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Edney Souza: Microempreendedor deve focar geolocalização e marketing digital para concorrer com grandes empresas

Sexta, 21 de Outubro de 2011 12:08

Vice-presidente de Publisher da boo-box fala sobre marketing digital e ferramentas que diferenciam microempresários das grandes empresas de venda online

  

   
 
Por Nathan Camelo

 

edneyO Brasil é o terceiro país que mais utiliza redes sociais no mundo. A alta socialização do brasileiro auxilia para que empresas de médio e pequeno porte encontrem no marketing digital uma alternativa para ações de propaganda e venda. Com a perspectiva de que ocorra um grande avanço da utilização de internet mobile por microempreendedores, o InvestNordeste conversou com o vice-presidente de Publisher da boo-box*, Edney Souza, a respeito do uso do marketing digital e as ferramentas que diferenciam os microempresários das grandes empresas de venda online.     


 
InvestNordeste - Quais as perspectivas nacionais para que os microemprededores possam fortalecer a divulgação de seus negócios nas redes sociais?
Edney Souza
- A perspectiva é positiva porque existe cada vez mais no mercado materiais orientando como essas redes sociais podem ser utilizadas e, conforme elas vão se tornando mais comuns. A gente já teve no Brasil uma primeira fase, que foi a do Orkut, agora temos o Facebook e Twitter, o Youtube. O fato das pessoas estarem utilizando mais essas redes sociais já começa naturalmente a surgir mais ideias, mais livros publicados, mais eventos, você tem materiais de palestras hoje no Youtube, no slideshare que vão divulgando e facilitando o acesso a essas redes sociais, então o custo pro microempreendedor se torna pouco. Se ele tem o conhecimento básico em uso da internet, basta entrar, criar o perfil e pronto. Esse é um segmento de empresa que no passado não tinha como fazer investimento em marketing porque todo investimento dependia de um recurso financeiro. Se as microempresas tinham o orçamento baixo ficava complicado. Já nas redes sociais se tem condições de fazer uma boa  propaganda, uma boa venda a um custo que não é zero porque envolve investimento do seu tempo, ou de algum funcionário, mas é um investimento mais próximo da realidade da pequena empresa.


IN - Você acredita que os microempreendedores ambulantes estarão conectados na internet em seu ambiente de trabalho? Inclusive se geolocalizando?
ES
- Sim, com certeza. Temos quase 100% da população brasileira utilizando celular. Hoje não importa o tipo de trabalho que a pessoa desenvolva. Por mais simples que seja ela tem um celular pré-pago disponível. Economicamente, daqui a pouco tempo, não vai valer a pena para os fabricantes produzirem aparelhos que não tenham acesso à internet. A demanda mundial para acessar a internet é tão grande que o custo de produção e venda dos celulares têm caído. Então até o celular mais simples vai ter acesso à internet. O fato do celular ter capacidade de acesso tem uma outra variável: o custo do acesso à internet. No Brasil, existem planos, de R$ 0,30 por dia para acessar. Então um mês inteiro de R$ 9,00. Aqui no Nordeste, temos um mês inteiro de internet no celular por R$ 15,00. Esse investimento de baixo custo não é um investimento proibitivo, dependendo do tipo de retorno que ele for ter. Tem um caso que eu gosto muito de citar, que há cerca de uns 15 anos, tinha uma barraquinha de cachorro quente na Avenida Paulista (SP), onde o cara tinha celular e fazia serviço de entrega tipo delivery. Numa simples barraquinha de cachorro quente. Aquilo fez o negócio dele crescer ao ponto de que hoje ele tem uma franquia com várias lojas, vários restaurantes de cachorro-quente. Esse mesmo tipo de visão de marketing que eu vi com o uso de celular já consigo ver com o uso da internet. Os ambulantes vão começar a aceitar pedidos via internet e eles vão poder consultar as compras no celular e mandar o auxiliar entregar. Então se esse mecanismo gerar venda, o investimento de R$ 9 a R$ 15, para ter essa internet vai valer muito a pena pra o microempreendedor. Tem gente fazendo previsão pra cinco ou dez anos para a total de internet no Brasil. Eu acredito que quando o celular mais barato do mercado tiver acesso à internet, a gente vai ter o crescimento da população brasileira conectada muito grande. Obviamente que o tipo de internet vai ser um acesso mobile, então não é todo o recurso que existe hoje no marketing e na publicidade digital que vai estar disponível, mas vai começar a existir na internet ferramentas de negócios numa velocidade muito melhor do que a maioria dos analistas está especulando.


IN - Então você está dizendo que, com o uso das Redes Sociais pelos microempreendedores,  os negócios deles estarão aptos a aparecer em sistemas de buscas em tempo real como o das grandes empresas?
ES
- Sim, e isso já existe. Por exemplo, se eu abrir agora o Foursquare no meu smartphone e procurar um chaveiro que eu esteja precisando com urgência, ele vai gerar alguns chaveiros que estejam aqui perto. Isso ocorre de duas formas: para uma empresa se cadastrar no foursquare é gratuito e o usuário pra buscar também é gratuito. Então se eu procurar um chaveiro eu vou encontrar aqueles mais antenados que já se cadastraram. Isso é a forma passiva: eu, consumidor, estou procurando alguém que se cadastrou. Já na forma ativa, eu posso chegar no Twitter e perguntar: “ei galera, onde tem uma tapioca boa pra eu comer aqui perto?” e o microempreendedor, seja tapioqueiro, chaveiro, ou quem for e estiver conectado, antenado, ele vai me responder com agilidade. O cara já pode até utilizar uma ferramenta no Twitter, onde ele busca uma quantidade de chaveiros, por exemplo, no raio de tantos quilômetros, onde ele possa atender. No Twitter, é gratuita a busca de uma palavra chave, a partir de uma região, e eu ainda posso escolher receber notificações dessa busca. O microempreendedor está com o celular conectado, ele vibra, vê e é alguém procurando um chaveiro, então ele recebe isso automaticamente, ativamente, até no seu ambiente móvel de trabalho.


IN - Que pontos você acha que deva ser tocado para que haja algum tipo de união para que os microempreendedores possam concorrer com as grandes empresas de alguma forma?
ES
- O microempreendedor tem de procurar se informar, se atualizar com um material básico de marketing. É a primeira vez pra muitas pequenas empresas têm a oportunidade de fazer algum tipo de marketing. Antes o máximo que eles tinham era o marketing boca a boca, uma placa no estabelecimento ou distribuição de panfleto. Agora tem um universo de outras ferramentas. É importante que eles tenham alguns princípios de marketing para poderem ter noção de como divulgar melhor seus produtos. Quanto à questão de concorrência, a grande vantagem do microempreendedor é que eles trabalham com a questão de personalização e geolocalização, quer dizer, você vai comprar um produto de uma empresa grande, e aquele produto tem uma limitação na forma que ele pode ser personalizado. Já o produto de um pequeno empreendedor, de uma pequena empresa, ele pode customizar essa melhora, ele pode fazer uma entrega mais personalizada e pode muitas vezes estar mais perto do cliente. Ou seja, além de poder dar um tratamento mais personalizado, ele pode ser mais rápido na entrega. O microempreendedor tem de trabalhar visualizando essa diferença e não tentar ser igual a grande empresa, que tem um investimento de marketing de margem de lucros maiores. Talvez ele não consiga competir num mesmo terreno, então deve buscar se destacar nas diferenças e não nas semelhanças.


IN - Que recado você daria para o microempreendedor que está lendo essa entrevista agora e quer utilizar o marketing digital no seu negócio?
ES
- É um pouco complicado resumir isso, mas basicamente é importante você entender qual a principal Rede Social do seu público-alvo, é Twitter? Youtube? Facebook? Não importa qual seja ela, o microempreendedor tem de ver qual dessas redes possuem a melhor possibilidade de utilizar e produzir conteúdo. Você tem um pequeno restaurante, então pode produzir um vídeo, a culinária sendo feita, como fica a cara do prato, como ele chega na mesa, para dar água na boca de quem está assistindo ao vídeo.  Você pode criar um perfil no Twitter ou Facebook e colocar as fotos, colocar depoimentos, postar materiais mostrando como é o seu trabalho. Enfim, procurar um espaço onde seu cliente está para que o microempreendedor também esteja nesse espaço e que possa produzir um conteúdo que cria desejo do usuário da rede para consumir seu produto e interagir com a sua marca. Outro fator importante também é que ele deve ser sempre atencioso, com respeito, dedicação e principalmente velocidade. Você está lá conectado, as pessoas vão começar a te perguntar e você começa a responder. A partir desse tipo de tratamento, o cliente passa a não diferenciar o atendimento dentro do estabelecimento ou no ambiente digital. Ele tem aquela sensação de que está na frente do balcão de atendimento. Se ele for bem atendido ali na página do Facebook, no Twitter, no Foursquare, ele acredita que vai ser bem atendido presencialmente também, e ele vai atrair novos clientes.


*A boo-box é a primeira empresa brasileira de tecnologia de publicidade e mídias sociais, definida pelo TechCrunch como “o Ad Network Brasileiro da Web 2.0″. A boo-box nasceu na fronteira entre a publicidade e o conteúdo, e logo tornou-se uma ponte entre ambos. Um elo que faz do conteúdo uma oportunidade e da publicidade um serviço.

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