Greve dos policiais militares em Fortaleza paralisou economia da cidade
“Alguns condutores já saltaram para a rua dispostos a
empurrar o automóvel empanado para onde não fique a
estorvar o trânsito (...) o homem que está lá dentro vira a
cabeça para eles vê-se que grita qualquer coisa, pelos movimentos
da boca percebe-se que repete uma palavra, uma não, duas, Estou cego.”*
O 3 de janeiro de 2012 vai entrar para a história como o dia em que a quinta maior cidade brasileira capitulou diante de um inimigo invisível, mas poderoso: o medo. A deflagração de um movimento grevista dos policiais militares cearenses, por vias absolutamente tortas, transformou-se no gatilho para uma histeria coletiva que paralisou a economia da Capital (e, de quebra, afetou a de algumas cidades importantes do Estado). O comércio fechou as portas, a indústria dispensou seus funcionários e abdicou de um turno inteiro de produção; as pessoas se enfurnaram em suas casas, trancando portas e janelas... Enfim, um quadro que poderia estar retratado num ensaio literário.
O poder de irradiação de informações, nem sempre confiáveis, das redes sociais deu dimensão inesperada à sensação de insegurança vivida pelo fortalezense, naquele dia. Houve, é fato, episódios como assaltos, tiroteios, furtos. Mas, certamente, não ocorreram na proporção em que foram descritos e “atestados” com o “eu vi” na internet. A atitude irresponsável dos contadores de notícias que não aconteciam fez com que todos nós vivenciássemos, na pele, uma teoria econômica importante (talvez, a mais importante delas): a economia se dá na expectativa. O leitor-internauta mais frequente desta Cenário já conhece o conceito que, aqui, pode ser resumido numa espécie de gota de sabedoria popular: “O medo faz o que se teme acontecer”.
Do mesmo modo que um especulador do mercado financeiro vaza uma informação ou simplesmente solta um boato para derrubar ou valorizar ações, baixar a cotação do dólar ou promover fuga de capitais para um país que pague juros mais altos, o efeito manada às avessas da terça-feira fez o que o sindicalismo nacional jamais conseguiu: algo bem parecido com uma greve geral. E o mérito, nem de longe, está no poder de articulação das “lideranças” grevistas. O que fez Fortaleza parar foram a boataria e o pânico. Nada mais, nada menos.
Em síntese, a experiência do 3 de janeiro é uma aula prática de economia keyneziana. Afinal, o manual ensina que as decisões sobre consumo, produção e investimento são sempre tomadas a partir da expectativa que temos sobre o que virá. Por essas e outras razões cotidianamente colocadas bem à frente de nossos narizes, vale bater naquela tecla: tudo é economia. Mais do que isso, porém, o drama absurdo que experimentamos no início da semana passada mostra como estamos expostos à cegueira coletiva. E à tolice também. Mas esse ensaio Saramago não gostaria de escrever.
* Trecho de Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago
ECONOMIA REAL
Fazendo moda
Fortaleza mantém a posição destacada no mercado de moda nacional. Muito desse status é resultado do empreendedorismo local, especialmente na área dos eventos. Um deles é o badalado Dragão Fashion Brasil (DFB), considerado o mais expressivo evento da indústria da moda do Nordeste e um dos principais representantes do cenário conceitual brasileiro. A edição deste ano está marcada para o período 9-13 de abril, aqui em Fortaleza. O edital do Concurso dos Novos 2012 já foi lançado e propõe às instituições de ensino de Moda e Design do Brasil uma parceria por meio das oficinas de criação. Segundo as regras do 13º DFB, cada instituição selecionada para a segunda etapa desfilará sua coleção já neste ano. Serão selecionadas oito equipes que vão concorrer à premiação de R$ 6. Mil. Claro que tem troféu, também!
>> Mais detalhes sobre o evento e o concurso estão no portal www.dfhouse.com.br.
Fervura do varejo
O leitor-internauta atento às campanhas publicitárias de TV, rádio, jornais e mídias digitais já deve ter percebido como está fervendo o varejo nacional. O combustível para tamanha pujança são o crédito facilitado e o dinheiro circulando pela economia brasileira. O desempenho é tão bom que as redes estão saindo, cada vez mais, das capitais e regiões metropolitanas em direção às cidades do Interior. A GBarbosa é um exemplo disso. A rede supermercadista acaba de abrir mais uma loja na cidade baiana de Juazeiro – 500 km ao norte de Salvador. Trata-se do Hiper GBarbosa, inaugurado nesta primeira semana de 2012.
>> A direção da rede comemora não só a abertura de mais uma loja. Celebra, também, o fortalecimento do Nordeste na subsidiária brasileira da chilena Cencosud - uma das principais companhias do mercado de varejo latino-americano com presença na Argentina, Brasil, Colômbia e Peru. Sergipana de nascimento, a GBarbosa conta hoje 69 lojas, 59 Farmácias e 61 Eletroshow nos estados de Bahia, Alagoas, Pernambuco e Ceará, além de Sergipe. É a quarta maior supermercadista do País, segundo o ranking nacional da Abras (Associação Brasileira de Supermercados).
Dicas do Eike
E o homem mais rico do Brasil, dono de alegados R$ 50 bilhões, resolveu compartilhar sua receita de “Como ficar bilionário e figurar no ranking da Forbes” com os pobres mortais brasileiros. Eike Batista, o número 8 do mundo na lista dos mais abastados, usou rede nacional para contar sua fórmula mágica. É isso, meus queridos leitores-internautas, agora, ganhar um prêmio acumulado da Mega-Sena não é mais a única forma de enricar. Basta prestar atenção nas dicas e, claro, colocá-las em prática.
Como esta Cenário também é utilidade pública, seguem as brilhantes e absolutamente inovadoras dicas do Eike, em suas próprias palavras:
1) “Você tem que ter disciplina, uma boa ideia e, depois da boa ideia, elaborar um plano de negócios muito detalhado.”
2) “Se não tiver uma boa ideia, pode estudar a possibilidade de uma franquia. O iniciante deveria começar por aí. E daí vai ver que a pessoa vai criando novas ideias. Depois que você começa a tocar uma lojinha, seja do que for, você tem aquele aprendizado do dia a dia, que vale muito.”
3) “É preciso delegar. Eu não tenho o mínimo problema de delegar. Agora, cobro muito. É fácil você cobrar. Eu gosto muito de checar, então isso obriga todo mundo a ser transparente.”
4) “Eu incentivo a distribuição de lucros para empregados. Isso vale também para os pequenos empresários. Até o dono da padaria deveria pegar uns 20% lá e distribuir para os funcionários. Faz um efeito inacreditável.”
A Coluna também arrisca mais algumas dicas, agora não mais nas palavras do bilionário: 5) seja hábil na captação de recursos para seus empreendimentos; 6) recorra, sempre que preciso, a dinheiro virtual; 7) e – esta é a mais importante de todas – jamais esqueça de colocar a letra X nos nomes de suas empresas.
PENSAMENTO ECONÔMICO
“Para existir, o homem deve revoltar-se, mas sua revolta deve respeitar o limite que ela descobre em si própria e no qual os homens, ao se unirem, começam a existir.”
>> Não, queridos leitores-internautas. A Coluna de hoje não é sobre literatura. Mas os últimos acontecimentos clamam pelo pensamento de Albert Camus. Está na obra “O Homem Revoltado” e vem muito a calhar.
Avaliação está no Comunicado 148 sobre efeitos assimétricos da política monetária
Objetivo é dar continuidade ao processo de formação das escolas conveniadas
Iniciativa tem como objetivo promover a integração de fornecedores de produtos e serviços com os profissionais da área tecnológica
Expectativa é que sejam gerados cerca de R$ 80 milhões em negócios
As frequências adicionais começarão a operar no dia 1º de junho e os bilhetes já estão à venda no site da GOL