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Sábado, 04 de fevereiro de 2012

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CENÁRIO: Lições que se aprendem na prática

Por Ana Cristina Cavalcante
Qui, 18 de Fevereiro de 2010 08:37
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A crise do subprime apresentou ao mundo globalizado os seus pontos mais fracos

 

 

Sábio é aquele que tira lições de todas as coisas. Não só do que é formalmente ensinado, mas daquilo que observa, experimenta e vivencia. Mais ou menos como o princípio socrático de estar em constante aprendizagem. Filosofia à parte e 17 meses depois, foi nisso que se transformou a maior crise econômica internacional do Pós-Guerra: uma grande lição! Com a precisão que a economia requer, várias pequenas lições que, juntas, representam outro paradigma.


A crise do subprime – também conhecida como a quebra do Lehman Brothers, a redenção de John Maynard Keynes ou o triunfo dos países em desenvolvimento – apresentou ao mundo globalizado os seus pontos mais fracos. A maior dessas debilidades estava representada por um sistema financeiro sem regras e sem limites. O dinheiro “dos outros”, administrado (?) pelos grandes bancos do Hemisfério Norte, fez a bolha das hipotecas estourar.  Lição Um: com todo respeito aos liberais e neoliberais da Escola de Chicago, o sistema financeiro internacional não está acima do bem e do mal. Portanto, precisa de regras, sim!


Os danos causados pelo estouro da bolha demandaram a ação mais firme dos governos. E isso aconteceu nos quatro cantos do mundo. Para consertar o  estrago, a mão governamental (nada invisível, diga-se a bem da verdade) precisou voltar a atuar na economia. Lição Dois: não há nada de errado em o Estado intervir na economia seja investindo, seja regulando. Afinal, Estado e Mercado não são, nunca foram e jamais serão inimigos.


A força do mercado interno – da França e Inglaterra ao Brasil, passando por Estados Unidos e China – mostrou que, mesmo na aldeia global, o consumo doméstico pode sustentar uma economia. Foi assim que as demandas reprimidas de países emergentes salvaram seus mercados; o mesmo agente local manteve girando as rodas americanas, européias e asiáticas. Lição Três: Valorizar e manter aquecido o mercado interno é fundamental para garantir que a economia funcione bem. 


Outras duas lições fecham esse Cenário: a Quatro diz que uma nação deve reduzir ao máximo sua vulnerabilidade externa. E isso se dá a partir da diversificação de suas possibilidades econômicas. Essa blindagem vem, ainda, do fortalecimento de processos como a industrialização (mais ainda se esse processo avançar na produção com redução de carbono – mas esse é um assunto para outra Coluna). Além de um tratamento cuidadoso de suas commodities. E, finalmente, a lição Cinco ensina: é preciso transparência. A governança é fundamental nesse novo modelo - com toda a padronização de regras, inclusive, com universalização contábil. Mas não pode muito sozinha. Junto dela deve vir um choque de ética. Do tipo radical, de preferência.


A semana
Engolida pelo Carnaval, a semana de dois dias úteis e meio vai ser marcada mesmo pelo aniversário de um ano do pacote de medidas para salvar a economia norte-americana. Em fevereiro de 2009, o presidente superpop, Barack Obama, lançou seu plano de socorro, com a injeção de US$ 787 bilhões no mercado do Tio Sam. Na avaliação que fez Obama disse que, graças ao pacote, 2 milhões de empregos foram salvos e mais 1,5 milhão de vagas ainda serão criadas.


Por aqui, nada de novo. O primeiro pregão da BMF&Bovespa depois da folia fechou com alta de 2,17%. Mesmo sem operar no feriado momino, o desempenho das ações acabou garantindo a recuperação das perdas de pregões da semana passada. E, como na gangorra do mercado financeiro Bolsa em alta é igual a dólar descendo, a moeda norte-americana fechou a quarta-feira com queda de 1,66%, a maior do mês,  valendo R$ 1,828.


ECONOMIA REAL


O que o Nordeste tem?
danilo_canuto_AditOra, a resposta para a questão proposta pela Coluna tem uma lista enorme de respostas. Mas, pelo menos para a Adit Nordeste, dois pontos são capazes de sintetizar o potencial da região: turismo e mercado imobiliário. Os argumentos são fortes. Nada menos que 54 milhões de habitantes que aquecem o consumo, 1,558 mil quilômetros quadrados estrategicamente localizados, 18 aeroportos (9 deles, internacionais), portos, infraestrutura avançando e políticas governamentais de atração de investimentos.


Para o diretor executivo da Adit, Danilo Canuto (foto), essas são razões mais do que suficientes para fortalecer o Nordeste Invest (qualquer semelhança com o InvestNordeste reside no objetivo mútuo de fortalecer a região). A edição deste ano do evento acontece em Natal, de 10 a 12 de maio, e repete a receita de trazer investidores estrangeiros para conhecer as vocações econômicas regionais. Já confirmou presença, o chairman do Grupo Vila Galé, Jorge Rebelo de Almeida. Só lembrando, a rede Vila Galé tem hotéis e resorts em operação no Nordeste e Sudeste.


Outra atração do Nordeste Invest é a participação do GRI (da sigla em inglês, Global Real Estate Institute), principal organizador de conferências do setor imobiliário mundial. A saber: o GRI é um clube global de investidores do mercado imobiliário, no qual estão reunidos os principais players em escala internacional.


Negócios de fevereiro
carnaval_salvadorQuem disse que Carnaval não é um negócio? É, sim! Que o digam os gestores do turismo da Bahia. Os números deste ano não negam: em 2010, a Secretaria de Turismo do Estado investiu R$ 10,5 milhões na operação de carnaval. Os recursos incluem o patrocínio à Prefeitura de Salvador e o apoio a outros 16 municípios. Em contrapartida, Salvador recebeu 500 mil visitantes que estiveram na cidade durante os seis dias de folia, gastando seus reais no setor produtivo soteropolitano.


Os dados da secretaria baiana também revelam a geração de emprego. Foram mobilizados 564 profissionais que atuaram como guias e monitores do Carnaval. Eles estavam no porto, aeroporto, rodoviária, terminal náutico, espaços turísticos e os três pontos da folia: Pelourinho, Campo Grande e Barra/Ondina. Nos seis dias de festa, 56 mil pessoas foram atendidas, o que representa aumento de 51,4% sobre 2009. Os atendimentos revelam a cara do consumidor do Carnaval da Bahia: 86% de turistas nacionais e baianos e 14% estrangeiros. Entre os nacionais e baianos, 63% foram de outros estados e 37% baianos. A foto de João Ramos/Bahiatursa, ao lado, dá uma mostra do que é esse grande negócio.


Tudo é economia
Mais uma da série: a CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) e representantes das igrejas Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Episcopal Anglicana do Brasil, Presbiteriana Unida do Brasil e Sírian Ortodoxa de Antioquia (que integram o Conic - Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil), lançaram a Campanha da Fraternidade, na Quarta-Feira de Cinzas, como é tradicional.


O tema deste ano, Economia e Vida, quer estimular a discussão econômica. E já não era sem tempo! Num país predominantemente cristão (com maioria católica) – em que pese sermos um estado laico, segundo nossa Constituição –, a Igreja tem obrigação de estimular o debate dos grandes temas. Aqueles que influenciam diretamente a vida das pessoas, sejam elas  crentes ou não.


Entre os tópicos propostos pelo grupo ecumênico, estão a dívida pública brasileira, os juros escorchantes, a supercarga tributária, o sistema financeiro e até o PAC, programa de investimento do Governo Federal. Só resta à Coluna torcer para que os ares eleitorais, da sucessão presidencial deste ano, não embotem as mentes que vão conduzir a discussão nos templos do Brasil.


PENSAMENTO ECONÔMICO

 

“Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”.

 

>> Trecho do Novo Testamento, atribuído ao evangelista Mateus (Capítulo 6, versículo 24). É o lema da Campanha da Fraternidade 2010, lançada na Quarta-Feira de Cinzas pela CNBB e o Conic. Quem diria que o Pensamento Econômico traria, algum dia, um texto da Bíblia?! Mas, já que trouxe, vale a provocação: Será que não dá mesmo para servir ao dinheiro e a Deus, hein, igrejas?

Comentários (1)

Incrível!
1 Sexta, 19 de Fevereiro de 2010 08:08
Ana Maria Souza
O Investne tá de parabéns pela coluna Cenário.É incrível a facilidade da jornalista em falar de economia e repassar sua paixão pelo assunto aos leitores.Parabéns Ana Cristina.

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