Superintendente da Diagonal fala em entrevista sobre as perspectivas de crescimento em 2011
Por Paulo Jefferson Barreto
O setor imobiliário vive um bom momento no Brasil e as perspectivas para a região Nordeste não poderiam ser diferentes. Segundo Carlos Fiúza, superintendente da construtora Diagonal, a expectativa de crescimento no volume de vendas da parceria Diagonal-Rossi chega a ser 20% superior ao resultado de 2010. Embora haja rumores de um possível agravamento da crise internacional, o que poderia afetar diretamente o Brasil, a expectativa para o próximo ano continua animadora, enquanto as vendas este ano seguem rendendo ótimos resultados. Os níveis de investimento devem permanecer altos e novos mercados podem se abrir ainda mais ano que vem. “A partir de 2012, queremos entrar no mercado do Piauí e do Maranhão”, afirma Fiúza. O superintendente não quis dar detalhes sobre investimentos para o próximo ano.
InvestNordeste - A parceria entre essas duas grandes construtoras de renome já colhe bons frutos desde 2007, mas existem alguns dados de quanto realmente já foi investido aqui no estado do Ceará, ou no Nordeste, desde então?
Carlos Fiúza - Selamos nossa parceria em 2007 e lançamos o primeiro empreendimento em 2008. Hoje, atuamos no Ceará e Rio Grande do Norte e já temos terrenos comprados em João Pessoa, na Paraíba. A partir de 2012, queremos entrar no mercado do Piauí e do Maranhão. Este ano, totalizaremos R$ 1,4 bilhão em Volume Geral de Vendas (VGV).
IN - Essa parceria Diagonal-Rossi também se aplica para outros estados do Nordeste. Já foram lançados vários projetos de sucesso no Rio Grande do Norte, por exemplo, então que tipo de atrativo faz essa região ser um foco de investimento em relação a todo o Brasil?
CF- A economia aquecida e a crescente oferta de crédito têm aumentado ano a ano o poder de compra dos brasileiros, fazendo todo este país continental ser promissor. Neste sentido, não poderia ser diferente no Nordeste, que é uma das regiões que mais cresce no Brasil.
IN - Algumas pesquisas registraram retração nas vendas de imóveis novos em outras regiões do país, como em São Paulo. Existe alguma preocupação com esse mercado aqui no Nordeste? Como tem sido o resultado das vendas na região, e aqui no Ceará?
CF - Este ano, tem-se constatado uma pequena desaceleração nas vendas, mas isso não é, de todo, uma notícia ruim. Primeiro porque o ano de 2011 foi de forte crescimento, sendo um dos melhores da história da construção civil no Brasil. Portanto, estamos partindo de uma base já muito alta, ou seja: mesmo um pequeno crescimento já vai ser muito bom! Em segundo lugar, essa pequena desaceleração também é saudável para o mercado, tanto no sentido de regular os preços dos terrenos como no de acomodar toda a cadeia produtiva, que é um dos gargalos do setor.
IN - A que tipo de público os novos empreendimentos desenvolvidos pela parceria se destinam? Fala-se muito no aumento do poder aquisitivo da classe C hoje, mas há realmente espaço significativo pra esse tipo de público?
CF - Atuamos em todos os segmentos, o que, na nossa visão, nos deixam mais competitivos. Temos empreendimentos de altíssimo padrão, como o Alto das Dunas, como também atuamos no programa “Minha Casa, Minha Vida”, como é o caso do Ideal Vilas de Messejana. Fala-se muito no crescimento das classes C e D, o que é verdade, sendo um mercado extraordinário, mas, proporcionalmente, as classes A e B foram as que mais cresceram. Portanto, há mercado para todos os segmentos.
IN - Saiu uma reportagem este mês no jornal americano Wall Street Journal alertando sobre o surgimento de uma possível bolha imobiliária no Brasil. De acordo com a experiência de vocês, esse temor existe realmente ou o mercado da construção civil vai continuar apresentando os bons resultados obtidos até agora?
CF - Não há perigo de bolha. Nossos indicadores são totalmente diferentes dos que foram vivenciados com a crise imobiliária iniciada originalmente nos Estados Unidos. Em relação ao crédito, temos ainda muito o que crescer.
Nos países mais desenvolvidos, o volume de crédito em relação ao PIB é muito mais alto: 78% nos Estados Unidos, 83% no Reino Unido e chega a 100% na Dinamarca. No Brasil, agora que chegamos aos 5% e espera-se chegar a 15% na próxima década. Temos um mercado gigantesco: o déficit habitacional brasileiro é de mais de oito milhões de moradias e geramos nova demanda de mais outras 800 mil anualmente. Hoje, este déficit não é demanda, é a economia mantendo-se forte e crescente, cada vez mais teremos novos compradores de imóveis.
Sem falar que o problema da bolha em 2008 surgiu pelos chamados subprimes, ou seja, deram crédito a quem não podia pagar. No Brasil, os bancos são muito rigorosos com as análises de renda e poder de pagamento. Seguramente, ainda teremos muitos anos de crescimento neste setor.
IN - A crise econômica internacional e o temor de uma possível redução do crédito para financiamento de imóveis, por exemplo, mudaram de alguma forma as expectativas para os lançamentos de alguns empreendimentos da parceria, especialmente aqui no Nordeste?
CF - Como eu falei, existe uma previsão de desaceleração para 2011, mas não de estagnação. Toda crise é cíclica, um dia ela acaba. Os anos seguintes a 2008, ano da última crise, foram de forte crescimento. Estamos muito otimistas e não temos planos de desacelerar. Nossa expectativa é de crescermos este ano 20% a mais que em relação a 2010.