Brasil é o terceiro colocado em desigualdade social na América Latina
Até quando esperar
A plebe ajoelhar
Esperando a ajuda
do divino Deus
O Brasil está no topo do ranking dos países onde a assimetria socioeconômica é uma realidade cruel. Documento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), divulgado sexta-feira (23), aponta o Brasil como o terceiro colocado na lista regional, atrás apenas de Bolívia e Haiti. O maior país da América do Sul, um dos emergentes mais poderosos e liderança econômica importante é reflexo fiel do que acontece na América Latina e Caribe, regiões consideradas as mais desiguais do mundo, segundo o relatório.
As revelações feitas pelo Pnud ultrapassam os números. Expõem o principal gargalo nesta parte do planeta: o desenvolvimento humano estancado, paralisado e impedido de superar o imenso abismo entre pobres e ricos. Não é que todos os indicadores que atestam a expansão da economia estejam errados. O Brasil e outros países estão crescendo, sim (à exceção do Haiti em reconstrução, depois do terremoto que o destruiu). Têm mercados pujantes, consumo e produção ascendentes, incentivados por políticas públicas atentas à garantia da retomada econômica.
Tudo isso é verdade, assim como também é fato que a desigualdade aumenta com o crescimento. Parece contradição? Talvez não seja. O modelo econômico utilizado pela maioria das nações latino-americanas é concentrador. Não faz muito tempo que os governos acordaram para a necessidade de distribuição de renda, por meio de programas de transferência – como é o Bolsa Família, por exemplo. A cartilha keynesiana vem salvando mercados antes devotados ao neo-liberalismo e sua mão invisível, capaz de distribuir só as “oportunidades iguais” de seu velho discurso.
Investimento público e privado, expansão do crédito, geração de emprego são ferramentas para criar e consolidar uma faixa de população que sirva de elo entre os dois extremos da sociedade marcada pela má-distribuição. Trata-se de construir a classe média que, forte e crescente, é o principal sinalizador de uma economia saudável. Há muito caminho a percorrer; e sob a observação atenta de uma sociedade que conhece mais e melhor seus direitos. Uma coisa é certa: a plebe não quer mais ajoelhar nem esperar apenas pela ajuda do divino Deus.
CAIXA PRETA
O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa básica de juros do País, a Selic, em 0,5 ponto percentual. Com a decisão, a taxa vigente é de 10,75% ao ano, até segunda ordem – que pode ser dada na próxima reunião dentro de um mês e meio. A estratégia de aumentar a Selic mantém o Brasil na liderança no ranking dos países com maior taxa de juro real. Com 5,6% ao ano, está à frente de China (2,3%) e Rússia (1,8%). Mas por que o Brasil precisa manter seus juros tão altos? A Caixa Preta responde.
>> Razão 1: O Brasil tem memória inflacionária muito forte. É uma espécie de DNA cheio de genes de inflação. Para manter a estabilidade econômica (alcançada a partir de 1994 até os dias atuais), é preciso ter uma política monetária rigorosa e competente. Exatamente como vêm fazendo as equipes econômicas que se revezam no comando do Banco Central e Ministério da Fazenda, nos últimos anos. Juros altos inibem o consumo. É que muita voracidade nas compras pode desabastecer o comércio e, em última instância, demandar um ritmo de produção que a indústria não é capaz de atender. Resultado disso é a valorização excessiva dos preços dos produtos que restam nas prateleiras.
>> Razão 2: Como tem uma tradição de juros altos, o mercado financeiro nacional acaba atraindo investidores que buscam maior rentabilidade para suas aplicações. Nesse caso, taxas mais atraentes podem representar a entrada mais expressiva de capital externo. Isso acontece porque os títulos de renda fixa emitidos no País pagam mais que seus pares internacionais. Vale destacar que, apesar de ainda muito altos, os juros reais brasileiros estão em queda livre. Se hoje são de 5,6%, já atingiram a casa dos dois dígitos girando em torno de 19%.
ECONOMIA REAL
Vai abrir uma empresa? Boa sorte!
É a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) que avisa: o custo médio de abertura de empresas no Brasil é de R$ 2.038, contra R$ 1.213 na Colômbia, R$ 315 no Canadá e R$ 559 na Rússia. Mas atenção: o valor varia 274% entre os estados brasileiros, sendo o mínimo na Paraíba (R$ 963) e o máximo em Sergipe (R$ 3.597). As informações estão na pesquisa Como Facilitar a Abertura e Legalização de Empresas no Brasil, feita sob encomenda da federação fluminense. Considerando o número de empresas abertas em 2008, o gasto total no Brasil com a abertura chegou a R$ 430 milhões. Caso as taxas nacionais fossem parecidas com as dos outros Brics, esse gasto cairia para R$ 166 milhões. Nada menos que 12 a 16 taxas precisam ser pagas.
A culpa é da burocracia
Como se não bastassem os altos custos, empreender no Brasil demanda tempo – e muita paciência. Ainda de acordo com a pesquisa da Firjan, a maratona burocrática pode ter oito etapas e 43 documentos. Mas como nem tudo são espinhos, a federação apurou algumas boas práticas no Brasil, como a centralização do processo de abertura de empresas em um único órgão, modelo recomendado pelo Banco Mundial e que já está-se espalhando pelos estados. Como nunca é demais lembrar: o longo e complexo processo para abrir uma empresa é preocupante para um país que já teve até um Ministério da Desburocratização. Parece que não adiantou muito, não.
Aqui do lado... No Rio Grande do Norte
Com pré-sal ou sem pré-sal, qualquer país candidato ao desenvolvimento terá que contar com energias alternativas no seu portifólio energético. Por essas e outras, o Rio Grande do Norte leva adiante o seu projeto eólico. O Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do estado vizinho, o Idema, concedeu à Petrobras as licenças de instalação que asseguram o início das obras dos parques eólicos (foto) de Mangue Seco, no município de Guamaré. Com estas licenças, a companhia mantém a expectativa de colocar em operação quatro usinas, em setembro de 2011. Segundo a Petrobras, os parques eólicos são formados pelas usinas Mangue Seco 1, 2, 3 e 4 a serem construídas no entorno da refinaria Clara Camarão. Cada uma delas terá 13 turbinas e 26 MW de capacidade instalada, totalizando capacidade total de 104 MW .
Ceará ganhou Adit Invest
O Ceará vai sediar o Adit Invest 2011. Trata-se do antigo Nordeste Invest, evento tradicional do setor imobiliário turístico realizado anualmente, em cidades do Nordeste. A mudança não se deu só no nome. É de conceito, também. É que a Adit passou de entidade regional para adotar atuação em todo o Brasil. E o primeiro Adit Invest acontecerá em Fortaleza, no ano que vem. O martelo foi batido na reunião de diretoria, dia23 em Salvador, quando foi fechado o plano de ações para 2011.
>> Só lembrando: o secretário de Turismo do Ceará, Bismarck Maia (foto), foi o grande articulador da vinda do evento para o Estado. “Temos ciência da importância em sediar eventos como o Adit Brasil Invest. Nos últimos anos, o Ceará vem se consolidando como destaque como um importante destino turístico, devido a sua política governamental ao segmento de alto padrão. A decisão de colocar nosso estado à disposição da Adit para sediar este evento deve-se a possibilidade de atração de investimentos para o Estado”, disse Maia.
TUDO É ECONOMIA
O que uma empresa de transportes de cargas tem a ver com patrocínio esportivo? Resposta: economia! Está provado que empresas se comunicam com o mercado por meio de patrocínio ao esporte e cultura. É nessa premissa que aposta a Ramos Transportes, engajada, há mais de três anos, em projetos que envolvem apoio a eventos e atletas. O patrocínio nas áreas é uma ótima ferramenta de comunicação com o mercado e diversificação de investimento.
>> A saber: o marketing esportivo cresceu 12,34%, na última década. E, há cinco anos, 84% das maiores empresas do País já apoiavam atividades culturais. Os dados são do Instituto Enfoque, citados pela Ramos para confirmar o sucesso da estratégia que vem implementando desde 2007. Nessa época, criou o Programa Ramos de incentivo ao esporte e à cultura. Por ano, são mais de R$ 150 mil investidos em ações de patrocínio. “Estas ações caminham junto aos valores da empresa, que tem como ponto essencial acreditar no País, no potencial da nossa gente e na importância que temos, como empresa, na construção de um futuro melhor para esta nação”, diz Igor Gatto, gerente de Marketing da Ramos.
PENSAMENTO ECONÔMICO
O real está supervalorizado. Essa é a conclusão do Al Corão (com
todo respeito) do jornalismo econômico mundial, a revista britânica The Economist. O parâmetro da publicação – seríssima, acreditem, caros leitores-internautas – é o preço do BigMac, o preferido entre os sanduíches da rede americana, McDonald’s. Está lá na pesquisa mais recente do Índice BigMac: o Brasil tem o quarto sanduíche mais caro, atrás apenas das escandinavas e ricas Noruega e Suécia, além da neutra (e também rica) Suíça. Em dólares, o ícone da fastfood custa US$ 4,91 no Brasil. Na sua terra natal, os Estados Unidos, não sai por mais que US$ 3,73.
>> Diante de fatos tão relevantes, o Pensamento Econômico pode concluir que uma boa colocação no Índice BigMac vale a luta pela valorização do nosso dinheiro.
Inscrições vão até 24 de fevereiro e os interessados devem procurar o Cras
Profissional possui mais de 20 anos de experiência no mercado imobiliário
Meta histórica da companhia é de 15 milhões de clientes transportados
Presidenta respeita as reivindicações da corporação, mas não concoda anistiar policiais que cometeram crimes
As carteiras devem permanecer fechadas para aplicações e resgates