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Quinta-feira, 29 de julho de 2010

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Cenário

Por Ana Cristina Cavalcante
Segunda, 01 de Fevereiro de 2010 08:33
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Na aldeia global, seis é igual à meia dúzia

 

 

anacrisDois grandes eventos marcaram a pauta econômica, na semana passada: o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça; e o Fórum Social Mundial que, este ano, aconteceu em cidades da Grande Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Com a proposta oficial de fazerem contraponto um do outro são, na verdade, complementares. Embora os tomadores de decisão do mundo globalizado ainda não tenham se dado conta disso, com a plenitude que o tema merece.


Em Davos, a agenda girou em torno do pós-crise, das mudanças climáticas, do esboço de um novo  sistema financeiro, com mais regras, e da reconstrução do Haiti - devastado por um terremoto no último dia 12 de janeiro.  Já em terras gaúchas, os movimentos sociais quiseram definir alternativas para o que chamam de crise mundial do capitalismo, além de consolidar o desenvolvimento sustentável.  No fim das contas, seis é igual à meia dúzia. Tudo uma questão mais de semântica do que de ideologia.


O xeque mate que a crise financeira mundial aplicou às economias mundo afora deixou uma mensagem muito clara. É preciso buscar uma lógica econômica diferente, onde o objetivo central seja casar crescimento com desenvolvimento social. Mas, se até os debates ainda se dão separadamente, como imaginar a construção conjunta desse novo modelo?


O caminho das pedras está aí para quem quiser enxergá-lo. O avanço dissociado entre os índices econômicos e os indicadores sociais expõe o erro que a globalização, nos moldes que temos hoje, insiste em cometer. Sem bem-estar social, nenhuma nação pode-se dizer rica. Nem que a matemática do seu PIB aponte para a casa dos trilhões.


A semana


Lá e cá
A quinta semana do ano começa ainda sob os efeitos das boas notícias que vieram da terra do Tio Sam. É que o PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos subiu 5,7% no quarto trimestre de 2009. O desempenho contribuiu para reduzir o rombo na economia norte-americana, que mesmo assim encolheu 2,4% no fechamento das contas do país, no ano passado.


Outros dados importantes para ter em mente nesse começo de semana são as performances do mercado financeiro aqui do Brasil. Como o dólar que, apesar da força do real, continua um bom negócio. Em janeiro, os investimentos lastreados no câmbio foram os campeões de ranking nacional (das melhores aplicações) divulgado na última sexta-feira.


A variação média da moeda americana foi de 8,30%, contra 5,72% do ouro e 0,77% dos fundos de renda fixa. A poupança subiu 0,50%. E com a lanterna na mão como pior investimento do mês, o Ibovespa (índice da BMF&Bovespa) amargou queda de 4,65% no primeiro mês de 2010.


Economia real


O banco comercial do Nordeste
robertosmith_1O desempenho do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), em 2009, passou por cima da crise sem dó nem piedade. Com crescimento de mais de 50% nas aplicações que fez no setor produtivo durante o ano passado, o banco ultrapassou a casa dos R$ 20 bilhões em recursos investidos na economia real.


Mas o que os números do BNB demonstram vai além de sua saúde para enfrentar o desafio do fomento à economia regional, em tempos difíceis.  Aponta para o êxito como banco comercial. O presidente do BNB, Roberto Smith (foto), disse à Coluna, durante coletiva na última terça-feira, na sede do banco em Fortaleza, que ainda há muito a avançar, mas que o propósito do banco é esse mesmo.  Afinal, não está escrito em nenhum manual que banco de fomento não pode dar lucro.


Vale a pena lembrar que o microcrédito urbano (Crediamigo) e o rural (Agroamigo) vêm contribuindo muito para a inserção do BNB no varejo financeiro. Como instituição campeã na modalidade na América Latina, já ultrapassou as fronteiras do Nordeste chegando à favela da Rocinha (no Rio da Janeiro) que, não por acaso, tem uma imensa concentração de conterrâneos nordestinos. “O banco vai continuar avançando nas suas operações comerciais”, confirmou Smith. O presidente do BNB também destacou que, em 2009, o banco foi muito bem no mercado de capitais e na administração de recursos de terceiros.

Álcool ou açúcar: eis a questão
Como em economia os dilemas hamletianos são praticamente uma constante, a Coluna traz mais um para reflexão. O que fazer com a cana plantada no Brasil: produzir álcool combustível ou açúcar para exportar? O aumento de 25% no preço da  commoditty no mercado internacional dá o sinal: este ano, a safra será mais açucareira do que alcooleira. Portanto, quem tem carro flex deve, para o bem do próprio bolso, manter a preferência pela gasolina, na hora de abastecer.


Oceano azul
O setor petroquímico brasileiro está, definitivamente, virando um verdadeiro oceano azul. Os negócios fluem por lá como prova a incorporação da Quattor pela Braskem, que bancou a operação com a bagatela de R$ 870 milhões. Agora, a Braskem (controlada pela Odebrecht, que é dona de 50,1% do capital votante depois do negócio fechado) passa a ser a maior do setor na América Latina e a quinta maior do mundo. A saber: a Petrobras detém 25% do capital da Braskem e, com essa parcela, vai poder – nas palavras do ministro Edison Lobão – regular os preços do setor “para baixo”. Antes da operação, a Quattor era uma petroquímica controlada pela Unipar, com bases no Rio de Janeiro e São Paulo.


Na casa do sem jeito
Não tem jeito... É assim mesmo. Os mentores da política monetária do Brasil têm seus motivos pra manter o juro no patamar dos 8,75% ao ano, mesmo que o País tenha que amargar, de novo, o título de campeão mundial dos juros reais (descontada a inflação, essa taxa agora é de 4%).  É que o controle inflacionário ainda é a grande âncora da economia nacional. E a lógica da equipe do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, parece ser a velha máxima: “Em time que está ganhando, não se mexe”. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), na sua reunião do último dia 27, decidiu manter a taxa básica de juros inalterada.


Pensamento Econômico


"Com juros a 400% não há libido que aguente."


>> Declaração do escritor, poeta, mineiro e amigo de Fernando Sabino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos, Hélio Pellegrino, sobre os juros praticados pelas instituições financeiras e de crédito do País. Pellegrino referia-se às taxas vigentes no final dos anos 1980. Qualquer semelhança com a situação atual fica por conta do leitor-internauta.

Comentários (2)

Fantástica!!!
2 Segunda, 01 de Fevereiro de 2010 22:36
João Pedro Farias
Gostaria de aproveitar o espaço para demonstrar a minha imensa satisfação de ler a coluna da jornalista Ana Cristina Cavalcante,que nos traz vontade de ler mais e mais economia e engrandece a comunicação no Ceará e no Nordeste e logo,no Brasil.Parabéns Investne.
Álcool ou açúcar: eis a questão
1 Segunda, 01 de Fevereiro de 2010 20:45
João Vitor - Pe
Controlar o mercado ou incentivar o livre mercado: eis a questão? Qual é a fonte de valorização do açucar, industrial ou especultiva?

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