Sob o pretexto da discussão republicana, o que grande parte dos representantes do povo dos Estados Unidos vem fazendo é sabotagem mesmo. Ou em outra palavra mais precisa: racismo
Duas ciências direcionam nossas vidas cotidianamente. Economia e Política existem para isso mesmo... Traçar rumos e estratégias, caminhos que nos conduzam ao sonhado bem-estar social, à vida em harmonia, à convivência o mais justa possível entre os estratos e a tudo o mais que orbita em torno desses conceitos. E quase sempre cumprem esse papel. Mas, quando alguns desavisados resolvem fazer besteira em seu nome, o estrago é diretamente proporcional ao bem que podem fazer à sociedade. Menos de três anos após a última trapalhada – a crise dos subprimes, gerada por uma desregulamentação irresponsável no mercado financeiro dos Estados Unidos – eis que, também da Terra do Tio Sam, vem mais uma grande bobagem.
A crise política que envolveu a difícil aprovação do aumento do teto da dívida norte-americana pode, inclusive, ser considerada a maior de todas as irresponsabilidades de que se tem notícia, no Ocidente, do século 20 até aqui. E o que parece exagero à primeira vista é melhor compreendido quando se percebe o emaranhado de hostilidades em que se transformou a política no governo de Barack Obama.
Sob o pretexto da discussão republicana, o que grande parte dos representantes do povo daquele país vem fazendo é sabotagem mesmo. Ou em outra palavra mais precisa: racismo. Simples assim. A ideia de que o primeiro presidente negro da América seja bem-sucedido não passa pela cabeça de muita gente com poder de decisão por lá. Gente também conhecida por pertencer à “irmandade” Tea Party.
É preciso conhecer a Main Street
Claro que Obama facilita as coisas para sua ferrenha oposição quando mantém ao seu lado uma equipe de acadêmicos pouco habituados com a economia real da Main Street, onde as pessoas comuns vivem o dia a dia. Seus assessores parecem não reconhecer nada além de Harvard ou de Wall Street. Pode até faltar pulso ao presidente dos Estados Unidos, também. Mais feeling ao lidar e convencer a opinião pública descomprometida e até certo ponto alienada de seu país.
Mas não é justo atribuir a ele (ou à alegada pouca habilidade política) o imbróglio da dívida, resolvido apenas aos 31 minutos da prorrogação de uma partida que não poderia ser definida nos pênaltis. O mundo parou – e gelou! No fim, sem surpresa, quase tudo "deu certo". O limite da dívida foi alterado, o governo vai fazer cortes sem aumentar impostos... No entanto, o problema não desapareceu no ar e a consequência mais imediata disso foi o rebaixamento da classificação de risco dos Estados Unidos.
Simplismo
A verdade, querido leitor-internauta, é que a questão central nunca foi a possibilidade de default (incapacidade financeira de honrar compromissos) tampouco o rebaixamento do grau de confiança que se pode ter na economia norte-americana, determinado por agências de rating com pouca ou nenhuma credibilidade. O entrave é político. E não se trata da maioria republicana no Congresso ou do boicote permanente ao governo de Barack Obama. Essa seria uma visão simplificada demais.
O X da equação é o uso mal intencionado da Economia como desculpa esfarrapada para prejudicar um governo não aceito pela tal América Profunda, representada pelos conservadores e reacionários. O beco sem saída econômico da nação mais rica do planeta contribui para agravar a situação. Conjuntura, diga-se a bem da verdade, construída pelo governo republicano anterior ao atual.
Obama precisa ter energia para colocar nas ruas uma estratégia econômica capaz de fazer os Estados Unidos voltarem a crescer e, assim, gerar emprego, renda para as famílias consumirem e favorecer um clima de felicidade e auto-estima – sentimento capaz de reverter qualquer expectativa de recessão. Isso requer força política. O que, por enquanto, parece não ser uma verdade absoluta. E, se o cenário não permite grande otimismo, o vinho continua virando água na terra do chá.
ECONOMIA REAL
Reação à brasileira
Uma política de estímulo à indústria é a arma que o governo brasileiro encontrou para reagir a qualquer marolinha que chegue das águas do Norte. Alguns setores estão sendo beneficiados pela desoneração da atividade produtiva, inclusive da folha de pagamento dos funcionários. Vejam que a receita, agora, é outra. Contra a crise dos subprimes, o remédio foi o incentivo ao consumo, puro e simples, com a expansão do acesso ao crédito e muita liquidez no mercado. Funcionou. Desta vez, a solução é mais elaborada. O governo de Dilma Rousseff deu um passo à frente ao fortalecer a indústria nacional, além de reforçar a necessidade de todos contribuirmos para manter a economia no ritmo adequado – indo às compras.
>> E como em Economia nada é aleatório, a decisão de lançar uma política industrial está baseada na necessidade de dar robustez ao produto nacional. Isso porque o dólar barato continua reduzindo a competitividade dos artigos Made in Brazil, no comércio exterior. E olhem só! As dificuldades dos Estados Unidos já estão trazendo mais dólares para cá, atraídos pelos nossos juros campeões (lembrem: não há nenhum mérito em ter juros estratosféricos). Então, a despeito das insistentes disposições em contrário, a estratégia brasileira é eficiente, sim. PT saudações.
Enquanto isso, na Europa...
O leitor-internauta já ouviu por aqui que o mundo é uma bola. Se alguém tinha dúvidas, os últimos acontecimentos econômicos encarregaram-se de dissipá-las. O que acontece ali, reflete aqui. Vejam o caso da Europa... Diferente do que ocorre nos Estados Unidos, que ainda têm muito dinheiro para pagar suas dívidas – e, se por acaso faltar, eles fabricam mais moeda –, lá, o problema é outro. Também já foi dito nesta Cenário que o custo dos estados europeus é muito alto. Ao final da Segunda Guerra Mundial, o Velho Mundo fez uma opção pelo Welfare State. O Estado de Bem-Estar Social que atende muito bem aos cidadãos, mas sai muito caro para os governos.
>> Os problemas evidenciados por Grécia, Irlanda, Itália e Espanha são causados por um imenso déficit fiscal. Isso quer dizer que os estados gastam muito mais do que arrecadam. Para sanar o gargalo seria necessário elevar as receitas para ir, aos poucos, reduzindo o saldo negativo de hoje. Só que, para arrecadarem mais dinheiro e bancarem seus gastos públicos, esses países precisam crescer. O que, neste momento, não parece ser uma luz no fim do túnel. Por uma questão cultural, os europeus não consomem mais do que precisam; por uma questão de cartilha econômica, muitos desses países passam por um processo de desindustrialização. Percebam que muitas plantas industriais de grandes marcas europeias foram sendo transferidas para países como o Brasil, a Índia e outros emergentes. Arrematando, os países em crise também têm graves problemas políticos como é o caso do italiano Silvio Berlusconni.
“Muito bem, obrigado!”
Tanto o mau momento dos norte-americanos como as imensas dificuldades dos europeus acabam repercutindo em países que “vão muito bem, obrigado!”. O Brasil não está imune a todo esse movimento. Do mesmo modo que surfou a onda do crescimento mundial dos anos 2000, agora, sofre os efeitos do ritmo lento das nações hegemônicas. A diferença é que , desde 2008, está mais bem preparado, sustentado por fundamentos econômicos sólidos. Mesmo. Ou será que reservas cambiais na casa dos US$ 348 bilhões não são um bom argumento? O mercado doméstico também é outro pilar nacional indiscutível. O palpite da Coluna é que nossas demandas reprimidas, aliadas à possibilidade de consumir mais por causa da renda maior, são garantia de muitos anos de desenvolvimento socioeconômico. Oxalá!
TUDO É ECONOMIA
A semana começou com o previsível pânico nas Bolsas de Valores do mundo. Quedas vertiginosas no fechamento dos pregões da segunda-feira pós-rebaixamento dos Estados Unidos pela Standard & Poor’s. Muita gente quase surtou porque “estava perdendo dinheiro” das suas aplicações em ações. Ora, meus queridos leitores-internautas! Investir na Bolsa pressupõe das duas uma: ou se tem uma preparação psicológica para suportar essa montanha-russa ou certa malandragem para compreender, sem sustos, que nem sempre o que parece é. Vejam: no mercado de capitais, só se ganha se houver oscilação. Isso porque a regra de ouro nos negócios, aí, é o famoso “compre na baixa e venda na alta”. Só que sem a especulação (que recebe o nome mais bonitinho de volatilidade), como os negócios iriam se mexer para que houvesse baixas para se comprar e altas para se vender?
>> Era óbvio que as Bolsas reagiriam ao rebaixamento da nota dos Estados Unidos. Mas e se o rebaixamento fosse, digamos, premeditado justamente para causar os picos da segunda-feira? Será que alguém vendeu antes da baixa? Ou, ainda, será que as empresas de seguros desses papéis ganharam com a queda? Enfim... Como diria o cantor mais popular do País, “são tantas emoções”.
Pensamento Econômico
“A China não vai continuar crescendo 9% nos próximos 30 anos, porque não cabe no mundo”
>> Pensamento do economista e ex-ministro da Fazenda, Antônio Delfim Netto. Apesar da cartilha neoliberal que sempre seguiu, Delfim é considerado um gênio da Economia. À declaração acima, ele ainda oferece um complemento que vale a pena conferir: “O resto do mundo teria de crescer apenas 1% para a China continuar crescendo 9% nos próximos 30 anos. A China não cabe no mundo. Você não vai conseguir fazer 1,4 bilhão de chineses com US$ 25 mil de renda per capita por que não tem alumínio, cobre, água e energia.”
Avaliação está no Comunicado 148 sobre efeitos assimétricos da política monetária
Objetivo é dar continuidade ao processo de formação das escolas conveniadas
Iniciativa tem como objetivo promover a integração de fornecedores de produtos e serviços com os profissionais da área tecnológica
Expectativa é que sejam gerados cerca de R$ 80 milhões em negócios
As frequências adicionais começarão a operar no dia 1º de junho e os bilhetes já estão à venda no site da GOL