Ruralistas vaiaram anúncio dos assassinatos de José Cláudio da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, casal que dedicou existência à defesa da mata amazônica
Todos vimos, alguns dias atrás, a chamada bancada ruralista (também conhecida como UDR e CNA, de Ronaldo Caiado, Kátia Abreu e companhia) mostrar a quem já tinha esquecido a verdadeira índole das pessoas sem alma que formam em suas fileiras nefastas. Aconteceu durante o anúncio dos assassinatos de José Cláudio da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, casal que dedicou (literalmente) a existência à defesa da mata amazônica. Durante discurso do deputado Sarney Filho informando sobre a imensa violência que resultou nas mortes, os ruralistas vaiaram. Sim, caros leitores-internautas... Eles vaiaram. Para essa gente, a vida humana não vale sequer a casquinha da madeira que roubam diariamente da floresta.
A vaia do dia 24 de maio, na Câmara dos Deputados em Brasília, é emblemática da visão de mundo defendida pela classe de latifundiários, exploradores de recursos naturais e até pequenos agricultores cooptados pela ganância de quem se julga dono exclusivo e vitalício da região Norte do País. Sob o pretexto de que “o Governo deixou ocupar e desmatar”, fazem chantagem criminosa: nas últimas três semanas, enquanto tramitava na Câmara o novo Código Florestal brasileiro, registraram-se cinco mortes. Além do casal Silva, outro líder assassinado é Adelino Ramos, dirigente do Movimento Camponês Corumbiara. Antes deles, Dorothy Stang, todos os de Eldorado dos Carajás e Chico Mendes.
E a despeito da imensa culpa que esta gangue levará consigo para sempre, um outro ator tem responsabilidade irrefutável no cenário dramático a que assistimos atônitos. Falo do Governo Federal, amigos leitores-internautas. E vejam que não me refiro a esse ou àquele mandato. O Governo do Brasil começou a desenhar a tragédia de hoje há mais de quatro décadas – quando, ainda nos anos 1960 e 1970, quis povoar a Amazônia sem medir as consequências futuras de sua atitude imediatista. Para atrair brasileiros à região, deu carta branca e incentivou o desmatamento e o extrativismo irracionais. Tudo sob o argumento da unidade e da soberania nacional. Depois disso, fez quase nada para mudar a situação que ajudou a estabelecer.
Agora, mesmo que assim o deseje, talvez não seja capaz de impor limites a quem desconhece os direitos humanos e os mais sagrados preceitos de preservação da natureza. A aprovação do Código Florestal, pelos deputados federais, sinaliza nessa direção. Os parlamentares eleitos pelo povo – e no nome de quem deveriam legislar – praticamente anistiaram quem faz mal à floresta. O governo Dilma, com maioria no Congresso, não foi capaz de derrubar a emenda “deixa como está” (164) no projeto do relator Aldo Rebelo, do PCdoB, partido da base aliada. Se passar pelo Senado, só o veto restará à presidenta. Enquanto isso, uma força especial está no Pará para ver in loco o que está acontecendo e encontrar saída para a guerra desigual travada naquela região do Brasil.
>> Ah meus queridos leitores-internautas, quem dera bastasse discurso ecológico para reverter a grave conjuntura que se perpetua por lá. O faroeste em que se transformou a Norte do País exige muito mais do que uma política ambiental dura e implacável, aplicada a todos, sem nenhuma flexibilização de oportunidade aos amigos do rei. Para que as coisas mudem por lá, será preciso reduzir a pó a audácia de quem se acha dono do mundo... O mundo repleto de riqueza natural e humana da Amazônia brasileira.
PIB de dieta...
E o Produto Interno Bruto brasileiro, também conhecido pelo apelido carinhoso de PIB, começou a dieta que a equipe econômica vem-lhe sugerindo desde o começo deste ano. Embora tenha crescido 1,3% no primeiro trimestre, a economia parece estar dando uma esfriada no segundo trimestre. As famílias gastam menos por estarem desmotivadas com a pressão inflacionária (que já retrocedeu) e certo aperto no crédito. Segundo analistas do mercado, a dieta só não derrubou o PIB no primeiro trimestre porque os investimentos cresceram.
... inflação magrinha
O leitor-internauta que pega a sua sacolinha retornável e vai ao supermercado diariamente ou ao posto abastecer seu carro já deve ter percebido o que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na manhã de terça-feira (7). O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,47% em maio, contra 0,77% no mês anterior. Os gastos com transportes saíram de alta de 1,57% em abril para redução de 0,24% em maio. A baixa foi resultado da variação dos preços de combustíveis (de 6,53% em abril para -0,35% em maio). Segundo o pessoal do IBGE, o litro do etanol caiu 11,34% em maio (em abril havia aumentado 11,2%). Já o preço da gasolina não caiu. Mas subiu menos: de 6,26% em abril para 0,85% em maio.
>> Para não dizer que não falamos de espinhos, aqui nesta Cenário, vai a informação: mesmo com o viés de queda de maio, a inflação acumula alta de 6,55% em 12 meses.
Turismo qualificado
O secretário de Turismo do Ceará, Bismarck Maia (foto), comemora a qualificação de mais de cinco mil profissionais e empresários do setor turístico de Fortaleza e outros municípios cearenses. Todos os participantes do Programa de Qualificação Profissional e Empresarial para o Turismo estão recebendo seus certificados das mãos do próprio ministro do Turismo, Pedro Novais, em festa no Centro de Convenções do Ceará, nesta quarta-feira (8). O programa, criado pelo Governo do Estado por meio da Secretaria do Turismo (Setur), custou R$ 9,5 milhões. Os recursos vieram do Ministério do Turismo, Banco Interamericano de Desenvolvimento (Prodetur NE II), e Governo do Estado.
>> Para o secretário do Turismo do Ceará, Bismarck Maia, um destino turístico valorizado requer investimentos em infraestrutura, qualificação e promoção do destino. “Nunca na história do nosso Estado houve um investimento tão expressivo na área de qualificação profissional. Hoje, o Ceará é referência nacional para os demais Estados”, reforça o secretário, usando o “nunca antes” que tanto sucesso fez recentemente na”história deste País”.
ECONOMIA REAL
Na rede, mas real
A febre dos sites de compras coletivas é tão forte que consegue seduzir gregos e troianos. Depois de a Confederação Nacional da Indústria (CNI) colocar na web o seu Clube Indústria de Benefícios, direcionado exclusivamente ao setor industrial, agora é a vez das favelas terem o seu próprio portal. Trata-se do Clube Comunidade, criado pelo programador Éden Meireles. Segundo o pai do novo site, o foco são as comunidades do Rio de Janeiro. Uma delas, inclusive, é a Rocinha onde Éden vive. "Os sites grandes de compras coletivas nunca vão atender pequenos comerciantes, porque só lidam com 12, 13 mil pessoas", argumenta.
TUDO É ECONOMIA
Cansado da vida na Terra? Quer mudar de ares? Conhecer novos lugares? Seus problemas acabaram. Basta juntar o que não quer deixar para trás e ir morar numa vila na Lua! É, querido leitor-internauta, os arquitetos Arturo Vittori, italiano, e Andreas Vogler, suíço, projetaram exatamente isso: a MoonCapital (foto). Nada mais, nada menos que uma vila para 60 pessoas morarem lá no satélite mais romântico do universo.
>> O projeto lunático troca a pracinha da igreja, com coreto, e escolas convencionais por unidades de saúde, espaço para práticas espirituais, laboratórios de pesquisa e centros de comunicação. As casas de alvenaria ou madeira serão substituídas por uma espécie de balão inflável que abrigará quarto, escritório e sala. São modelos tanto para famílias inteiras como para casais sem filhos ou solteiros.
>> Um aviso aos ansiosos. Quem quiser seu lar doce lar na Lua terá que esperar até 2069, advertem Vittori e Vogler. É que eles querem comemorar os 100 anos da chegada do homem à Lua com a inauguração da vila.
PENSAMENTO ECONÔMICO
Poema brasileiro
No Piauí de cada 100 crianças que nascem
78 morrem antes de completar 8 anos de idade
No Piauí
de cada 100 crianças que nascem
78 morrem antes de completar 8 anos de idade
No Piauí
de cada 100 crianças
que nascem
78 morrem
antes
de completar
8 anos de idade
antes de completar 8 anos de idade
antes de completar 8 anos de idade
antes de completar 8 anos de idade
antes de completar 8 anos de idade...

>> Pensamento Econômico assinado pelo poeta neoconcreto Ferreira Gullar. O Poema Brasileiro (de 1962) é, na verdade, a forma que a Coluna encontrou para chamar a atenção (uma vez mais) da presidenta Dilma Rousseff. No último dia 2 de junho, foi lançado o Brasil Sem Miséria, programa com o qual o Governo Federal pretende salvar 16 milhões de brasileiros da extrema pobreza. Nosso desejo é que, a partir de agora, nenhum brasileirinho morra antes de completar 8 anos.
Avaliação está no Comunicado 148 sobre efeitos assimétricos da política monetária
Objetivo é dar continuidade ao processo de formação das escolas conveniadas
Iniciativa tem como objetivo promover a integração de fornecedores de produtos e serviços com os profissionais da área tecnológica
Expectativa é que sejam gerados cerca de R$ 80 milhões em negócios
As frequências adicionais começarão a operar no dia 1º de junho e os bilhetes já estão à venda no site da GOL