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Sexta-feira, 18 de maio de 2012

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O clichê inevitável

Por Ana Cristina Cavalcante
Qui, 26 de Janeiro de 2012 10:15
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Iniciativa desbravadora norte-americana terá que ser contida em benefício da reconstrução da hegemonia ianque

 


ObamaO presidente mais pop da história dos Estados Unidos, Barak Obama, fez, no final da noite de terça-feira (24), o último Discurso sobre o Estado da União de seu primeiro mandato. A peça de oratória, como era esperado, contou com generosas doses do já conhecido e testado  charme do egresso de Columbia e Harvard.   Mais do que consolidar o talento para encantar sua audiência ou convencer os congressistas norte-americanos do que quer que fosse, a fala presidencial revelou-se como estratégia de campanha. E, claro, elegeu a economia como estrela da companhia. Aqui, o discurso de Obama passa a interessar a esta Cenário.

 

O slogan “mais impostos para os ricos e menos para a classe média” juntou-se à proposta de incentivos fiscais para ampliar a produção e ao apoio praticamente irrestrito a programas de inovação. São os caminhos para tirar a economia americana da lona. Assim como a educação (leia-se, também, capacitação profissional) é outra área a figurar no rol de prioridades do Tio Sam.  A imigração, nevralgia da política dos Estados Unidos, foi igualmente colocada por Obama como item a ser revisto. A ideia é evitar que estrangeiros qualificados com o conhecimento adquirido nas universidades locais sejam convidados a retirarem-se do país, levando consigo seu empreendedorismo.

A diáspora de empregos provocada pelas empresas americanas que abrem linhas de montagem em outros mercados também foi contestada pelo presidente. E, neste ponto, ficou clara a proposta nacionalista (no bom sentido, diria o convicto americano) da nova feição econômica do país. Agora, além do protecionismo já tão tradicional, a iniciativa desbravadora norte-americana terá que ser contida em benefício da reconstrução da hegemonia ianque.

Barak Obama seguiu conclamando: “O país precisa apoiar o surgimento de novos Steve Jobs”. Mais ainda: “As mulheres têm que ter salários iguais aos dos homens”. Outra? “O americano gasta mais com mensalidades da universidade do que com o seu cartão de crédito. Reduzam suas mensalidades, universidades”. E as hipotecas e refinanciamentos mágicos? Ah... Nessa expertise, nós não estamos interessados.

Um amontoado de clichês econômicos, dispostos um ao lado do outro e separados apenas pela claque, é a síntese da mensagem do homem mais importante do planeta. Todos direcionados para um alvo só: a geração dos empregos que salvarão os Estados Unidos da América. Mas, queridos leitores-internautas, não classifiquem o presidente-pop como um despreparado. Absolutamente, não!

Obama tem a noção exata de que, embora senso comum, a receita que propõe adotar é a única possível. A retomada do ritmo econômico no seu país depende de todos esses ingredientes. E, sim, precisa da mão protecionista, do nacionalismo de última hora e do sentimento de “juntos venceremos”.  Por essas e outras (já que o tema é clichê), as frases feitas de Barak Obama, ditas ontem no Congresso americano, fazem todo o sentido.



ECONOMIA REAL

Pré-Carnaval, praia e chiclete

O pulsante mercado do Nordeste chamou a atenção de mais uma gigante do setor produtivo. É a Kraft Foods do Brasil que, literalmente, invadiu as praias das três maiores economias regionais: Bahia, Ceará e Pernambuco (ok, está em ordem alfabética). Uma série de ações de marketing para a marca Trident é o plano para a Kraft ampliar seu já considerável market share aqui. A preços de hoje, avançou 32% em volume e 43% na categoria valor entre 2009 e 2011. De acordo com dados do ano passado, a marca Trident tem liderança absoluta entre os nordestinos com 44,7% de participação de mercado, em valor, e 28,8% de participação de mercado, em volume. As informações são do Instituto Nielsen, leitura de outubro de 2010 a novembro de 2011.

>> Quem quiser checar in loco as ações da Trident, basta sair no Bloco Unidos da Cachorra durante todo o Pré-Carnaval de Fortaleza. Ou dar uma passada, nos finais de semana de janeiro e fevereiro, pelas barracas Vira Verão, Marulho e Itapariká, na praia do Futuro.


Na TV...

Por falar em ações de marketing, a Vivo e a Macavi também estão renovando suas estratégias. Em parceria, as duas marcas patrocinam as transmissões dos jogos do Campeonato Cearense 2012 pela TV Diário. Um comercial e uma vinheta para televisão foram desenvolvidos pela Agência Zero 85. Os filmes são veiculados durante os intervalos das partidas. Em tempo: a agência atende alguns parceiros da Vivo no Ceará.



O caminho das frutas

PolpaUma das grandes invenções econômicas das últimas décadas são os Arranjos Produtivos Locais (APLs), livremente inspirados numa experiência internacional: os clusters. No Ceará, algumas iniciativas de APLs são surpreendentemente interessantes. Um exemplo é o APL de Quixeré, na Região do Baixo Jaguaribe. Lá, a comunidade organizada recebe suporte do Governo do Ceará, por meio da Secretaria das Cidades, para produzir 12 toneladas de polpas de frutas por mês. O volume é absorvido pelo mercado local ou pelas cidades do entorno. E esse não é o único caso, não! Estão espalhados pelo Estado, uma série de APLs em segmentos diversos. Eles existem para provar que uma comunidade apoiada por órgãos técnicos e devidamente capacitada pode produzir, gerar emprego e movimentar a economia local. É como diz a canção: “me ensina a fazer renda...”



TUDO É ECONOMIA

MargarethO assunto é Oscar, mas bem que poderia ser neoliberalismo. O favoritismo da atriz americana Meryl Streep para faturar a estatueta de Melhor Atriz, segundo a Academia de Hollywood, dá ainda mais visibilidade ao filme que conta a história da poderosa Margaret Thatcher. Nos anos 80, a britânica ultraconservadora assumiu os rumos de uma das maiores economias da época – a do Reino Unido.  Junto com seu colega norte-americano, Ronald Reagan, imprimiu um modelo baseado nas lições de Adam Smith – pensador que pregou o Estado Mínimo.

>> O filme não fala muito de política, muito menos de economia. Mas, vale o registro. Thatcher não angariou apenas muita antipatia dos "workers" e a inimizade eterna com os argentinos – de quem tirou as Malvinas. Ao seu governo de mais de 10 anos é atribuída a redução da inflação, com valorização da moeda (lembrando que a libra esterlina continua tão forte que a Terra da Rainha não entrou para a Zona do Euro). O que nem mesmo a Dama de Ferro conseguiu foi a redução do desemprego naquela difícil década de 1980.


PENSAMENTO ECONÔMICO

“Parece-me bem claro que o Brasil não teve ainda um bom governo, capaz de atuar com base em princípios, na defesa da liberdade, sob o império da lei e com uma administração profissional. Bastaria um período assim, acompanhado da verdadeira liberdade empresarial, para que o país se tornasse realmente próspero.”

>> Já que estamos falando em Dama de Ferro, o Pensamento Econômico é dedicado a uma declaração dada por ela à Revista Veja, em 1994. Olhando pelo retrovisor, “parece-nos bem claro” que Thatcher até acertou sua previsão de prosperidade para o Brasil. Só errou – e feio – a receita econômica que utilizamos para chegar até aqui. Keynes explica.

 

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