no interior do Estado?
A Cagece sempre desenvolveu ações de responsabilidade socioambientais em todo o Estado. A mais simples dela com educação através de teatro, palestras, oficinas e outras ferramentas. Mas, na atual gestão, até por orientação do Governo do Estado, as ações estão sendo incrementadas e trabalhadas de forma sistematizada.
Para nortear a atuação, elaboramos em 2007 um Plano Diretor de Responsabilidade Social Empresarial. Decorrente deste plano, já levamos mais de 1,5 mil estudantes para conhecer a reserva florestal de Guaramiranga. Lá, as crianças tinham aula em campo para conhecer a vegetação e a importância da preservação ambiental.
Também já realizamos oficinas de reciclagem de material em diversas cidades. Nós ensinamos a jovens que o que é visto pela maioria das pessoas como lixo pode ser visto como lazer e até como fonte de renda. Nessas oficinas ensinamos a transformar jornal velho em brincos, pulseiras, enfeites de casa e cestos. Outras oficinas ensinam a transformar embalagens de leite longa vida em embalagens de presente. Também ensinamos a utilizar garrafas PET em brinquedos. Todas essas ações são contínuas.
Nesse momento, nós estamos iniciando uma oficina com jovens para ensinar a transformar material reciclável em instrumentos musicais. Já fizemos em Jericoacoara e estamos fazendo nas cidades de Baturité, Pacoti, Aratuba e Guaramiranga.
Vocês também são parceiros de diversos eventos culturais no Estado. Como isso se reflete em retorno?
Investimos em diversos eventos culturais e esportivos. Temos o nosso coral, o Coral das Águas, que se apresenta tanto em Fortaleza como no Interior. Só no ano de 2009, a Companhia investiu em ações culturais o valor de R$ 1.157.000.
Também incentivamos a cultura com pagamento de cachês a artistas plásticos e exposição. O material é selecionado por edital e ilustra as publicações oficiais da empresa. Estamos patrocinando o festival de Jazz e Blues em Guaramiranga, patrocinamos o Sumov e diversas outras atividades sociais, culturais e esportivas.
A Cagece é uma empresa que leva saúde e nós entendemos que a saúde não é apenas física. Ela envolve lazer, diversão, esporte, cultura... uma gama de aspectos que ajudam a pessoa a ter qualidade de vida.
Grupo C. Rolim assumiu a nova administração e está realizando as atividades
No Ceará, 49.363 estão com os benefícios bloqueados
Produção passou de 54,8 para 55 pontos
Evento acontece no Rio de Janeiro e as inscrições vão até 18 de fevereiro