Análise semanal elaborada pela equipe de análise de investimentos da Spinelli
A semana passada foi repleta de dados econômicos e eventos corporativos de peso, nenhum dos quais capaz de alterar substancialmente o sentimento dos investidores. Sendo assim, apesar do expressivo desempenho no ano, as ações simplesmente fizeram reverberar a mensagem implícita na maioria dos indicadores - a de que a recessão acabou – sustentando o otimismo e retomando o teste das recentes máximas atingidas. A diferença é que agora, cada vez mais interlocutores sérios – incluindo representantes de Bancos Centrais – passaram a manifestar seu ceticismo e preocupação com o estado de “dissonância cognitiva” dos mercados frente à velocidade e, sobretudo, consistência da recuperação, esta sim, crivada de riscos e armadilhas, como vimos salientando a algum tempo em nossos calls.
Entre elas estariam um excesso de liquidez nos países centrais, resultando em pressões inflacionárias e aperto monetário mais à frente, gigantescos déficits fiscais, uma possível crise de confiança em relação aos Treasuries e à moeda que representam o excessivo endividamento dos consumidores americanos, a formação de uma bolha imobiliária e possíveis créditos podres no sistema financeiro chinês, etc.. entre as várias hipóteses que a imaginação permite supor – fora as que a natureza aleatória dos eventos econômicos ainda mantém à margem da imaginação.
O destaque na semana nos EUA ficou com os índices de atividade industrial do Fed (melhores que o esperado), os Indicadores Antecedentes (em linha) e números do mercado imobiliário (Building Starts e Permits abaixo do esperado e Existing Home Sales bem acima do esperado). Na Europa, o Índice de Confiança na Alemanha surpreendeu, bem como o PMI no geral dos países da região. Na China, os Investimentos Externos Diretos caíram 20,4% em julho frente a julho de 2008. No Brasil, houve surpresa com a criação de postos formais de trabalho em julho medida pelo CAGED, 138.402, contra 105.000 esperados.
Para a semana que se inicia, destaque nos EUA para os índices de atividade do Fed para as regiões de Chicago e Richmond, Índice S&P Case-Shiller, Pedidos de Bens Duráveis, Vendas de Imóveis Novos, PIB do 2T09 e Gastos Pessoais. Na Europa, serão importantes os números das Encomendas da Indústria e Índices de Confiança. Na China, Indicadores Antecedentes. No Brasil, destaque para as Notas do BC sobre o Setor Externo, Política Fiscal e Política Monetária.
Otimismo segue em alta e índices acionários testam novamente as recentes máximas
Apesar da pequena realização de lucros no início da semana, motivada pela queda dos índices na Ásia – sobretudo China – e pelo desempenho ligeiramente abaixo do esperado do PIB no Japão (+0,9% no 2T09, contra +1,0% esperado), os indicadores nos EUA e zona do Euro desautorizaram o entusiasmo dos céticos e vendidos, renovando o otimismo com a recuperação econômica. Na segunda-feira, o índice de atividade do Fed para a região de Nova Iorque (Empire State Manufacturing) referente a agosto apresentou sua primeira leitura positiva desde abri de 2008, 12,08 contra 3,00 esperados, e o Índice do Mercado Imobiliário da NAHB veio em linha com o esperado. Na terça-feira, o Housing Starts caiu 1% para um volume anualizado de 581.000 unidades (599.000 esperadas), primeira queda em três meses. Já o Building Permits caiu 1,8% em julho, para um volume anualizado de 560.000 unidades (577.000 esperadas).
Além disso, foi divulgada deflação de 0,9% no PPI e de 0,1% em seu núcleo, ambas as leituras abaixo do esperado. Em contrapartida, os resultados de varejistas como Home Depot, Target e Saks vieram melhores que o esperado, contribuindo para o desempenho do setor e exercendo influência positiva nos índices. Quarta-feira, houve a divulgação dos pedidos de hipoteca, que aumentaram 5,6% na última semana, revelando aumento na demanda por empréstimos para a compra e refinanciamento de imóveis, bem como a redução maior que a esperada nos estoques de Petróleo e Derivados, o que fez a commodity disparar, beneficiando ações de petrolíferas.
Destaque ainda para a circulação de rumores sobre a possibilidade de anúncio de novo plano de estímulo econômico nos EUA, embora não hajam ainda discussões oficiais. No cenário corporativo, o foco das atenções se concentrou no acordo entre o UBS e o Internal Revenue Service dos EUA, envolvendo supostos casos de evasão fiscal por parte de clientes da instituição na Suíça, o que favoreceu as ações do banco. Na quinta-feira, os Indicadores Antecedentes mostraram avanço pelo quarto mês consecutivo, +0,6% em julho (+0,7% esperados). No mesmo sentido, a atividade industrial na região de Filadélfia (Philadelphia Fed) se expandiu em agosto pela primeira vez em quase um ano (+4,2 contra -2,0 esperados), reforçando a percepção de recuperação em curso da economia. No cenário corporativo, o anúncio da AIG de que espera pagar os recursos tomados do governo em seu plano de salvamento ano passado deu impulso adicional ao mercado. Finalmente, na sexta-feira, os números das Vendas de Imóveis Usados referentes a julho trouxeram surpresa positiva, aumentando 7,2% contra o mês anterior (+2,1% esperados), para um número anualizado de 5,24 milhões de unidades, contra 5,00 milhões esperados.
Na Europa, fizeram a diferença terça-feira os dados da confiança na Alemanha (ZEW Survey -Economic Sentiment) referentes a agosto, de 54,9 contra 43,0 esperados. Números acima de 50,0 indicam crescimento. Na sexta-feira, o destaque ficou por conta dos números do PMI da zona do Euro, cujo agregado foi de 50,0, contra 48,0 esperados.
Já na China, em uma semana relativamente vazia de indicadores, o foco das atenções foi o receio dos investidores com a possibilidade de correção mais forte em seu inflado índice acionário, bem como a iminência do anúncio, por parte da Comissão Reguladora de Bancos da China, de maiores requerimentos de capital próprio no balanço das instituições, visando limitar o nível de alavancagem das instituições, que atingiu o recorde de 7,37 trilhões de yuans no primeiro semestre, 1,16 trilhões dos quais foram investidos no mercado acionário nos primeiros 5 meses do ano, segundo fonte ligada ao Centro de Desenvolvimento e Pesquisa, vinculado ao Conselho de Estado. A aprovação das medidas pode obrigar os bancos chineses a limitar seus empréstimos ou venderem ativos (incluindo ações) para se enquadrarem nas novas regras.
No Brasil a Balança Comercial referente à 2ª semana de agosto registrou um saldo positivo de US$ 680 milhões. A Pesquisa Focus, do Banco Central, apresentou redução na previsão da inflação para 2009, e em relação ao PIB, retração menor em 2009 e crescimento maior para 2010. No campo inflacionário, teve destaque a divulgação do IPC-S de 15 de agosto, pela FGV, que registrou inflação de 0,26%, ante 0,36% na medição anterior. Na terça-feira (18), o IPC da Fipe referente à segunda quadrissemana de agosto apontou variação de 0,43%, com ligeira alta em relação à semana passada (+0,35%). Já o IGP-10 da FGV registrou deflação de 0,60%, abaixo da apurada na medição anterior (-0,35%), com aceleração da queda observada no IPA (Índice de Preços ao Atacado), que apresentou deflação de 1,04%. Ainda houve surpresa positiva por conta da criação de postos formais de trabalho em julho medida pelo CAGED, 138.402, contra 105.000 esperados.
Na quarta-feira (19), o Banco Central divulgou o fluxo cambial das duas primeiras semanas de agosto, que registrou saldo positivo de US$ 2,022 bilhões. Na quinta-feira (20), o destaque da agenda econômica foi a divulgação da taxa do desemprego, pelo IBGE, que caiu de 8,1% para 8,0%, em julho. Foi relevante também a divulgação da Nota de Mercado Aberto do Banco Central referente ao mês de julho de 2009. O documento revelou que o estoque total da Dívida Pública Mobiliária Federal Interna teve aumento de R$ 28,01 bilhões, ou 2,11%, na comparação com o mês anterior, atingindo assim R$ 1,35 trilhão. Finalmente, na sexta-feira, a primeira prévia do IGP-M (FGV) referente a 20 de agosto foi de -0,46%, maior que os -0,57% esperados.
Indicadores de peso na semana podem definir teste das recentes máximas
A agenda da semana estará concentrada nos seguintes indicadores econômicos: nos Estados Unidos, segunda-feira (24), será divulgado o índice de atividade do Fed para a região de Chicago referente a julho, com expectativa positiva diante dos dados anteriores para as regiões de Nova Iorque e Filadélfia. Na terça-feira, serão importantes novos dados do setor imobiliário, que conhecerá a leitura do Índice S&P Case-Shiller de Preços dos Imóveis referente a junho e ao 2T09, bem como o Índice de Confiança do Consumidor referente a agosto e outro índice de atividade do Fed, desta vez sediado em Richmond, Virgínia. Na quarta-feira, destaque para os números das Encomendas de Bens Duráveis referentes a julho e para as Vendas de Imóveis Novos referentes a julho, bem como as Solicitações de Hipotecas da MBA referentes à semana encerrada em 21 de agosto.
Quinta-feira, a atenção estará concentrada sobre a nova prévia do PIB do 2T09 e seu deflator, bem como os Novos Pedidos de Auxílio Desemprego referentes à semana encerrada em 21 de agosto. Sexta-feira, o foco estará concentrado sobre os números da Renda e dos Gastos Pessoais (mais importante componente do PIB) referentes a julho, bem como o PCE (balizador de metas de inflação do Fed) referente ao mesmo período e o Índice de Confiança de Michigan.
Na Europa, está prevista a divulgação dos Novos Pedidos das Fábricas referentes a junho, e na quinta-feira (27) a divulgação do agregado monetário M3 referente a julho e o indicador PMI do Varejo para a Zona do Euro referente a agosto. Na sexta-feira (28) o Índice de Confiança da região para o Consumo, Indústria, Serviços e Agregado referentes a agosto. Na China, em semana relativamente vazia de indicadores de peso, destaque apenas para os Indicadores Antecedentes referentes a julho. Finalmente, no Brasil a semana concentra dados de inflação ao consumidor (IPC-S FGV, IPC FIPE, IPCA-15 IBGE), de Confiança do Consumidor (FGV) e as Notas do BC relativas ao Setor Externo, Política Fiscal e Política Monetária.
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