Concentração no mercado: aquisições e fusões de grandes empresas no Brasil
Se 21 anos atrás a globalização inseriu, mesmo que a fórceps, países como o Brasil na “roda da fortuna” do mundo moderno, agora começa a mostrar seu lado mais perigoso. Não, queridos leitores-internautas; não vamos falar de crise econômica nem do contágio grego, italiano, irlandês ou espanhol. O tema, hoje, é outro. Igualmente importante, porém, com impactos bem mais diretos nas nossas vidas.
A troca de ideias desta Cenário versa sobre um movimento que vem ganhando força na economia nacional – puxado por empresas já consolidadas mas que, mesmo assim, decidem juntar seus trapinhos para operarem como uma só no segmento que, antes, disputavam. Numa palavra, isso é concentração! No Brasil, estamos vivendo esta experiência com intensidade preocupante. Vejam só...
A semana começa com a notícia de que a Gol Linhas Aéreas comprou a Webjet, companhia low cost com atuação em todo o território brasileiro. Poucos dias antes, a maior rede de supermercados do País, o Pão de Açúcar, anunciava a fusão com o gigante mundial de origem francesa Carrefour, num negócio que envolve – a contragosto – outra multinacional do setor: o Casino, também da França.
A negociação, diga-se, não foi concretizada e talvez nunca seja. A própria presidenta da República, Dilma Rousseff, estancou o processo ao não autorizar a entrada do BNDES como financiador e o Casino, sócio do Pão de Açúcar, é categórico ao rejeitar a proposta.
Há pouco mais de três anos, era a vez de dois dos maiores bancos brasileiros reunirem suas operações para criarem o Itaú Unibanco, atualmente o maior banco privado do País e o segundo do ranking, atrás apenas do Banco do Brasil. Numa escala de grandeza menor, mas não menos relevante para o nosso cotidiano, o mesmo “fenômeno”vem ocorrendo com mercadinhos, farmácias, cinemas...
Uma regra básica em Economia explica, com muita simplicidade, o grande prejuízo que a concentração traz para qualquer mercado. Concorrência entre os players de um setor amplia o leque de vantagens para a sociedade. Entendam-se por vantagens preços mais baixos, maior oferta de produtos, melhores condições de pagamento. Ou seja, quanto mais desconcentrado for um setor (ou segmento) maior será o poder de barganha do consumidor/cliente/freguês.
A despeito de qualquer blablabla pseudo econômico sobre a força adquirida pelas companhias brasileiras no mercado internacional após as fusões, desenha-se no Brasil o mercado dominado por cada vez menos (e maiores) empresas em áreas vitais como varejo de alimentos, serviços bancários e transporte aéreo (lembrem de acrescentar o agravante de que vivemos num país continental). Isso sem falar nas operadoras de telefonia, distribuidoras de energia; administradoras de cartões de crédito e outros tantos exemplos.
Arbitragem moral
É papel do Governo regular o grau de concentração de uma economia. No Brasil, essa missão fica com órgãos como o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e os ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O primeiro possui natureza técnica; os dois últimos são impelidos, por dever de ofício, a fazer uma arbitragem moral. Nada parecida com a postura recente dos ministros Guido Mantega e Fernando Pimentel que lavaram as mãos ao não se posicionarem sobre a briga Pão de Açúcar e Carrefour contra o Casino.
E nós, consumidores, o que podemos fazer para não sermos prejudicados por interesses alheios? Buscar outras opções de produtos, marcas, fornecedores. Ou, simplesmente, não consumir sempre que isso for possível, lógico! Como a Coluna gosta de frisar, tudo é uma questão de cidadania. E, neste caso específico, para ter uma atitude cidadã, basta responder a uma pergunta ouvida com frequência publicitária ultimamente: “O que faz você feliz?”
ECONOMIA REAL
O calote do Tio Sam
Não há mais nenhuma dúvida. Os tempos mudaram, mesmo! Quem viveu viu o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fazer apelo dramático ao seu Congresso pela aprovação do aumento do teto da dívida do país. Essa é a única solução encontrada pela equipe econômica para evitar o calote da maior economia da Terra em credores dos seus títulos, funcionários públicos e beneficiários da previdência social. Dos parlamentares, ouviu que a proposta pode até ser aprovada desde que não haja aumento de impostos. Sem acordo por enquanto, o presidente que deixou de ser pop há algum tempo adverte que os seguros sociais tão tradicionais da cultura econômica norte-americana podem não ser pagos já no dia 3 de agosto.
>> É que o orçamento do Tio Sam só terá recursos para bancar o governo até 2 de agosto. A data limite foi dada pelo próprio Tesouro do país. “Não posso garantir que aqueles cheques saiam em 3 de agosto se não tivermos resolvido essa questão. Porque, simplesmente, pode não haver dinheiro nos cofres para fazer isso", lamentou Obama à imprensa norte-americana. Na última Cenário, já havíamos tocado nesse ponto e, vários dias depois, o impasse continua. Mas, convenhamos, Congresso nenhum no mundo vai colocar o pires na mão de uma economia tão poderosa. Nem mesmo, os “amigos” republicanos. Esperemos.
Let’s get together and feel all right
A operadora de telefonia celular Vivo está feliz da vida com a marca alcançada em dois de seus serviços principais. O Vivo Som de Chamada, lançado em fevereiro deste ano, superou 2 milhões de clientes, enquanto o Vivo Torpedo Recado, apresentado ao mercado em março, conseguiu vender 1,7 milhão de pacotes. Segundo o pessoal da Vivo, a explicação para o desempenho é a oferta, aos clientes, do mix inovação, diversão e facilidade.
>> A Vivo atua no mercado brasileiro, mas tem o DNA português e espanhol dos grupos Portugal Telecom e Telefônica. E, para avançar na conquista de clientes, também aposta na excelente trilha sonora de suas campanhas publicitárias. Na que está no ar, atualmente, toca uma versão do clássico One Love, de Bob Marley (foto).
Mobilidade já!
Sinal dos tempos e necessidade absoluta. O uso de SMS, sites móveis e apps (aplicativos) entre as 500 maiores empresas do Brasil avançou nada mais nada menos que 50%. Para saber como as empresas brasileiras utilizam o celular (leiam-se smartphones) e os tablets como instrumentos de relacionamento com seus consumidores, a Mowa, empresa especializada em soluções móveis, levou a campo suas equipes e descobriu o crescimento praticamente exponencial da mobilidade. Os resultados foram apurados pela pesquisa "A Presença Mobile das 500 Maiores Empresas do País", realizada em duas etapas.
>> Os especialistas criaram um método específico para medir esta mobilidade a partir de quatro critérios: "site móvel" (produzido especialmente para ser acessado por um smartphone); pelo menos um aplicativo ("app") desenvolvido para celular; ações corporativas utilizando SMS ("torpedo"); e aplicativo voltado para tablets. E como aqui santo de casa faz milagre, a metodologia utilizada foi do tipo desk research – ou seja, um grupo de pesquisadores utilizou durante três meses os próprios dispositivos móveis (smartphones, celulares comuns e tablets) como base do levantamento.
TUDO É ECONOMIA
Se você pensa que Nova York é a cidade mais cara das Américas e quem sabe (?) até do mundo, engana-se redondamente. O posto é de São Paulo que além de ser campeã americana de custo de vida, ainda ocupa a 10ª posição no mundo. O Rio de Janeiro vem em segundo lugar nas Américas; e em 12º na classificação mundial. Brasília (33º na lista mundial) é a terceira cidade mais cara da América do Sul, subindo 37 posições desde o ano passado.
Luanda, em Angola, é a campeã mundial de custo de vida pelo segundo ano consecutivo. Tóquio permanece na segunda posição e N’Djamena, no Chade, em terceiro lugar. Na outra ponta da tabela, Carachi (214º), no Paquistão, está classificada como a cidade mais barata do mundo. A Big Apple teve que se conformar com o 32º lugar, o que não deve ter desagradado em nada seus habitantes. Afinal, gastar menos para viver todo mundo gosta.
>> Mais do ranking: a oitava colocada na lista mundial é Cingapura, que ocupava o 11º lugar em 2010. Na Ásia, a campeã é Tóquio (2º), seguida por Osaka (6º). Apenas três cidades europeias permanecem na lista das 10 cidades mais caras. Moscou (4º lugar no ranking mundial) lidera na Europa, seguida por Genebra (5º) e Zurique (7º).
PENSAMENTO ECONÔMICO
"A visão do governo sobre a economia poderia ser resumida em umas poucas frases curtas: Se ela se movimenta, taxe-a. Se ela continua se movimentando, regule-a. E se ela para de se mover, subsidie-a."
>> E já que o momento está difícil para os Estados Unidos, o Pensamento Econômico de hoje traz a célebre receita de macroeconomia do “presidente-xerife” Ronald Reagan. Será que o Obama está seguindo a cartilha?
Avaliação está no Comunicado 148 sobre efeitos assimétricos da política monetária
Objetivo é dar continuidade ao processo de formação das escolas conveniadas
Iniciativa tem como objetivo promover a integração de fornecedores de produtos e serviços com os profissionais da área tecnológica
Expectativa é que sejam gerados cerca de R$ 80 milhões em negócios
As frequências adicionais começarão a operar no dia 1º de junho e os bilhetes já estão à venda no site da GOL