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Quarta-feira, 08 de fevereiro de 2012

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Análises

Domingo, 02 de Novembro de 2008 21:00

Cláudio Chalom

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A crise que abalou o mercado financeiro de todo o mundo nas últimas semanas trouxe uma preocupação sobre uma possível recessão que virá em seguida. Em momentos como esse, empresas passam a investir menos levando a uma desaceleração da economia.

O Brasil já passou por alguns momentos de recessão econômica em sua história e uma de suas conseqüências é a queda na geração de empregos.

A dificuldade na obtenção de um emprego certamente é maior em períodos recessivos e com isso a competição se torna bem mais acirrada.

É justamente em momentos como este que um profissional que realiza um programa de intercâmbio cultural se destaca no mercado de trabalho.

Ao morar no exterior, seja realizando um curso ou um estágio, o indivíduo convive de perto com os hábitos culturais do país visitado, oferecendo uma oportunidade única de compreender um modo de vida diferente do que está acostumado aqui no Brasil. Abre-se, com isso, uma nova perspectiva de conhecimento e nesta situação, o intercambista precisa se adaptar ao novo ambiente.

Este é um dos motivos que levam os departamentos de Recursos Humanos de diversas empresas brasileiras a levarem em consideração a participação em programas de intercâmbio cultural no exterior na hora de contratar novos profissionais. Além do aprendizado ou aperfeiçoamento do idioma do país visitado, a adaptação do indivíduo a um ambiente diferente daquele que está acostumado aqui no Brasil, o credenciam a encarar desafios corporativos com sucesso.

Apesar da desvalorização, dólar americano está no mesmo patamar de 1996

O aumento na cotação do dólar americano nas últimas semanas aumentou o custo do programa de intercâmbio em alguns países.

Mesmo assim, se levarmos em conta a valorização do dólar desde 1996 (quando a cotação era de R$ 1) e aplicarmos o índice do IGP-M divulgado pela FGV, a cotação de hoje estaria em torno de R$ 2,30, ainda abaixo do patamar atual.

Além disso, moedas como o dólar neozelandês e o dólar australiano, não tiveram uma valorização significativa em relação ao real nas últimas semanas e com isso, os programas de intercâmbio para estes países praticamente mantiveram seu custo, mesmo com a valorização do dólar americano.

Em uma época que todos buscam a melhor forma de investimento, investir em um programa de Intercâmbio Cultural é uma ótima opção.

Claudio Chalom é diretor da BEX Intercâmbio do Rio de Janeiro

Terça, 21 de Outubro de 2008 21:00

Nordeste na mira

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Apesar de o Estado do Ceará ser mais conhecido por suas belezas naturais e região turística, ele se destaca também como um importante pólo de negócios. De acordo com o IBGE, a população cearense é de 7,9 milhões de habitantes, sendo que a capital Fortaleza concentra 2,3 milhões. O Estado, ainda segundo o IBGE, acumula um PIB de R$ 27 bilhões aproximadamente. As áreas de negócio estão divididas em Agropecuária 6,5%; Indústria 45,5%; e Serviços com 48,1%. Esses são bons motivos para investidores se aproximarem cada vez mais da região.

O Brasil conquistou recentemente o selo de investment grade, após a decisão de algumas agências de classificação de riscos – entre elas duas das maiores do mundo, a Standard & Poor’s e a Fitch Rating – que passou a considerar nosso País, mais seguro para investimentos. Isso nos coloca na mira dos investidores que agora vêem o Brasil como bom pagador.

 A condução dos assuntos econômicos tem repercutido no aumento da confiança dos investidores. Nosso PIB (Produto Interno Bruto) tem crescido numa velocidade maior e, com isso, já somos a maior potência da América Latina. Ainda na primeira quinzena de setembro, o IBGE divulgou o resultado do PIB do 2º trimestre de 2008, que mostrou uma elevação de 6,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Esse percentual elevou as estimativas de crescimento do país de 5% para 5,5% ao encerramento deste ano. Alguns analistas, avaliando números de estatísticas de diversos países pelo mundo afora, dizem que a aceleração do PIB brasileiro está na contramão da maior parte da economia mundial, que segue com uma crise financeira.

Outro exemplo da nossa velocidade de crescimento foi a última reunião da rodada Doha, onde apesar de fracassadas as conversações globais, o Brasil saiu fortalecido deixando uma imagem positiva entre a Organização Mundial do Comércio (OMC) e entre os países membros da União Européia, Canadá, Estados Unidos e Japão.   

Nossa economia vai bem, obrigado. Porém, analistas afirmam que o Brasil vai sentir sim a crise financeira mundial. A economia brasileira, apesar de bem ajustada, deverá sofrer alguns impactos com a crise, que afeta principalmente o mercado de ações, mas nossa exposição será menor que anos atrás. Iremos crescer mesmo assim, principalmente em regiões de interesse internacional como o Nordeste, com investimentos em turismo, meio ambiente, agricultura, entre outros.

A região nordeste está no mesmo ritmo que o desenvolvimento econômico do país. Crescimento da economia concentrado em algumas atividades emergentes e em regiões localizadas; disputa regional mais acirrada, no que se refere à políticas de concessão fiscal – o que é muito interessante para atrair a instalação de grandes corporações que conseguem se beneficiar com descontos e até isenção de tributos; fortalecimento do 3º setor, com o aumento do papel social e político das ONGs (Organizações Não Governamentais), projetos de sustentabilidade sendo liderado por empresas regionais, entre outras formas de desenvolvimento.  

Enfim, o Nordeste é uma região promissora para os negócios. Fortaleza, em especial, vem se mostrando como excelente região com tendência de aumento da capacidade produtiva e isso faz com que nossa expectativa seja de um bom cenário futuro.

 

Mauro Ambrósio é sócio-diretor da BDO Trevisan e responsável técnico, administrativo e comercial do escritório de Fortaleza.

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Por Fernando Autran
Domingo, 24 de Agosto de 2008 21:00

As eleições e o Zé Gotinha

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Por Fernando Autran

Zé Gotinha é o nome de uma simpática campanha de vacinação infantil. Periodicamente, em datas programadas certamente com base em critérios técnicos, as crianças do país são vacinadas. A campanha, além de simpática, é séria e necessária.

Também periodicamente, em datas programadas com base na área geográfica da representação política, os brasileiros maiores de 16 anos são convocados a escolher seus representantes na formação dos governos municipais, estaduais e federal. Embora seja obrigatório, o voto é livre, ou seja, o eleitor tem sua liberdade de escolha assegurada por regras eleitorais que o vacinariam contra a influência do poder econômico. Aqui no Brasil, como também na grande maioria dos países ocidentais, esse procedimento eleitoral faz parte de um conjunto de procedimentos relativos aos direitos políticos e civis – ficam excluídos os direitos econômicos e sociais – que certifica o sistema como uma democracia. Os critérios de certificação desse tipo de ISO democrático são variáveis, sempre de conformidade com os interesses dos certificadores.

Há uma apatia da população em relação à política e às eleições. Exatamente como no caso do Zé Gotinha, o assunto só merece a atenção das pessoas durante o curto período que antecede a data marcada para a realização do evento. No caso das eleições, principalmente as municipais, apenas com o início do programa eleitoral na televisão a escolha dos candidatos passa a despertar algum interesse. E quanto à política, o alheamento é tão grande que há até mesmo quem defenda a “despolitização” das eleições. O eleitor é estimulado a sair em busca de um gerente eficaz, uma espécie de técnico honesto e competente a quem caberia administrar os recursos públicos e definir prioridades. E só isso bastaria! Não há nenhuma apreciação sobre as forças e os interesses que os candidatos representam ou sobre o posicionamento político da cada um deles. Não há participação, não há política.

Por que isso acontece? Afinal, por quais razões as pessoas tratam a defesa dos seus próprios interesses com tão pouco cuidado? Uma resposta rápida, e bastante reduzida, localiza essa indiferença na baixa credibilidade dos políticos, esses anjos caídos que são apontados como os únicos responsáveis por todas as mazelas do país. Seria como se a população, diante da exposição de sucessivos casos de corrupção, aceitasse a substituição da discussão sobre suas necessidades por uma agenda de natureza apenas moral. Resultaria daí um niilismo vazio, sem maior profundidade e carregado de preconceito contra os políticos e a atividade política.  Com a redução do procedimentalismo a simples regras eleitorais, o que é preconizado por grupos e classes sociais interessados em um projeto de conservação, a participação da população estaria limitada à indicação de representantes na formação de governos.

No entanto, a amplitude e a complexidade das sociedades atuais indicam a existência de várias causas para esse distanciamento das pessoas em relação aos aspectos mais importantes da vida coletiva. E uma das principais causas da apatia política da população, quase tão decisiva quanto a exclusão social, é a ausência de representação. Quem não se sente representado, não participa; quem não participa, jamais conseguirá ser representado. Mas esse ovo tem galinha, e a galinha desse ovo é a estrutura de propriedade, principalmente no caso de um país injusto e desigual como o Brasil. Aqui, a concentração de renda elimina a possibilidade de participação. Nesse encadeamento, a causa da apatia política, por sua vez, tem causa, pois a exclusão política segue os passos da exclusão social. E é por isso que a política passa a ser vista como um engodo, uma atividade sem compromisso com nenhuma concepção do mundo e irremediavelmente contaminada por políticos corruptos e incompetentes. Assim, por essa via, deixa-se de lado não apenas o fato de existirem políticos honestos e representativos, como também a oportunidade de defender interesses e concepções essenciais à condição humana.

Cantava um poeta que o amor sozinho é como um jardim sem flor. Ninguém vive só, nem mesmo quando pensa que vive só. E a convivência humana, ou seja, a conflituosa relação entre pessoas e grupos distintos precisa ser regulamentada por um sistema que funcione através de instituições organizadas. Isso é política. E ninguém vive sem política, nem mesmo quando pensa que vive sem política. Existem conflitos de interesses entre os membros de uma sociedade, principalmente no caso de uma sociedade de classes. Esses conflitos são institucionalmente mediados por uma organização política, um sistema de sanções composto por instituições de regulação social cujo controle é disputado por todos os grupos envolvidos no conflito. A ação política pode ser definida como a luta por esse controle. A medição de forças acontece em diversas arenas de luta, sendo as eleições uma dessas arenas. Como se vê, política é coisa séria, faz parte da vida tanto quanto nascer e morrer. E político não cai do céu.

Uma boa notícia é que tem muita gente tomando vacina todo dia contra a apatia política. Movimentos das mulheres, dos homossexuais, das etnias e culturas discriminadas e dos grupos que lutam contra a exclusão estão transformando a participação em uma nova forma de pressão política. Esses grupos minoritários, que enfrentam o problema da prevalência das maiorias na formação de governos, estariam inteiramente excluídos do processo decisório se não tivessem ido à luta. Outra experiência que merece registro é a participação da população nas decisões sobre a aplicação dos recursos públicos. No entanto, o ideal seria que essa participação nos orçamentos fosse assegurada por lei, como foi feito no caso da responsabilidade fiscal.

Finalmente, é necessário analisar a relação que existe entre participação política e democracia. Por razões de pauta e de espaço, não cabe aqui desenvolver uma análise sobre as condições estruturais da democracia. No entanto, mercê dessa certeza, em poucas linhas é possível questionar se existe democracia quando os direitos sociais e econômicos não são assegurados. Há uma mistificação sobre liberdade de escolha, liberdade de organização política, liberdade disso e daquilo. A democracia se confirmaria apenas através de eleições livres e da livre circulação de capitais e mercadorias, mas nada é dito sobre o direito à vida. Essa conversa enfeitada não resiste sequer a um dedinho de prosa, mineira que só, do mestre Guimarães Rosa: “Pra uns, as vacas morrem... pra outros até boi pega a parir.” Um ser humano sem acesso à saúde, alimentação, educação, habitação, segurança, justiça, informação – em suma, a todos os direitos essenciais à vida contemporânea – é livre, simplesmente porque, periodicamente, o arrancam da sua compulsória apatia política e o obrigam a votar? Isso é democracia?

A resposta negativa a essa pergunta conduz a duas certezas: a primeira é a de que existe uma incompatibilidade definitiva entre democracia e exclusão social, o que faz da luta por uma sociedade justa e solidária o único caminho para se chegar à verdadeira democracia; e a segunda certeza diz respeito à necessidade de se compreender a democracia como uma construção diária e permanente, um projeto que a humanidade pode realizar.

 

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Quarta, 13 de Agosto de 2008 21:00

A fome segundo Josué

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"A fome se revelou espontaneamente aos meus olhos nos mangues do Capibaribe, nos bairros miseráveis do Recife", escreveu Josué. Ele foi médico, professor, sociólogo e escritor. Se vivo estivesse, completaria 100 anos em setembro. O pernambucano Josué de Castro foi o primeiro pensador a refletir sobre a natureza e a complexidade das diferentes formas de privação alimentar no país. Não por acaso, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), órgão do qual ele é patrono, deslocará sua reunião plenária, em setembro, de Brasília para Recife, cidade onde nasceu Josué em evento que deverá contar com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

As idéias de Josué, já no início do século passado, uniram os avanços da bioquímica e da fisiologia, ultrapassaram as fronteiras das disciplinas biomédicas e introduziram categorias analíticas ligadas à sociologia, geografia, antropologia e economia. O descompasso entre as condições salariais e as necessidades alimentares dos trabalhadores o motivou a refletir sobre o papel do Estado e das políticas de governo. Ele associou a fome aos dilemas da construção da nação, do Estado e do desenvolvimento econômico e social.

Hoje, 100 anos depois do nascimento e 35 anos após sua morte, a miséria e a pobreza apresentam novos contornos, novas perspectivas de intervenção pública. A fome continua tema prioritário e exigência política no Brasil, que ainda não conseguiu erradicar a indigência (a incapacidade de obter a renda necessária para a garantir a mera sobrevivência física).

Hoje, no entanto, diferentemente da realidade dos anos 30, 40 e 50, analisados por ele, o quadro de miséria e fome tornou-se mais complexo, mais urbano e segmentado - a partir das clivagens de gênero, etnia, escolaridade e inserção ocupacional. À medida que o Brasil exibe recordes de produção agrícola e um PIB per capita que o insere entre os países mais ricos do mundo, nossos maiores limites para equacionar a fome estão ligados à questão das prerrogativas e dos direitos de cidadania. Ainda assim, ao formular um conceito de desenvolvimento que não é puramente econômico, mas que remete aos dilemas da integração e a emancipação humana, a obra mantém uma proximidade inquestionável com o debate atual em torno das políticas sociais e da cidadania. Estar bem nutrido para Josué de Castro é, antes de mais nada, uma exigência ética.

Sobre as opções políticas para a solução da fome e da miséria, Josué também nos ensinou a recusar o assistencialismo e a fragmentação das ações e evitar a perpetuação de programas setoriais que não buscam a convergência em torno de resultados comuns. Neste sentido, o esforço de fazer dialogar as diferentes agendas das políticas públicas, possibilitar novos arranjos de governança, incluindo múltiplos atores, instituições e grupos sociais em torno da questão da Segurança Alimentar, atualiza e expande a obra e o pensamento de Josué de Castro.

Rosana Magalhães é Nutricionista, pesquisadora titular da Fundação Oswaldo Cruz

Segunda, 07 de Julho de 2008 21:00

O agronegócio no combate à miséria

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O novíssimo estudo “Objetivos do Milênio — o avanço no direito à saúde na América Latina e no Caribe” faz uma análise positiva para o Brasil, apontado como um dos únicos países da região em que a queda dos índices de miséria nos últimos anos está ligada ao aumento do rendimento dos mais pobres. Nas demais nações, excluindo o Chile e as áreas urbanas do Equador, o progresso no combate à extrema pobreza deveu-se notadamente a programas de transferência de renda e outras formas de benefício social.

O cruzamento dos dados contidos nesse relatório da Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe) com estatísticas do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho torna ainda mais evidente a relação entre o crescimento da renda dos brasileiros pobres e a geração de empregos. Nos quatro primeiros meses de 2008, criaram-se no País 848.962 postos de trabalho com carteira assinada. Este volume, em relação ao acumulado no primeiro quadrimestre de 2007, significa crescimento de 21%, conforme se divulgou na imprensa. Nos últimos 12 meses, o nível de emprego formal cresceu 6,29%, o equivalente à criação de 1.764.735 novos postos.

É interessante notar que, segundo o próprio Ministério do Trabalho, um dos fatores que contribuíram para o bom resultado foi a performance sazonal da cadeia produtiva da agroindústria. O setor agrícola, aliás, foi o que apresentou o maior nível de expansão no volume de empregos em abril, na comparação com março, com incremento de 2,5%. As estatísticas são condizentes com o papel desempenhado pelo setor na economia e no mercado de trabalho: sabe-se que o agronegócio gera um emprego para cada três no Brasil, sendo responsável por aproximadamente 37% da mão-de-obra empregada.

Avaliar os dados do Caged permite vislumbrar como o agronegócio pode melhorar a distribuição de renda e promover a inclusão de mais pessoas nos benefícios da economia. Além desse importante fator social, a produção agropecuária precisa ser cada vez mais estimulada, de modo a se aumentar a oferta de alimentos, dentre outros produtos.

A produção maior é essencial para tornar viável a reversão do único risco apontado pela Cepal de retrocesso na tendência de diminuição da pobreza: a alta do preço da comida. Esta seria, a rigor, a única barreira capaz de impedir que a América Latina e o Caribe atinjam a meta de reduzir pela metade, entre 1990 e 2015, a proporção de miseráveis. Por isto, o relatório sugere que os países criem políticas públicas eficientes para atenuar esses efeitos. “As medidas poderiam incluir ações que diminuam os preços ou as altas dos preços dos alimentos nos mercados internos e redução de tarifas e impostos sobre o seu consumo”.

Sábia recomendação no que concerne à redução dos impostos! Devemos, assim, tratar de a encampar, fortalecendo ainda mais o agronegócio brasileiro, que tem sido eficaz pela tenacidade, profissionalismo e tecnologia agregada do setor, a despeito das dificuldades para se produzir neste país, a começar pelos altos juros dos financiamentos e precariedade da infra-estrutura de transportes e armazenamento. O que se perde na deficiência logística já teria certo impacto na oferta e nos preços dos produtos.

O agronegócio, tanto na geração de empregos e renda, quanto na produção de gêneros alimentícios, é o caminho concreto e real para o combate à miséria no Brasil, na América Latina e em todo o mundo. A atividade já tem quebrado todos os recordes, incluindo a próxima safra de grãos, que deverá contribuir muito para conter a majoração dos preços daqueles produtos, pelo menos no mercado interno.

Dessa maneira, ao superar os seus gargalos, o setor consolidará o País como exportador de alimentos e biocombustíveis, a preços sempre competitivos, apesar dos subsídios europeus e norte-americanos e da tentativa sub-reptícia de se imputar ao etanol nacional uma culpa que ele não tem nesse episódio de inflação da cesta básica mundial. Ao contrário do que alguns parecem desejar, na fértil terra brasileira germinará a solução para impedir que a miséria, a desnutrição e a fome, como teme a Cepal, sejam os algozes da saúde e da cidadania neste século.

 

* João Guilherme Sabino Ometto, engenheiro (EESC/USP), é vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e presidente do Grupo São Martinho.

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