Está nas mãos brasileiras o futuro da integração sul-americana
Quem acha que, na América do Sul, “tudo nos une, nada nos separa” comete erro de avaliação. A começar pelo tamanho de sua maior economia e da força da liderança regional que exerce. O Brasil é diferente de seus vizinhos, todos intrinsecamente unidos pela ideologia bolivariana. Por aqui, falamos idioma diferente, pensamos a democracia de uma outra maneira, vivenciamos as questões de mercado com mais pragmatismo e, definitivamente, não comungamos dos ideais da Sul-América unificada. Mas, paradoxalmente, está nas mãos brasileiras o futuro da integração sul-americana.
Esta foi uma das conclusões tiradas do encontro de especialistas promovido pela Fundação Konrad Adenaeur e a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), ao realizarem o Seminário Internacional “Novos caminhos para a integração regional: o projeto da Unasul”, em Recife, nos dias 19 e 20 deste mês. “O primeiro passo para integrar a América do Sul é falar das nossas diferenças para, assim, viabilizarmos nossa integração”, aconselha o embaixador e presidente do Conselho Curador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais, José Botafogo Gonçalves.
A posição do embaixador Botafogo faz sentido quando olhamos a situação sem os olhos benevolentes da boa vontade. Para dar certo, é preciso objetivos concretos. E, nessa categoria, estão gargalos importantes da região. Entre eles, infraestrutura e energia. Dois temas que causam aquele friozinho na barriga aos líderes dos países, todas as vezes que vão à mesa de negociação.
Ajustar, antes de integrar
O assessor de Política Externa do Parlamento Alemão, Hans Martin Sieg, afirma categoricamente: “Integração pressupõe ajuste e regulamentação nos países“. Sieg lembra que, na União Europeia, houve e há interferência na legislação dos estados-membros sempre que é necessário. É a fórmula mágica que faz o bloco regional funcionar. Na América do Sul, também terá que ser assim. “Para ter êxito, será preciso adaptação”, sugere. O especialista alemão aproveita para fazer mais uma advertência: “A integração requer objetivos de longo prazo, mas as metas de curto prazo têm um apelo muito mais forte”. Situação que requer uma dose cavalar de habilidade para administrar demandas e apaziguar conflitos.
O conceito de Hans Sieg bem que poderia ser posto em prática entre Brasil e Paraguai, que têm um grande embate para resolver na questão energética. Sócios em Itaipu, precisam chegar a um acordo sobre o futuro da energia gerada na hidrelétrica binacional construída com dinheiro brasileiro (obtido por financiamento externo) e a água paraguaia (50% da água vêm do território paraguaio). Com contrato datado dos complicados anos 1970 – época de ditaduras militares nos dois países –, uma difícil negociação precisa ser viabilizada porque os interesses mudaram. O Paraguai quer ter o direito de vender sua energia para terceiros (outros países da América do Sul). O Brasil prefere manter a cláusula de exclusividade do contrato. Longe de uma solução, o impasse é o primeiro grande desafio concreto da Unasul.
Sem transporte e energia, não há avanço
O embaixador Rubem Corrêa Barbosa é pragmático na sua visão do projeto Unasul/Mercosul: “Não se faz integração sem transporte e energia”. Para Barbosa, que é assessor especial para assuntos internacionais do Ministério de Minas e Energia, o primeiro passo para avançar neste processo é “ter um conhecimento explícito das assimetrias”. Outro pré-requisito é que os países façam o seu dever de casa. No caso do Brasil, Barbosa diz que a questão energética “está parcialmente sanada”. Reforça, ainda, que esse é um aspecto crucial da integração. “É preciso gerar energia para garantir o crescimento do bloco”, observou durante o seminário de Recife.
Na questão energética, a Unasul já tem avanços para apresentar. Segundo o embaixador Rubem Barbosa, há três documentos com diretrizes para o setor de energia. Esses documentos estabelecem um plano de ação regional e uma estrutura de tratado energético sul-americano. “Esta é uma questão crucial neste contexto de cooperação. Por exemplo: numa alternativa de integração de energia, um país pode complementar a necessidade de outro, aproveitando a estrutura que já existe, sem demandar investimentos”, sugere.
Depois dos obstáculos, as vantagens
Diante de tamanha diversidade de interesses e tantas dificuldades de unificar o discurso em torno da integração, que benefícios esse modelo pode oferecer? Para Hans Martin Sieg, uma vantagem econômica supera qualquer opinião em contrário: “A atuação em bloco faz da União Europeia, hoje, a segunda maior exportadora do mundo. Só perdemos para a China”. A análise de Sieg é muito abalizada. A Alemanha é o país que mais fez concessões econômicas e sociais durante os mais de 50 anos que dura o processo de integração europeu. Como o Brasil aqui na América do Sul, também é a maior economia do Velho Mundo e a que mais abre o cofre para corrigir as assimetrias. Outra vantagem importante lembrada por Sieg é o fortalecimento do mercado endógeno. “Criamos mercado consumidor interno”, arremata.
Sobre Volkswagen, BMW e Nokia
Na perspectiva da microeconomia, a integração também traz vantagens. Basta o caro leitor-internauta seguir o seguinte raciocínio: sem integração, as gigantes alemãs Volkswagen e BMW sempre seriam players globais. Contudo, o mesmo não aconteceria com a Nokia, fabricante de aparelhos de celular da longínqua Finlândia. Não fosse a União Europeia, a fábrica finlandesa não conseguiria fazer seu produto chegar a consumidores de todos os lugares do mundo. “Isso só é possível porque a União Europeia deu certo”, sentencia Hans Sieg.
A jornalista viajou a Recife a convite da Fundação Konrad Adenaeur
ECONOMIA REAL
Inovação e tecnologia
O Ceará já tem a sua Rede de Núcleos de Inovação Tecnológica. É a Redenit-CE, apresentada na tarde desta segunda-feira pelo reitor da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Francisco de Assis Moura Araripe. Para mostrar a importância da rede, a vice-diretora do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília, Ednalda de Morais, faz a palestra "Nit e sua influência no desenvolvimento local". Quem quiser participar, basta ir ao auditório Paulo Petrola, na reitoria da Uece, às 14 horas.
Novidade potiguar
Uma antiga fábrica de tecidos em Natal (RN) está virando o Condomínio Industrial Logístico. A transformação é conduzida pela Retha Imóveis e Serviços, empresa paulista especializada no reaproveitamento de grandes galpões ociosos. Batizado de Espace Center Natal, tem área total de 45 mil m², dos quais 28 mil m² estão construídos. O galpão é dividido em 10 módulos de 700 m² a 3.230 m². De frente para a BR 101, a infraestrutura prevista para o empreendimento conta com portaria central, segurança 24 horas, controle de acesso, serviços de manutenção, jardinagem, administração especializada, estacionamento privativo e para visitantes, pátio de manobras, poço artesiano e capacidade de energia de 2.200 KVA.
Boa ação e negócio rentável
Conciliar boas práticas e, a partir disso, fazer bons negócios certamente faz parte dos sonhos de quem aposta na responsabilidade social nas empresas. E o nicho de mercado que descobriu isso rápido foi o de reaproveitamento de cartuchos de impressora. A remanufatura é uma atitude ecológica. “A reciclagem, ou seja, o reuso da carcaça contribui para redução do lixo urbano e para preservação do meio ambiente”, afirma Letícia Bonato, diretora executiva da Lemar Ink, empresa especializada em cartuchos e toners alternativos de qualidade e impressão. “Essa preocupação com o meio ambiente, aliada ao baixo custo de um cartucho remanufaturado, já é o suficiente para justificar a crescente procura por esse tipo de produto”, finaliza Letícia.
TUDO É ECONOMIA
A obrigatoriedade da cadeirinha para o transporte de crianças nos automóveis é mais uma prova cabal de que tudo é economia. Duvidam? Não duvidem mais. Aumentaram as vendas do produto, desde que o bom senso ganhou o reforço da lei que obriga o uso dos assentos de elevação e bebês-conforto para crianças até sete anos e meio. A tese é confirmada por, pelo menos, dois gigantes do varejo. Tanto Extra como Ponto Frio já contabilizam a disposição dos pais na aquisição das poltroninhas.
Segundo informações das redes, entre janeiro e junho de 2010, as 105 lojas do Extra Hipermercados e os sites Extra.com.br e Pontofrio.com.br triplicaram a venda de alguns itens de segurança para carro em comparação com o mesmo período de 2009. O bebê-conforto, por exemplo, para crianças até seis meses teve aumento de vendas 60% que o ano anterior. Já nas cadeiras para crianças até sete anos, o crescimento das vendas foi de 300%.
A saber: este 30 de agosto é o Dia da Prevenção de Acidentes com Crianças. A data foi instituída pela ONG Criança Segura para gerar a discussão sobre o tema. Sua atuação acabou contribuindo para que, com a lei, os carros sejam fiscalizados por agentes de trânsito e policiais rodoviários a partir desta terça-feira, 1º de setembro. A norma prevê que crianças de até seis meses ou 13 kg deverão ser transportadas no bebê-conforto; crianças entre um e quatro anos em cadeirinhas; e de quatro a sete anos ou até 35 kg em assentos de elevação. A infração é considerada gravíssima e prevê multa de R$ 191,54, sete pontos na carteira de habilitação e a retenção do veículo.
PENSAMENTO ECONÔMICO
“Ninguém é contra maternidade e torta de maçã. Ninguém pode ser contra à Unasul ou à integração. Mas só ser a favor não ajuda a superar nossos obstáculos”.
>> Opinião do embaixador José Botafogo Gonçalves sobre a unificação política e econômica proposta pela Unasul (União das Nações Sul-Americanas)
Inscrições vão até 24 de fevereiro e os interessados devem procurar o Cras
Profissional possui mais de 20 anos de experiência no mercado imobiliário
Meta histórica da companhia é de 15 milhões de clientes transportados
Presidenta respeita as reivindicações da corporação, mas não concoda anistiar policiais que cometeram crimes
As carteiras devem permanecer fechadas para aplicações e resgates