A economista da Fundação Getulio Vargas fala sobre perspectivas para os próximos anos para o setor imobiliário no Brasil e no NE
Por Hugo Renan do Nascimento
O cenário econômico atual do País, com a ampliação do crédito e o crescimento do emprego formal, tem acelerado o processo de inovação de alguns segmentos, entre eles, o setor imobiliário. Não é diferente no Nordeste, onde o desempenho da região é visível aos olhos dos mais diferentes empreendedores. A economista da FGV Projetos, Ana Maria Castelo, diz que o NE registra taxas de emprego formal acima da média nacional. Nos estados do Piauí, Ceará, Alagoas e Bahia o crescimento é ainda maior. E isso contribui positivamente para o fortalecimento dos mais diversos investimentos na área imobiliária. "O Programa Habitacional Minha Casa, Minha Vida e a expansão do crédito habitacional respondem por parte importante desse desempenho, mas investimentos em infraestrutura e na estrutura produtiva industrial também têm contribuído para o maior dinamismo da região", afirma Ana Maria. A dinamização econômica do NE, segundo ela, vai além dos eixo Sul-Sudeste, promovendo uma rápida necessidade de mão de obra qualificada e novas tecnologias.
InvestNordeste - Falando em perspectivas para o mercado imobiliário, qual o cenário atual no Brasil?
Ana Maria Castelo - O setor da construção iniciou um ciclo virtuoso de crescimento desde 2005. O setor imobiliário vem respondendo por parte importante desse movimento. Em 2010, o segmento imobiliário segue bastante aquecido, impulsionado pela expansão do crédito e o aumento da renda. Os números do emprego confirmam esse aquecimento. Até agosto, o emprego formal no segmento imobiliário registrou crescimento de 15,6% na comparação com o mesmo período de 2009. Isso significa que desde dezembro já foram gerados 166 mil novos postos de trabalho no segmento em todo País.
IN - O setor da construção civil é um dos grandes impulsores econômicos no Nordeste, levando em consideração às facilidades do crédito e às taxas de juros. Isso tende a se efetivar de que forma a partir de 2011 e com a Copa em 2014?
AM - De fato, o desempenho do setor na região Nordeste tem sido muito forte, com o emprego registrando taxas de crescimento acima da média nacional. No ano até agosto, o emprego já registra aumento de 27,2%. No Piauí, no Ceará, em Alagoas e na Bahia, o crescimento é superior a 30%. O Programa Habitacional Minha Casa, Minha Vida e a expansão do crédito habitacional respondem por parte importante desse desempenho, mas investimentos em infraestrutura e na estrutura produtiva industrial também têm contribuído para o maior dinamismo da região. Com o aumento do ritmo das obras em função dos jogos, esses números tendem a crescer ainda mais.
IN - No Nordeste, temos percebido a chegada de diversas empresas do segmento, como a João Fortes Engenharia, mais recentemente na Bahia. O que tem atraído estas empresas para a região, além do bom cenário econômico do Nordeste?
AM - Os números expressivos do setor na região mostram uma mudança importante na dinâmica do crescimento econômico: o fortalecimento dos mercados além do eixo Sul-Sudeste. Esse movimento é o mesmo para quase todos os segmentos da economia e está sustentado no grande aumento da renda que a região tem registrado. Esse movimento faz valer a pena a formação de novas áreas de produção industrial na região.
IN - O que as empresas do setor têm feito para manter o ritmo de crescimento?
AM - Na verdade, elas têm que se adaptar rapidamente a esse ritmo intenso, investindo em capacitação de mão de obra e em novas tecnologias.
IN - Quais as inovações tecnológicas esperadas para 2011?
AM - O crescimento muito rápido e intenso do setor tem gerado a falta de mão de obra qualificada. Assim, as inovações têm de promover um grande aumento de produtividade e reduzir as necessidades de mão de obra.
IN - A senhora acredita na continuação de uma política para estímulo ao crédito e aos financiamentos no próximo governo? Quais os desafios a serem enfrentados?
AM - Sim acredito. Acho que esse é um caminho sem volta, pois o custo do retrocesso seria muito elevado para qualquer governante. Mas os desafios são grandes. Os maiores estão relacionados i) a urgência do aumento de produtividade, pois já há uma carência grande de trabalhador, e ii) a necessidade de atrair novos investidores para o setor de forma a criar novas fontes de recursos para o crédito.
IN - Quais são os fundamentos que darão sustentação ao crescimento da indústria da construção civil nos próximos anos?
AM - O crescimento econômico acima de tudo. O País tem enormes carências na área de infraestrutura e um grande passivo habitacional. Isso sem falar das novas famílias que vão se formar e demandar moradia. Portanto ainda há muito que fazer e isso passa necessariamente pelo setor da construção.
IN - Qual o provável cenário para o setor a partir de 2011 até 2014, ano de Copa?
AM - A Copa é mais um fator positivo que irá contribuir, sem dúvida, para o crescimento dos investimentos nos próximos anos.
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