O movimento Occupy Wall Street é, justamente, a percepção de que uma economia fortemente amparada pelo jogo de fazer dinheiro não é segura
‘Cause we're living in a material world
And I, I'm a material girl
You know that we are living in a material world
And I, I'm a material girl’
Quando Madonna cantou os versos que abrem a Coluna de hoje, na distante década de 1980, muita gente creditou a sinceridade a uma veia rebelde da pop star ítalo-americana. Outros, mais céticos, taxavam a letra de comercial; marketing para vender discos. Já os adolescentes menos exigentes dançavam e pronto. Quase 30 anos depois (a canção é de 1985), Material Girl ganhou uma versão ‘politizada’ e entoada pelo herdeiro do Beatle mais ativista, John Lennon. Sean Lennon pegou seu violão, juntou-se a outros músicos, foi a Wall Street e cantou contra a especulação financeira.
Se é verdade o que dizem por aí - que os americanos levam muito mais tempo para perceber o óbvio -, o movimento Occupy Wall Street é, justamente, isso. A percepção de que uma economia fortemente amparada pelo jogo de fazer dinheiro não é segura. A constatação parece ter chegado, finalmente, às mentes bem alimentadas dos sobrinhos do Tio Sam, que protestam há algumas semanas no centro financeiro mais famoso do mundo. Querem punição para os responsáveis pela crise de 2008; também pedem menos interferência dos ‘empresários’ nas políticas econômicas adotadas por seu governo; reclamam do capitalismo que, de repente, passaram a considerar selvagem; e – para não dizer que não falam de flores – repetem palavras de ordem contra a assimetria social.
Com pitadas vintage e toques de modernidade, o movimento junta na mesma receita a inspiração na Primavera Árabe – que busca, ao mesmo tempo, democracia e emprego – e o poder de mobilização das redes sociais da internet. Mas estaria o cerne da questão suficientemente claro para os neoengajados americanos que ocupam Wall Street desde meados de setembro? O núcleo-base de toda a cadeia de efeitos da crise de 2008 (aquela dos subprimes) reside exatamente naquilo que o way of life americano preserva com tanto apreço: o dinheiro em forma não de papel-moeda, mas de títulos que, facilmente, chegam às prateleiras do consumo pela via do amplo crédito.
Paradigma que vale trilhõe$
Estariam os ocupantes de Wall Street prontos e dispostos a quebrarem este paradigma? Ou não medem as consequências do que dizem seus cartazes de protesto? Querem mais emprego. Ok. Mas querem também desviar os trilhões que abastecem a Bolsa e os bancos de investimento para a economia real – que demandará um bom tempo até começar a gerar os empregos que faltam hoje? São todos pontos cruciais para definir o que virá. Uma cultura econômica não se muda assim tão fácil. Mas o movimento ganha ares de histórico, justamente, por propor a discussão entre aqueles que, até outro dia, sequer cogitavam qualquer imperfeição em seu sistema.
Mesmo que nada mude, o Occupy Wall Street já cumpriu a sua missão. E o que parece apenas uma coincidência, à primeira vista, surge como prova de que a História tem seus truques. Em 1985, a pop song embalava os yuppies de Wall Street. Ao som de uma boa trilha sonora, os especuladores cheios de charme daqueles anos neoliberais seduziam tanto quanto enchiam seus bolsos com artimanhas e manipulações. É isso, caros leitores-internautas, a Wall Street ocupada aponta o dedo para a verdadeira Material Girl . Destes e daqueles tempos.
ECONOMIA REAL
Enquanto isso, na Europa...
O número de vezes que essa Coluna comenta a situação da Europa é emblemático do tamanho do problema que o Velho Mundo enfrenta. A semana foi marcada por notícias que parecem repetidas. Desemprego na Espanha, gregos protestando agora não apenas nas ruas de Atenas contra o aperto fiscal, preocupações do Banco Central Europeu, medidas de urgência para conter o pânico nos mercados... Enfim. A verdade é que a crise europeia é uma lição clássica de economia política. Com seus prós e contras.
>> A criação da União Europeia (com a zona do euro) e a manutenção a fórceps até o último momento possível do Welfare State são experiências históricas complexas demais. Por isso mesmo, demandam soluções igualmente complicadas. Juntar países cultural, econômica e politicamente tão diferentes num bloco e chamá-lo de União não é simples. Também não se poderia esperar que fosse fácil conceder um sem número de benefícios sociais – alguns até desnecessários – e depois retirá-los. Mesmo sob o indiscutível argumento de que ‘acabou o dinheiro’.
>> A Europa reunida no bloco econômico mais importante do mundo está numa sinuca de bico. Sair da crise requer desde uma quebra de paradigma até o uso dos artifícios de proteção criados pela própria União Europeia. Já no que diz respeito ao Welfare State, bom, aí, os europeus vão ter que se conformar com as perdas inevitáveis. Mas, se a gente consegue...
Just in case
A expressão em inglês acima quer dizer, numa tradução muito livre, que é ‘melhor prevenir do que remediar’. Baseado nesse preceito universal, o Comitê de Política Econômica (Copom) baixou a taxa básica de juros no Brasil para 11,5% ao ano. A decisão de manter a Selic em curva descendente foi creditada às dificuldades de Estados Unidos e Europa. Se existe a possibilidade de a crise estagnar a economia, então, tem mesmo que deixar o freio de mão solto. Ou meio solto. Afinal, os juros reais praticados no Brasil permanecem no topo do ranking mundial.
Olho (da) Vivo
Porque o Nordeste cresce em ritmo chinês, a Vivo resolver voltar com seu foco para região e retomar a estratégia de ampliação de sua base de clientes. Durante a semana, a operadora lançou promoção e campanha publicitária para informar que passa a operar em 1.800 MHz, tornando-se a única a oferecer chip capaz de ser utilizado em qualquer aparelho GSM desbloqueado. O garoto-propaganda escolhido foi Pelé. Segundo a Vivo, a rede aumenta a capacidade de tráfego de voz e garante maior qualidade nas chamadas feitas pelos clientes. Para marcar essa nova fase, preparou, exclusivamente para os consumidores de Ceará, Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte, ação promocional na qual ligações e mensagens ilimitadas para qualquer celular da operadora no País (local ou interurbano), passam a custar R$ 0,25 por dia. Já as ligações locais para telefones fixos vão sair por R$ 0,10 o minuto.
>> O gerente regional, Fábio Vinícius (foto), conversou com a Coluna sobre o novo momento da Vivo na região. “Trata-se de uma forma de comemorar o início da operação da frequência 1.800 MHz na região Nordeste. Vamos iniciar essa fase com uma promoção para superar qualquer outra oferta do mercado. O objetivo é ser a operadora com o melhor posicionamento nos quesitos vantagens e economia para o público. E seremos", prevê o categórico executivo. Sobre a decisão de voltar ao Nordeste (quem não lembra do boom de vendas de chips na chegada da Vivo ao estado?), revelou a responsabilidade com que a operadora trata a questão do overbooking na venda de chips e aparelhos. “Tivemos alguns problemas no início, mas agora já se passaram três anos de investimentos em tecnologia e infraestrutura da nossa rede. E com a entrada da nova frequência 1800 MHz, estamos ainda mais preparados para receber e conectar, com alta qualidade, os milhares de clientes que virão”,
Por falar nisso...
No Nordeste, a presença da Vivo é consolidada pela operação em 401 municípios nos seis estados que compõem a regional Nordeste. Destas, 291 com sinal 3G. Assim como no restante do País, a Vivo é líder em tecnologia de terceira geração, com uma cobertura maior que a soma dos seus concorrentes. Em relação aos investimentos feitos entre 2008 e 2010 e a previsão para 2011, a soma é de R$ 1 bilhão, aplicados em ampliação da rede e melhoria contínua da qualidade dos serviços prestados.
Thomas Malthus e os 7 bilhões
Na virada do século 18 para o 19, um bem nascido professor de Economia Política (olha ela aqui de novo!) viajava a Europa para conferir in loco se suas suspeitas procediam. Era um senhor inglês que gostava de fazer projeções. Principalmente, as demográficas. Numa delas, constatou que a população humana crescia em progressão geométrica, enquanto a produção de alimentos batia apenas na cadência aritmética. Dono de teorias que inspiraram Charles Darwin e Keynes, atendia pelo nome aristocrático de Thomas Malthus. Por volta do meio dia deste 31 de outubro – coincidência ou não, uma segunda-feira – seremos 7 bilhões de habitantes no planeta. O que diria o ex-pastor anglicano Malthus se constatasse, hoje, que certo desapego religioso, aliado a muita tecnologia, possibilitou que nós fôssemos nos ajustando aos novos tempos? Somos bilhões. Mesmo pensando melhor antes de trazer mais um bebê à Terra e desenvolvendo modos de produção mais sofisticados e eficientes... Mas numa coisa Malthus continua tendo razão. Muitos de nós ainda vão morrer de fome até que o humano número 7 bilhões chegue ao mundo antes da hora do almoço.
TUDO É ECONOMIA
O Exame Nacional do Ensino Médio – o mais protagonista do que nunca, Enem – está nas manchetes nacionais. De novo. Desta vez, o caso de vazamento de questões veio para consolidar a tese defendida aqui de que tudo é economia. Nesse caso específico, numa de suas facetas mais cruéis: a concorrência desenfreada na busca de market share. Senão vejamos, queridos leitores-internautas: o número de alunos que cada escola privada aprova no exame transformou-se, nos últimos dois ou três anos, em argumento mercadológico definitivo.
Mais do que tablets que substituem livros, o ranking do Enem ‘credencia’ as escolas para receberem os filhos das classes abastadas. Se já não fosse suficientemente nefasto (isso mesmo, a palavra é essa) a educação virar mercadoria, as empresas de educação competem entre si para ver qual delas é a campeã nesse ‘vale tudo’ para conseguir mais um aluno. Saber se houve mesmo a distribuição de apostila com questões de um pré-teste, com a expressa recomendação de que só alunos do colégio poderiam ver, é só a ponta do iceberg de uma tragédia bem maior. Não há nenhuma justificativa possível para a mercantilização sem limite do que deveria ser sagrado: a educação.
PENSAMENTO ECONÔMICO
“Quando as circunstâncias mudam, eu mudo também. E o senhor?”
Sábias palavras de John Maynard Keynes, ao ser criticado por ter mudado de posição. O Pensamento Econômico do guru Keynes é uma confirmação tácita dos ajustes que a economia requer ininterruptamente. De quebra, vale como ensinamento para as nossas vidas.
Avaliação está no Comunicado 148 sobre efeitos assimétricos da política monetária
Objetivo é dar continuidade ao processo de formação das escolas conveniadas
Iniciativa tem como objetivo promover a integração de fornecedores de produtos e serviços com os profissionais da área tecnológica
Expectativa é que sejam gerados cerca de R$ 80 milhões em negócios
As frequências adicionais começarão a operar no dia 1º de junho e os bilhetes já estão à venda no site da GOL