Com 3,5 milhões de visitantes por ano, Estado aponta turismo como alternativa para minimizar efeitos da crise
A atividade é responsável por pelo menos 172 mil empregos diretos e 400 mil indiretos e conta com uma infraestrutura que detém 3,4 mil meios de hospedagem, entre hotéis, resorts, pousadas e pensões, distribuídos em 195 mil leitos.Com números tão imponentes na área de turismo, o estado da Bahia mais que duplicou a atração de investimentos na área hoteleira, nos últimos dois anos. Até 2006, a previsão de aportes financeiros para a construção de novos empreendimentos era de US$ 2,2 bilhões. Atualmente, os empresários do setor prevêem investimentos de aproximadamente US$ 5,5 bilhões para os próximos oito anos.
Em outros números esse aporte representará mais de 6,5 mil empregos diretos e 23 hotéis em diversas regiões da Bahia. Além do potencial natural que o Estado oferece, o trabalho de divulgação das políticas de atração de investimentos do governo em feiras e congressos internacionais voltados para o turismo também se traduzem em novos empreendimentos.
Grande parte desses investimentos será feita por grupos portugueses, que viram na hotelaria um mar de oportunidades. De acordo com dados da Câmara Portuguesa de Comércio na Bahia, os lusitanos pretendem aportar mais de US$ 1 bilhão até 2012.
Uma significativa fatia dos recursos portugueses será destinada a construção de hotéis e resorts de grande porte, principalmente no Litoral Norte do Estado. A região já abriga grandes complexos como o Costa do Sauípe Hotéis e Resorts e, recentemente, o Iberostar, cujos investimentos realizados por empresários espanhóis superaram US$ 100 milhões.
O Litoral Norte também é caracterizado por praias, cercadas de coqueiros e áreas de mata atlântica, com rios temporários e remanescentes de fauna e flora nativa. Localidades desertas e ainda não desbravadas fazem do local e representam os pontos que mais despertam interesse de visitantes, principalmente estrangeiros.
Em Salvador, o grupo Imocon, também de Portugal, construirá um hotel de luxo no bairro do Comércio. O empreendimento será implantado no Centro Antigo da capital baiana e é considerado um divisor de águas para o local que também abriga o porto e o terminal náutico da cidade, além de pontos turísticos como o Elevador Lacerda e a Baía de Todos os Santos.
Outro ponto que está sendo redescoberto sob o ponto de vista empresarial é a Baía de Todos os Santos, que abrange uma área de 1.052 km² entre Salvador e o Recôncavo Baiano. Segunda maior Baía do mundo e maior do país, a BTS reúne 56 ilhas e um mar com 42 km de profundidade.
É exatamente em seu entorno que os governos federal e estadual estão investindo R$ 136 milhões, a maior parte recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em obras esgotamento sanitário e saneamento básico. Diante da vocação náutica que a região possui, muitos grupos já despertam interesse na implantação de empreendimentos. O maior de todos os investimentos na Baía de Todos os Santos é o de um projeto audacioso e já em fase de licenciamento ambiental, capitaneado pelo grupo espanhol Property Logic, sediado em Málaga. A idéia dos empresários ibéricos é instalar na Ilha de Cajaíba, no município de São Francisco do Conde, a 80 km de Salvador, um complexo já batizado de Ilha de Cajaíba Beach & Golf Resort.
A planta prevê investimentos de R$ 1,3 bilhão, na construção – em quatro etapas – de sete hotéis de alto padrão, que juntos devem empregar mais de 6 mil pessoas. A primeira etapa deve ser iniciada no ano de 2010. Ao todo, na área que compreenderá 500 hectares, serão instalados 6,3 mil apartamentos, além de 604 vilas turísticas, campo de golfe com 18 buracos, marina, campos esportivos, shopping e serviços, centro educacional, spa, heliponto, centro eqüestre, piscinas, campo de futebol, quadras de tênis, além de outros equipamentos voltados para os esportes náuticos.
Festas e agitos atraem milhões de visitantes todos os anos
Além das belezas naturais que encantam pessoas de todos os cantos do planeta, a fama de festeiro do povo baiano também é um importante argumento que os agentes e operadores de viagem têm para convencer os turistas do Brasil e do mundo. Para isso, não faltam opções.
O calendário de festas populares da Bahia começa junto com o Verão, no dia 8 de dezembro, com a Festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia. Nesse mesmo período, se iniciam os ensaios de verão com shows e apresentações musicais dos principais artistas da Axé Music, como se fosse uma prévia do carnaval baiano.
Em janeiro, mês que antecede a folia, diversos eventos agitam os dias e as noites em Salvador, mas nada se iguala à Lavagem do Bonfim. A festividade que reúne elementos sagrados do catolicismo e do candomblé leva mais de 1 milhão de pessoas, entre baianos e turistas, às ruas da cidade baixa, em Salvador.
Numa caminhada de mais de 6 km sob sol forte, os fiéis deixam a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, no bairro do Comércio e seguem até a Colina Sagrada, no Bonfim. A manifestação é conhecida em todo o mundo.
Carnaval - O ápice do calendário de festas da Bahia é mesmo no carnaval, quando Salvador recebe400 mil turistas em seis dias. Em 2009, segundo dados da ABIH-BA, a taxa de ocupação nos 40 maiores hotéis da cidade e Litoral Norte do Estado foi de 80%. Em alguns lugares, como o Complexo de Sauípe, a lotação foi esgotada.
E quem pensa que os agitos baianos terminam com o fim da folia se engana. Outro grande evento de forte apelo popular é o São João, que ocorre simultaneamente em mais de 400 cidades. Destas, pelo menos 100 realizam festejos de médio e grande porte, com shows e apresentações de grandes nomes da música nordestina como Elba Ramalho, Dominghinhos, Flávio José, Alcimar Monteiro, Alceu Valença, entre outros.
Apesar de ser um fenômeno, no que se refere ao turismo interno, as festividades que ocorrem durante todo o mês de junho só passaram a ser formatadas para a atração de visitantes a partir do ano passado. Dados da Secretaria de Turismo da Bahia apontam que em 2008, primeiro ano de divulgação do Estado como destino turístico de festas juninas, o fluxo de visitantes do sul e sudeste do país cresceu 69% no período.
Muito mais que sol e praia
Mesmo com 1,1 mil quilômetros de costa e duas das três principais baías (de Todos-os-Santos e Camamu) do Brasil, o Estado possui uma rica diversidade cultural e de destinos turísticos, com morros, montanhas, cerrados, cachoeiras e rios. E por falar em rio, o mais importante da Região Nordeste – o São Francisco – é palco do mais novo segmento turístico da Bahia e de Pernambuco: o Enoturismo.
A região conhecida pela fruticultura irrigada, agora também é famosa pela quantidade de vinícolas instaladas – são oito no total. Apesar da quantidade, apenas a Fazenda Ouro Verde, do Grupo Miolo, localizada no município baiano de Casa Nova está preparada para a recepção de turistas. Mesmo assim, em menos de um ano, o local já começou a colher importantes frutos. De acordo com informações do Grupo Miolo, cerca de 600 turistas visitam mensalmente a vinícola.
Ao chegar à Fazenda Ouro Verde, os visitantes se deparam com uma paisagem combinando as características únicas dos vinhedos em meio ao semi-árido com uma estrutura composta de uma cantina, cave subterrânea, engarrafamento, destilaria, sala de degustação e varejo com todos os produtos da Miolo Wine Group.
Os turistas podem circular por todos estes locais em visitas guiadas. O público que visita o local é formado por profissionais e simpatizantes do vinho, assim como o que visita a cantina no Vale dos Vinhedos. O fato de o complexo estar localizado no Nordeste brasileiro atrai moradores da região, além do Norte e do Centro Oeste que teriam mais dificuldade de viajar ao Rio Grande do Sul.
O complexo integra um investimento de R$ 30 milhões iniciado em 2001 que prevê a ampliação da capacidade da vinícola para 10 milhões de litros/ano entre vinhos, espumantes e brandies. Da produção total da Fazenda Ouro Verde, cerca de 40% será destinada ao mercado internacional. Hoje, os vinhos do Vale do São Francisco respondem por aproximadamente 10% das vendas externas da empresa. Os carros-chefe são o Shiraz, enviado para os Estados Unidos e França, e o Late Harvest, bastante consumido na República Tcheca.
Além dos vinhedos, o Vale do São Francisco oferece belezas naturais impagáveis como as ilhotas do Velho Chico e a cultura gastronômica do local. Os principais pratos típicos são feitos à base de bode e carneiro, animais típicos da região, e também do surubim pescado no Rio São Francisco. Para o café da manhã, ou substituir o jantar, a opção é o beiju de tapioca ou o aimpim (macaxeira) frito com manteiga de garrafa.
Fonte: Setur Bahia
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