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Crescimento Econômico e Desenvolvimento Social

Quarta, 27 de Fevereiro de 2008 21:00
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A situação internacional continua favorável, a inflação está sob controle, os juros seguem uma trajetória de queda e o câmbio será ajustado na mesma proporção em que ocorrer a diminuição dos juros. Além disso, o consenso em relação à urgência do aumento dos investimentos facilitará o entendimento com a oposição no congresso, muito embora sejam evidentes as diferenças existentes entre os projetos de reformas desses dois conjuntos de forças da sociedade. Assim, não seria exagero afirmar que são positivas as mais diversas previsões sobre o crescimento econômico do Brasil nos próximos anos.

Mas é preciso que os olhos estejam voltados para o desenvolvimento social. No pronunciamento feito logo após o segundo turno das eleições, o presidente explicitou a necessidade de priorizar o desenvolvimento social na luta pelo crescimento. Lembrou inclusive o período em que o país concentrou ainda mais a renda enquanto crescia aceleradamente, numa clara alusão ao “milagre econômico” dos anos setenta. Faz pouco tempo, e a música do tri falava dos 90 milhões que éramos então. Hoje, apesar do aumento da desigualdade social e da violência, somos mais de 180 milhões.

O historiador Fernand Braudel apontou que entre os séculos XV e XVIII a população mundial duplicou, em decorrência do progresso material. Atualmente, diante da aceleração deste progresso, isto acontece a cada quarenta anos. Os aumentos demográficos ocorreram simultaneamente a uma deterioração dos níveis de vida, especialmente em relação ao crescimento da miséria e da subnutrição. No entanto, esta constatação não deve conduzir à conclusão que os surtos demográficos inevitavelmente trazem com eles uma queda da qualidade de vida, e muito menos que esta deterioração é inerente ao progresso material. O problema está na maneira como a evolução da tecnologia é apropriada pela sociedade. Quando uma estrutura de propriedade apresenta uma elevada concentração de renda, os benefícios decorrentes do avanço tecnológico não são partilhados pelo conjunto da população (muito embora seja possível admitir que no mundo atual uma pessoa venha a morrer de fome com um celular na mão). Tome-se como exemplo o Brasil de hoje, com seus 185 milhões de habitantes, onde multidões de famintos convivem com pessoas que ostentam altíssimo padrão de consumo. 

As ilusões de salvacionismo tecnológico, absorvidas e defendidas por quem se encontra no topo da pirâmide social, decorrem da disseminação do consumo e do surgimento de novos produtos resultantes das inovações da produção. O progresso material também traz consigo novos conceitos e classificações de luxo. Bens e serviços que eram classificados como supérfluos vão sendo incorporados ao consumo da população, muito embora isto não represente necessariamente uma melhoria nos padrões sociais de atendimento das necessidades.

Até porque esta incorporação é feita através de um processo de simplificação: a fibra é sintética, a informação é rápida e superficial, a arte foi substituída pelo entretenimento, os produtos são menos elaborados quando destinados ao consumo de massa. Além do mais, é sempre bom lembrar que Napoleão Bonaparte e J.D. Rockfeller não possuíam televisão (nem mesmo em preto-e-branco). E muito menos telefone celular.
  O agravamento da situação social, no Brasil e no mundo, evidencia a impossibilidade de resolução dos conflitos através de refluxo demográfico ou de desenvolvimento da tecnologia. Este não é o caminho: nem o darwinismo social nem o salvacionismo tecnológico irão resolver os problemas do aumento da violência e do terrorismo, da propagação das drogas, da degradação da vida e do meio-ambiente, da favelização das cidades, do crescimento do crime organizado. Pelo contrário, com a concentração de renda em níveis nunca antes verificados, o desequilíbrio provocado pela impossibilidade sistêmica de oferecer ao conjunto da população padrões socialmente aceitáveis de sobrevivência já não consegue mais ser minimizado através dos brutais e desumanos ajustamentos historicamente tradicionais: fomes, guerras, epidemias, colonizações, fluxos migratórios de refugiados, morticínio exacerbado dos excluídos, confinamento e reclusão dos que vivem à margem dos benefícios do progresso material. São muitos os que se encontram hoje em situação de miséria e degradação da vida, e o crescimento deles é maior que a capacidade de eliminá-los. Cabe aqui a comparação com a Hidra de cinqüenta cabeças na luta contra Hércules: para cada cabeça cortada, nasciam duas.
  A receita é compaixão, solidariedade humana, pensamento coletivo e humanitário. E, é claro, muita luta política. O presidente, portanto, tem razão ao propor uma agenda na qual o crescimento econômico deva ser concebido como um instrumento de realização do desenvolvimento social. A prioridade é o ser humano, a quem o progresso material precisa estar subordinado.

Fernando Autran

Analista econômico e social

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