InvestNE - "O seu portal de investimento e informações do nordeste".

Pesquisar

Pesquisar


Tamanho da Fonte

Sexta-feira, 03 de setembro de 2010

Hotnews

< Playback Play >

A mídia e a opinião pública

Por Redação
Sexta, 22 de Maio de 2009 15:39
Imprimir PDF E-mail
Fernando Autran analisa questões econômicas e políticas que acompanham a história mundial

Por Fernando Autran

“De cova, e não de cava, aqui se trata.” (Goethe)

No mundo atual, não existe sociedade civil homogênea, especialmente num país desigual como o Brasil. Portanto, ao invés de uma abstrata opinião pública, existe aqui um número de opiniões públicas tão grandes quanto o dos diferentes grupos e classes sociais. Mesmo quando se trata de princípios e postulados gerais, que fazem parte do conjunto de crenças e valores da sociedade, persiste a diversidade de interesses e opiniões. E é a essa diversidade que a estrutura dos meios de comunicação se contrapõe. Na mão de poucos, são poucos os que decidem sobre a agenda dos assuntos a serem tratados. Também são poucos os que fazem a arbitragem das questões em conflito. Em suma, publica-se o que interessa a uns poucos, da maneira que interessa a esses poucos.

Além disso, há de se distinguir opiniões públicas de opinião publicada. As opiniões públicas, na maioria das vezes, não são publicadas. Da mesma maneira, a opinião publicada quase sempre não coincide com as opiniões públicas. E isto acontece porque, considerando-se a atual estrutura de propriedade dos meios de comunicação, a opinião publicada reflete, inevitavelmente, a opinião e os interesses de apenas um dos grupos que compõem a sociedade. Considere-se ainda que a completa ausência do contraditório, a escolha de uma única opinião e a seleção das questões que serão publicadas apontam para a prevalência de um grupo sobre os demais quanto ao uso dos meios de comunicação. E, embora muito se propague sobre o potencial libertário das novas configurações da mídia, a internet não conseguiu interferir na “liberdade de imprensa” exclusiva dos donos dos meios de comunicação e dos seus obedientes empregados. Até o momento, nada indica que seja possível enfrentar com êxito o bombardeio midiático das televisões e dos jornais (além das revistas marrons, tipo Veja). Se no mundo são poucas e grandes empresas que controlam a informação, aqui no Brasil os meios de comunicação pertencem a uma oligarquia que, diferentemente dos outros grupos que fazem parte da ampla e heterogênea sociedade brasileira, tem o exclusivo direito de defender seus interesses através da publicação de suas opiniões. E elas, cabe repetir, são opiniões publicadas, não públicas.

O maior problema do Brasil é a desigualdade social. Fazendo-se uso de um velho instrumento de manipulação da mídia nativa, a repetição (mensalão, mensalão, mensalão, apagão, apagão, apagão), afirme-se diversas vezes: o maior problema do Brasil é a desigualdade social, o maior problema do Brasil é a desigualdade social, o maior problema do Brasil é a desigualdade social. A desigualdade social é a mãe e o pai da fome, da precariedade da saúde e educação, do fluxo migratório do campo para as cidades, da falta de habitação e transporte, da violência que aterroriza a classe média e mata os pobres, da seletividade da justiça, da ausência de representação política, da impossibilidade de democracia, da explosão das favelas, do comércio de sexo das crianças e dos adolescentes, da exploração do trabalho infantil, enfim, de todos os graves problemas que atormentam a sociedade brasileira contemporânea. Entretanto, tratar da desigualdade social e de suas causas nos meios de comunicação é um sonho impossível. Pautar um assunto tão importante implicaria na análise das estruturas sociais anacrônicas do país. E essa análise traria com ela o reconhecimento de que o Brasil continua perseguindo um modelo de crescimento econômico injusto e cruel, um modelo que beneficia uma minoria privilegiada e condena milhares de pessoas à exclusão social e à violência da miséria.

Essas questões não são agendadas pela mídia porque contrariam os interesses dos seus donos. Neste momento, eles elegeram castelos e passeios aéreos como assuntos prioritários do Brasil! Dizendo-se legítima representante de uma suposta e abstrata opinião pública, a mídia escolhe seus assuntos de acordo com seus interesses e distancia-se dos grupos que tem a pretensão de catequizar. O problema é de pauta: o assunto da mídia é um, o da população é outro. Sua pregação encontra guarida apenas num pequeno segmento da classe média conservadora e nos grupos de maior poder econômico, justamente aqueles que já expressavam as mesmas opiniões publicadas por ela e já votavam nos mesmos candidatos que, sem a menor parcimônia, ela procura eleger. E depois fica sem saber por que perde eleições.

Com a posse do presidente Lula, a classe dominante e seus meios de comunicação decidiram ressuscitar o Clube da Lanterna e a Banda de Música da UDN. A indignação, naturalmente, é seletiva: cinco séculos de corrupção são devidamente esquecidos e todas as mazelas do país começaram com o atual governo. Além do denuncismo seletivo, os mecanismos de manipulação são utilizados com intensidade e sem pudor: os direitos civis (jamais os direitos sociais e econômicos) são alardeados como condição bastante para a existência da democracia; mistificam a existência de uma democracia sem povo, num país onde um morto de fome é convocado para eleger representantes que não o representam; cânones e mitos superficiais são criados; bolas da vez são escolhidas; políticos e movimentos sociais são demonizados; manuais de redação e princípios éticos são usados como argumentos de defesa contra a total e escandalosa falta de ética; prepotência e arrogância juntam-se à rápida e irresponsável destruição da imagem das pessoas; classificações e acusações procuram questionar quem diz, ao invés do que é dito; suposições são transformadas em verdades; privacidade e respeito são ignorados. E nada disso pode ser contestado, em nome de uma falsa liberdade de imprensa e de uma abstrata opinião pública.

Mas engana-se quem pensa que todas essas distorções fazem parte de um plano maquiavélico, conspiratório. Trata-se apenas de uma estrutura de poder e de propriedade que se reflete em todos os aspectos da vida coletiva. O problema é estrutural, faz parte de uma agenda prioritária que os grupos de maior poder econômico não permitem que entre em discussão. Trata-se de posse, de propriedade dos meios de comunicação, mas a apropriação da informação faz parte de um sistema de apropriação geral: fauna, flora, água, recursos naturais, terra urbana e rural, Estado, universidades, corações e mentes, tudo enfim faz parte do butim. E é sobre esta rapinagem que eles não querem discutir. 

Onde é possível tratar desses assuntos? A bola da vez seria o desemprego. Depois, no lugar do castelo do deputado, viria a bola da Reforma Tributária. O problema dos municípios pequenos e pobres que estão bancando o IPI da indústria automobilística seria a bola seguinte. Reformão, Reformão, Reformão para a bola da Reforma Agrária. Bancão, Bancão, Bancão para a bola dos juros e taxas de serviços dos bancos. Libertão, Libertão, Libertão para a bola da liberdade de imprensa.  Afirme-se aqui que a oligarquia da mídia tem o direito de expor sua visão do mundo e apresentar propostas de manutenção do status quo. Por mais incrível que possa parecer, há quem pense que o mundo está perfeito e acabado, que a injustiça social e a miséria são inevitáveis. Da mesma maneira que existem projetos de mudança, existem projetos de conservação, este não é o problema. O que está errado é o fato de apenas ela, a oligarquia, ter o direito de defender seus interesses e suas opiniões. Liberdade de imprensa não significa liberdade de a oligarquia da mídia e seus jagunços dizerem o que lhes interessa sem que outros grupos sociais tenham o mesmo direito, no mesmo espaço e com igual intensidade.

Nesta parada do trem, fechando-se previamente a porta a um eventual questionamento de algum leitor mais atento, cabe a pergunta: ora, se a mídia está tão distante da maioria da população, por que então suas manipulações incomodam tanto? Além daquele negócio de água mole em pedra dura, o problema é que os gestores das instituições se encontram irremediavelmente vulneráveis aos bombardeios midiáticos. Por serem pessoas públicas, não podem deixar de responder às questões publicadas e de dar a elas o tratamento de assunto público. Não se pode tratar com descaso a população, mesmo que isto signifique ficar refém da voracidade de uma mídia que não tem nenhuma ética. E essa situação interfere na seleção de prioridades do país, fazendo com que as questões mais importantes deixem de ser discutidas. Tome-se como exemplo a PEC 233/2008, que trata da Reforma Tributária. Trata-se de uma questão que afeta a vida de milhares de pessoas, mas não se fala disso.

É claro que o problema não se resume ao agendamento feito pela mídia, mas a luta política fica ainda mais assimétrica quando os assuntos de interesse da população não são sequer pautados. Passagens aéreas de deputados e uma penca de diretores no Senado são questões da maior seriedade, mas não influenciam a vida quotidiana das pessoas com a mesma intensidade que uma Emenda Constitucional sobre impostos. A mídia sabe disso. No entanto, seus interesses são outros. E estão muito distantes da luta por um país melhor para todos.

Fernando Autran é escritor. ( Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. )

Comentários (1)

opinião pública
1 Qui, 05 de Agosto de 2010 21:29
alcino
É impossível analisar opinião sobre probabilidades nulas. Quando a lei diz que "voto é secreto", perguntar o voto a alguém é ilegal, portanto pode ser distorcido ou mentido. Outra ideia: só se pode saber a quantia de votos nulos e brancos depois de contá-los, como também os válidos. O público que responde a pesquisa está colaborando com a ilegalidade, portanto criminosos. Para mim noventa por cento de toda propaganda e divulgação eleitoreira só tem interesse em manipular a massa e distorcer a realidade. Eu não voto em certos candidatos pela pesquisa.

Adicionar comentário

Seu apelido/nome:
seu email:
Seu estado: Seu website:
Assunto:
Comentário:

Notícias em Destaque

Últimas Notícias

Inscrições para a Fundeci prosseguem até o dia 30 de setembro

Ao todo, serão destinados  R$ 6,5 milhões a projetos de pesquisa e difusão tecnológica na área de atuação do BNB

BNB lança edital de seleção de propostas para compor programação dos seus centros culturais em 2011

Serão ministradas duas oficinas em Fortaleza, duas no Cariri e duas em Sousa

Leilão para eólicas do NE terá oito empresas e um consórcio

Os empreendimentos deverão gerar 2.150 empregos no Rio Grande do Norte, na Bahia e no Ceará. A estimativa é de que os investimentos atinjam R$ 300 milhões

Peso dos impostos diminui para 33,58% do PIB em 2009

Segundo informações divulgadas hoje (2) pela Receita Federal, em 2009, o volume arrecadado com impostos, contribuições e taxas chegou a R$ 1,055 trilhão, contra R$ 1,033 trilhão de 2008

Produção industrial cresce em metade das regiões analisadas

Aumentos foram percebidos na Bahia (3,6%), no Rio Grande do Sul (3,3%), na Região Nordeste (1,7%), no Rio de Janeiro (1,1%), em São Paulo (0,5%) e Minas Gerais (0,1%)

Vídeo


Rua Dr. José Lourenço, 870 - Salas 505 a 508 - Edifício Consorte
Aldeota - Fortaleza/CE
CEP: 60.115-280 - Fone / fax: (85) 3133.7760
Gestão Comercial (85) 3133.7770 (85) 8711.3827
Skype: invest.nordeste
msn: investne@hotmail.com

Fim da Página