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Domingo, 19 de maio de 2013

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Empresariado está dividido quanto aos resultados da Rio+20

Qui, 31 de Maio de 2012 15:21
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Gestores apontam necessidade de definir metas claras e sansões legais para que discussões se transformem em ações concretas, diz pesquisa

 

 

empresarios_2A opinião dos representantes das empresas do país, que sediará o principal evento do ano sobre sustentabilidade, reflete uma divisão nas expectativas sobre os resultados das discussões da Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que acontece no Rio de Janeiro, de 13 a 22 de junho.

 

As conclusões estão presentes na pesquisa “Desenvolvimento sustentável no Brasil – Das visões do empresariado às práticas das organizações”, conduzida pela Deloitte, empresa de consultoria , entre 9 de abril e 15 de maio, com uma mostra de gestores de 108 organizações, de todos os portes e setores, que faturam juntas R$ 700 bilhões, o que corresponde a 17% do PIB do Brasil em 2011. A pesquisa foi divulgada nesta quita-feira (31)

 

Quase metade dos empresários entrevistados (45%) acredita que a Rio+20 contribuirá para acelerar as discussões em curso, e o mesmo percentual de respondentes aposta que a conferência não trará mudanças significativas. Os restantes, 10% dos entrevistados, têm visões também bastante distintas, que vão da aposta no evento para promover grandes transformações, até a possibilidade de que ocorra um retrocesso nas negociações globais.

 

Das discussões para a ação

 

Para transformar as questões a serem discutidas na Rio+20 em ações concretas, as alternativas mais assinaladas pelo empresariado indicam para a necessidade de definir metas claras a serem cumpridas (item indicado por 30% dos respondentes) e definir sanções legais a países e empresas que não cumprirem as metas (também 30%).

 

Outro caminho bastante indicado pelos entrevistados é a importância de aumentar o envolvimento com os temas da sustentabilidade, por parte das pessoas, como cidadãos e consumidores (22% das respostas), do próprio governo (13%) e das empresas (9%). Foram indicadas também outras soluções como a criação de órgãos supranacionais para tratar da sustentabilidade (10%) e o estabelecimento de protocolos entre as nações (8%).

 

Dos aspectos a serem discutidos na Rio+20, o empresariado acredita que os que trarão maior impacto à gestão de suas organizações, após a conferência, serão a adoção de novas tecnologias (20% dos apontamentos), a implantação de certificações e auditorias (19%), a racionalização do uso de recursos naturais, com o emprego de matérias-primas e insumos (16%) e a necessidade de aderência a regulamentações na área ambiental (14%).

 

Conhecimento sobre eventos e acordos

 

A pesquisa identificou que 94% dos entrevistados apresentam algum grau de conhecimento sobre a Rio+20. O Protocolo de Kyoto, por sua vez, é o acordo pelo desenvolvimento sustentável mais conhecido do empresariado brasileiro. Quase a totalidade (98%) dos entrevistados indica ter algum nível de conhecimento sobre o tratado que estabeleceu, em 1997, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), prevendo a redução da emissão de gases de efeito-estufa em países industrializados e o incentivo a projetos ambientalmente sustentáveis em todo o mundo.

 

Para Lucilene Batista, gerente sênior da área de Consultoria Ambiental e Sustentabilidade da Deloitte, “essa visão do empresariado se explica pelos impactos que o Protocolo de Kyoto exerceu na própria estratégia de muitas empresas e no mercado como um todo. “Ele foi fundamental para motivar o desenvolvimento da energia eólica, por exemplo”.

 

Compromisso e práticas adotadas

 

O compromisso com o desenvolvimento sustentável está formalizado no planejamento estratégico de 77% das empresas abrangidas pela pesquisa. A adoção de políticas e diretrizes de sustentabilidade ocorre em 47% das organizações (outras 26% indicam que pretendem adotar). A elaboração de relatórios de sustentabilidade se dá em 43% das empresas, com outros 25% delas informando intenção de fazê-lo. O gerenciamento de impactos ambientais ocorre em 42% da amostra.

 

Cerca de metade das empresas (51%) respondeu ter metas socioambientais estabelecidas. A prática de vincular a remuneração dos funcionários a metas associadas à sustentabilidade já faz parte da realidade de 27% das corporações entrevistadas.

 

Entre os programas e iniciativas pró-sustentabilidade mais adotados hoje pelas empresas, destacam-se, conforme a pesquisa: a coleta seletiva de lixo (73% delas já a praticam e 20% pretendem praticar), ações de responsabilidade social (65% já as realizam na comunidade e 60% entre os funcionários), a racionalização do uso de recursos naturais (54% já o fazem e outras 26% indicam intenção de fazê-lo) e atividades de educação ambiental (51% já adotam e 30% pretendem adotar).

 

A evolução dos últimos anos

 

A adoção de práticas sustentáveis vem ganhando maior adesão no ambiente empresarial brasileiro, como se verifica na comparação entre os resultados da pesquisa recém-realizada com outro estudo promovido pela consultoria em 2009. Na ocasião, 78% das empresas de uma amostra numericamente semelhante à atual responderam que adotavam práticas sustentáveis e 18% pretendiam adotar. Na pesquisa de 2012, 85% afirmam adotar essas práticas e 12% (na sua grande maioria, pequenas e médias empresas) manifestam intenção de fazê-lo.

 

Outra comparação entre os dois estudos é sobre os  investimentos em iniciativas pela sustentabilidade. Em 2009, 29% das empresas direcionavam entre 1% e 3% da sua receita para práticas desse tipo. Em 2012, o índice cai para 7%. Da mesma forma, em 2009, 15% das empresas ficavam na faixa de menor investimento (com apenas 0,1% da receita sendo destinada a iniciativas sustentáveis), contra 21% na amostra atual.

 

De acordo com Anselmo Bonservizzi, da Deloitte, essa aparente diminuição de investimento merece ser contextualizada. “No final da última década, principalmente as grandes empresas estavam numa fase mais intensa de aderências a novas práticas ambientais, enquanto, hoje, o foco está na manutenção desse perfil de iniciativa e no aumento de investimentos em outras áreas ligadas à sustentabilidade, como a social. Esperamos, entretanto, que o perfil de empresas aderentes a estas práticas seja expandido”, explica.

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