Estudo revela que 71,3% dos consumidores de Fortaleza afirmam fazer orçamento mensal e controle eficaz dos seus gastos e rendimentos
Segundo Pesquisa do Perfil de Endividamento do Consumidor de Fortaleza, realizada pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Comércio (IPDC), em parceria com o Banco do Nordeste (BNB), 71,3% dos consumidores de Fortaleza afirmam fazer orçamento mensal e controle eficaz dos seus gastos e rendimentos, o que contribui para um maior controle dos níveis de endividamento. 15,5% dos entrevistados informam realizar orçamento dos rendimentos, mas sem controle eficaz dos gastos e 13,2% relatam não possuir orçamento e tampouco controle dos gastos.
“A falta de planejamento orçamentário é um problema crítico para o controle do endividamento, estando sempre entre um dos principais motivos para o atraso ou inadimplência. Dos fatores que os consumidores consideram que mais contribuem para esse problema, lista-se: (1) as compras por impulso, sem necessidade ou além do necessário, com 34,7% das respostas; (2) a falta de orçamento e controle dos gastos, com 32,4%; (3) a antecipação de compras, com 20,5%; e (4) o aumento dos gastos considerados essenciais, com 19,4%”, destaca o presidente em exercício da Fecomércio-CE, Ranieri Leitão.
A Pesquisa do Perfil do Endividamento do Consumidor de Fortaleza revela também que 63,2% dos consumidores da capital cearense possuem algum tipo de dívida. O resultado está 4,5 pontos percentuais acima do verificado em dezembro (58,7%), sugerindo que o consumidor usou o crédito à sua disposição nas compras do final de ano. Apesar do crescimento do endividamento geral, os indicadores da qualidade do crédito mostraram relativa estabilidade, indicando que o consumidor mantém seu orçamento sob controle.
A proporção dos consumidores com contas ou dívidas em atraso teve queda de 1,4 pontos percentuais com relação ao mês de dezembro, passando de 19,9% para 18,5% neste mês de janeiro. Destaca-se a redução expressiva na proporção de endividados no grupo do sexo masculino, que passou de 18,4%, em dezembro, para 16,3%, em janeiro; dos consumidores com idade entre 18 e 24 anos, passando de 19,2% para 14,5%; e do grupo com nível superior de escolaridade, indo de 21,3% para 14,9%.
O tempo médio de atraso caiu de 58 para 56 dias, sendo que, em janeiro, 33,6% dos entrevistados relataram estar nessa condição por até trinta dias. A falta de controle financeiro foi o principal motivo citado como explicação para que os consumidores atrasem suas contas, tendo sido citado por 70,3% dos entrevistados com dívidas em atraso.
Em Fortaleza, 63,2% dos consumidores possuem algum tipo de dívida. Os instrumentos de crédito mais utilizados pelos consumidores são: (1) cartões de crédito, citado por 83,0% dos entrevistados; (2) os carnês e crediários, com 15,3% das respostas; (3) financiamento bancário (veículos, imóveis etc.), com 11,1%; e (4) os empréstimos pessoais, com 7,4%.
O consumidor utilizou o crédito para a compra de artigos de vestuário (48,3% das respostas), itens de alimentação (43,1%), eletroeletrônicos (30,5%) e a realização de despesas de educação (14,8%). As festas do final do ano contribuíram para o crescimento da demanda de bens de consumo imediato, mas as promoções e a facilidade de financiamento dos bens duráveis, principalmente automóveis e motocicletas, estão trazendo mudanças importantes nos hábito dos consumidores locais.
Com valor médio das dívidas em R$ 1.004,00 a parcela da renda dos consumidores comprometida com o seu pagamento teve redução de 1,0 ponto percentual com relação a dezembro, passando de 25,4% para 24,4%, em janeiro. A renda encontra-se mais comprometida com dívidas no grupo de consumidores com renda familiar superior a dez salários mínimos (29,4%) e na faixa etária entre 25 e 34 anos de idade (25,4%).
A ampla oferta de financiamento tem modificado o perfil do endividamento do consumidor de Fortaleza, ainda que se concentre no curto prazo, com 82,4% das dívidas em prazos inferiores há um ano e prazo médio de seis meses.
Uma das explicações para esse resultado é o padrão de consumo, muito limitado pela baixa renda do consumidor local: a compra de alimentos, itens de higiene pessoal e limpeza comprometeram 31,4% do orçamento familiar, acompanhado dos artigos de vestuário (21,5%), das despesas com educação e saúde (13,6%) e da aquisição de eletroeletrônicos (12,6%).
A taxa de inadimplência potencial, ou seja, a proporção de consumidores que não terão condições financeiras para honrarem seus compromissos, também apresenta redução, ficando em 4,4% em janeiro, 0,9 pontos percentuais abaixo do resultado de dezembro (5,3%). O perfil do consumidor inadimplente mostra preponderância do gênero feminino (5,4% de taxa de inadimplência potencial), com idade acima de 35 anos (5,1%) e renda familiar inferior a cinco salários mínimos (4,7%).
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