Apesar de uma desaceleração, cenário parta o Brasil e o Nordeste foi de bom desempenho econômico em 2011
Segundo dados da VIII Análise Ceplan apresentados nesta quinta-feira (9), embora a crise econômica internacional tenha afetado a economia brasileira nos primeiros trimestres do ano passado, os estados nordestinos, como Pernambuco e Ceará, mantiveram os bons índices do ano anterior, embora mais modestos.
No cenário internacional, o estudo da Ceplan constata, com base em indicadores do Fundo Monetário Internacional (FMI), que há uma desaceleração do PIB mundial, mais forte nos países desenvolvidos do que nos emergentes, como o Brasil que, junto com a China, ainda crescem bem. “Na Zona do Euro, é provável que haja uma recessão em 2012”, afirma Jorge Jatobá. O nível de desemprego cresce por lá, enquanto ocorre o inverso no Brasil que apresenta um índice de 6,7%.
O emprego vem associado à expansão do PIB que chega a 3,2% no acumulado dos três primeiros trimestres de 2011. Já a produção industrial no ano passado teve um modesto aumento de 0,3% e apresentou resultados negativos no Nordeste (-4,7%) com maior impacto no Ceará (-11,7%) e na Bahia (-4,4%). Em Pernambuco, a produção industrial estagnou em 2011.
O perigo de reviver uma inflação alta assustou o país em meados de 2011, mas encerrou o ano dentro da meta estipulada pelo governo federal. O IPCA acumulado de janeiro a dezembro de 2011 ficou em 6,5%. Por outro lado, como reflexo positivo da queda da Selic, a taxa de juros real situou-se em 4%, “a mais baixa em muitas décadas”, observa Leonardo Guimarães, lembrando que os juros bem mais baixos nos Estados Unidos e na Europa atraem o capital especulativo para o Brasil.
As boas oportunidades de negócios no Brasil aparecem no Investimento Estrangeiro Direto (IED) que, no ano passado, atingiu US$ 66,67 bilhões – uma boa performance em relação aos US$ 48,44 bilhões de 2010 que foram quase o dobro dos US$ 25,95 bilhões de 2009.
No Nordeste, os indicadores foram melhores, com Pernambuco liderando os índices de crescimento do PIB da indústria no terceiro trimestre de 2011 com 5,4%, superando o índice nacional de 1% e o desempenho do Ceará, de -6,2% e da Bahia, -1,7%. Pernambuco ficou a frente ainda na arrecadação do ICMS, com um crescimento de 10,7% entre janeiro e outubro de 2011 sobre o mesmo período de 2010; seguido pelo Maranhão, com 5,5% e bem à frente do Ceará (1,6%) e das taxas decrescentes da Bahia (-1,1%) e de Alagoas (-9,5%).
No comércio varejista, a Paraíba continua no primeiro lugar entre os Estados nordestinos registrando um aumento de 10,0% entre janeiro e novembro de 2011 na comparação com janeiro a novembro de 2010. Maranhão e Ceará ficaram bem próximos com índices de 9,7% e 9,4%, respectivamente. Sergipe teve o menor resultado, apenas 0,5%.
As Regiões Metropolitanas estudadas pela Pesquisa de Emprego e Desemprego do Dieese apresentaram queda nas taxas de desemprego, com destaque para a Região Metropolitana do Recife (RMR) que registrou a sua menor taxa (13,5%) desde o início da série em 1998.
Na Região Nordeste, o emprego formal cresceu 2,9% em 2011, alcançando um total de 8,2 milhões de postos de trabalho. Entre os Estados, o maior percentual foi registrado em Pernambuco, 4,6%. No Brasil, os empregos formais cresceram 3,6%, finalizando o ano com um estoque de 45,6 milhões de postos de trabalho.
O rendimento médio real dos trabalhadores também cresceu no ano passado nas Regiões Metropolitanas pesquisadas. Salvador teve a maior alta: 5,2%, elevando a média salarial para R$ 1.363,88. No Grande Recife, o aumento foi de 2,7% e o salário médio passou para R$ 1.141,07.
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