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Fernando Fialho: Comércio internacional para países em desenvolvimento deve crescer 8,5%

Qui, 17 de Novembro de 2011 16:34

O diretor geral da Antaq fala em entrevista sobre os impactos que a crise internacional causará aos portos brasileiros

 

 

fernando_fialhoAs previsões de crescimento do comércio internacional estão em aproximadamente 5,8%, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC). Para os países em desenvolvimento prevê-se crescimento de 8,5%. É o que afirma o diretor geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Fernando Fialho. Ele estará em Fortaleza (CE), entre os dias 22 e 25 de novembro, participando do VI Seminário SEP de Logística, promovido pela Secretaria dos Portos da Presidência da República. Na entrevista que segue, Fialho fala sobre as duas últimas crises e o setor portuário.

 

InvestNordeste - Na crise anterior (2008/2009), a movimentação nos portos brasileiros chegou a cair 4,61% em 2009 em relação a 2008 – foi a primeira queda registrada desde 1999. Como essa nova crise pode afetar os portos brasileiros? Eles já vinham em recuperação ou ainda enfrentavam dificuldades, reflexos da crise anterior?
Fernando Fialho
- Considerando que a maioria das importações e exportações, tanto em toneladas quanto em reais, passam pelos portos, o reflexo de uma crise externa certamente afetará a corrente de comércio brasileira.


A recuperação da movimentação pelos portos organizados foi bastante heterogênea, considerando-se suas relações comerciais com países tais como a China e Estados Unidos. Quanto mais afetado pela crise mundial, maior a redução na corrente de comércio com outros países, e, consequentemente, menor o uso de portos.
 

Ainda com relação às exportações, analisando-se os dados do acumulado em 12 meses finalizados em agosto de 2011, entre os 10 maiores portos, cinco estão com movimentação superior à movimentação pré-crise de 2008 (os 10 maiores portos respondem por mais de 94% das exportações realizadas por portos organizados).


IN - A crise atual, somada a anterior, retardou a expansão de nossos portos?
FF
- Uma vez que a movimentação de cargas em um porto está estreitamente relacionada com a corrente de comércio brasileira, sua capacidade de crescer é influenciada pelo volume das exportações e importações que lhe é afeto. No entanto, o setor de infraestrutura move-se por planejamentos a médio e longo prazos. Os investimentos são altos e sua execução não é rápida. Assim, em termos de planejamento de investimentos, os portos brasileiros não tiveram impactos diretos. Além disso, uma boa parte dos recursos usados na melhor adequação desses portos teve origem no PAC, tais como o Programa Nacional de Dragagem.


IN - Qual segmento mais sofreu na crise anterior? O de granéis sólidos, líquidos ou contêineres? E qual poderá ser mais afetado desta vez?
FF
- Contêineres e carga geral solta. O granel sólido, a despeito da crise de 2008, vem apresentando bom desempenho nos últimos anos, principalmente graças ao contínuo crescimento da economia da China, principal importador das nossas commodities. Considera-se que, além da crise, há também um efeito câmbio que influencia a exportação de carga conteineirizada, como vem sendo apontado por alguns segmentos do setor industrial.


IN - A retração do comércio internacional já chegou a quanto, neste momento?
FF
- As previsões de crescimento do comércio internacional estão em aproximadamente 5,8%, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC). Para os países em desenvolvimento prevê-se crescimento de 8,5%.


IN - A movimentação de cargas, em 2008, vinha em um ritmo de crescimento forte, de aproximadamente 7,5% ao ano. E a crise atual? Pegou-nos em que ritmo de crescimento?
FF
- Em 2010, a taxa de crescimento dos portos organizados foi 11,2%. Já em agosto de 2011, a taxa de crescimento dos portos situava-se em 7,75%, demonstrando uma desaceleração suave, embora ainda seja uma taxa considerável.


IN - A desburocratização dos Portos Brasileiros, através das Janelas Únicas Portuárias (Porto Sem Papel), tema de uma das palestras do VI Seminário SEP de Logística, poderá ajudar de que forma na recuperação dos portos nesse momento de turbulência ou após?
FF
- Quando implantado de forma integral nos maiores portos brasileiros, certamente terá um efeito positivo no desempenho dos mesmo, especialmente no caso dos contêineres, ao facilitar o trâmite burocrático e o desembaraço das mercadorias.

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